Paulo Delgado
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O ano do Cavalo de Fogo

A moldura institucional e a estrutura social de nosso tempo, sua forma de funcionar, seus vocabulários cifrados, a massificação das palavras, leis, manias, está

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Há 4724 anos, a China comemora, desde 1949, data ajustada ao calendário gregoriano do mundo ocidental, o início do Ano-Novo Chinês. Com o festival da primavera, a mais importante comemoração nacional do país. Tradição milenar de festejar a passagem dos signos do zodíaco, começa em 17 de fevereiro, como o ano da velocidade e das paixões intensas, o ano do Cavalo de Fogo. Ainda em fevereiro, comemora-se o dia do comediante, que tem como padroeiro São Lourenço, que viveu no Século III depois de Cristo. Ao ser martirizado numa grelha, Lourenço pede aos seus algozes que o virem, pois já estava bem assado de um lado.

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O ano de 2026 começou com a “Resolução Absoluta” – como o governo dos Estados Unidos chamou a invasão da Venezuela para sequestro do casal presidencial – e com o silêncio constrangedor dos principais governos do mundo democrático. Dez dias depois tivemos o oposto, um barulho intimidador dos principais banqueiros dos Bancos Centrais, os Global Central Chiefs, para dizer que estão em total solidariedade ao presidente do BC norte-americano, acusado pelo mesmo governo dos EUA, de querer gastar US$2,5 bilhões de dólares para reformar a sede do FED.


A máquina do mundo não para! Antipatias e simpatias à parte, sem pretender ou poder entender os desígnios de Deus, é evidente constatar como muitas pessoas importantes não são o que poderiam ser. Os dois fatos revelam bem o movimento da balança de valores que equilibra o mundo da política atual. De outro lado, na Conferência anual da federação do varejo dos Estados Unidos, a National Retail Federation, palco do Big Show dos maiores executivos do comércio de massa, luxo e riqueza do varejo mundial, ocorrido mês passado em Nova Iorque, não havia nenhum dos expositores decepcionado com a sofreguidão do consumo no mundo moderno.


O que será que nos espera, acreditando ou não em horóscopo, de um mundo que não mora mais em nosso arbítrio? A base da evolução da sociedade pode ser vista como um sumário de comportamentos, hábitos e atitudes da vida dos indivíduos dentro das instituições em que forma sua biografia.


São inúmeros os tratados de sociologia que tentam compreender adequadamente os movimentos, papeis, desafios e destino das pessoas em sua vida familiar ou profissional. Viver é desempenhar papeis estruturados dentro da sociedade observando sua relação com as instituições. Ter uma biografia é compreender como melhor se forma sua personalidade, responsabilidade e consciência pessoal e social. Nos tempos presentes o que temos visto no Brasil e no mundo é que a maioria das pessoas adquire suas características sem muito senso crítico, como se tivessem uma mente implantada.


A moldura institucional e a estrutura social de nosso tempo, sua forma de funcionar, seus vocabulários cifrados, a massificação das palavras, leis, manias, está produzindo um robô alegre, que é convencido, externamente a ele, a aceitar ou rejeitar sua autoimagem.


São tantas as influências externas que poucas pessoas perdem tempo em formular alguma opinião própria adequada a sua verdadeira opinião. Felizmente aumenta a reflexão de que o indivíduo precisa começar a transcender, conscientemente, o papel previamente preparado pela estrutura e a ordem de seu meio, para poder melhor desempenhar sua função.


Com juros tão altos, claro que é mesmo difícil ter algum capital de giro para conceder à paciência algum tempo para se dedicar a algo que não seja moda. Tempo sem humor, dilacerado pela imitação e a intimidação.


É um tempo aparente da variedade de estilos, antes mais parece de moldes fixos, modelos de comportamento, impedindo que a beleza da variedade humana se afirme espontaneamente. São máquinas de desejos, leis e ordens sendo criadas para criarem tipos e situações que fazem a glória dos fiscais de lei para tudo – e também dos que burlam a lei.


A variedade é contraditoriamente uma massa homogenia. São ondas do contexto de um tempo, impulsionadas por propaganda, meios químicos, desejo de adaptar-se ao que se vê, lê ou ouve. Onda que serve a todas as categorias interessadas em aumentar a frequência das atitudes esperadas e encaixá-las numa gaiola de condutas. Por trás de tudo cresce a força do abuso burocrático dos que têm poder e influência para impor, em seus ambientes específicos, uma mesma visão das coisas.

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O elo fraco do mundo atual não são só as ordens institucionais impostas, mas a desagregação da estrutura social e sua desconcertante aceitação das ideias dominantes por não compreender claramente que só tem ideias dominadas. Tendências que desagarram de valores o destino político, espiritual, econômico e cultural global.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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