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Questão de valores

Andar de ônibus desenvolve um incontável número de habilidades

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Sou do tempo em que todo mundo pegava ônibus, dos mais ricos aos mais pobres e os demais que pertencem aos múltiplos extratos entre estas duas camadas. Quando muito, um carro por família, em função do custo alto e do fato de que dirigir era coisa para os homens, principalmente.
Evoluímos, ainda bem, nesses quesitos, exceto no que diz respeito ao andar de ônibus. Fico indignada de ver a quantidade de jovens das classes média e alta que só se deslocam se for de carro.
A filha de uma conhecida me disse que escolheu estudar em uma faculdade particular porque a federal é muito longe. Como ela só anda de Uber ou no carro da mãe, que faz serviço de levar e buscar, melhor então estudar mais perto de casa. Questão de valores!


Andar de ônibus desenvolve um incontável número de habilidades. A começar pelo aprender a ser ágil, pra não ficar pra trás; ceder espaço aos mais velhos ou com necessidades diversas, mesmo quando o cansaço for enorme; conversar ou se recusar a fazê-lo com quem está ao lado; aprender onde guardar carteira e celular em lugar seguro; administrar o tempo; conhecer a dura realidade da maior parte da população e, principalmente, aprender o valor do dinheiro e desejar ser independente.
Que pessoas pais e mães acreditam estar construindo mantendo seus filhos dentro de quatro janelas fechadas com ar condicionado ligado? A estudante que citei acima já começa a mostrar as consequências de se viver na bolha do conforto.


Quem não pega ônibus também não aceita fazer nada de “graça” em troca de aprendizado. Considera perda de tempo e exploração. Pensa que a remuneração do estágio tem que ser maior que o gasto com o transporte, do contrário não vale a pena. Nestas condições, melhor ficar em casa esperando a formatura para, enfim, começar a trabalhar.


E, quando o dia de pegar o diploma chegar, sem nenhuma experiência de vida, restará à mãe e à filha culpar a crise econômica que os governantes insistem em manter mergulhado o nosso país.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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