Mistérios ainda rondam a candidatura do líder das pesquisas, Cleitinho Azevedo (Republicanos), desde a instabilidade, incertezas e o registro oficial. Um deles é o anúncio do partido de que não dará recursos do fundo partidário para sua campanha. Cleitinho transformou o veto em narrativa, como é sua habilidade, para dizer que não irá usar dinheiro público ou do partido, que é destinado para a disputa eleitoral.

Em condições normais, é incompreensível um partido não querer investir no favorito da disputa. Recorrendo aos adiamentos consecutivos de Cleitinho, o Republicanos quer usá-lo duas vezes para ampliar o próprio caixa. Primeiro, nada gastando; segundo, conquistando mais fundo partidário, por meio dele, que será um puxador de votos para eleição de deputados federais.

Controverso, o candidato vai para as ruas e mobiliza o eleitorado no corpo a corpo, pelo gogó e sola de sapato, além das redes sociais, onde é campeão. Ainda assim, a partir daí, devem começar suas dificuldades e desafios. A realidade continental mineira é diferente, com 853 municípios.

Se planejar viajar apenas para as principais cidades polo gastaria, pelo menos, R$ 1 milhão com aeronaves. Para os altos gastos na produção de programas de TV e rádio, no horário gratuito, ele deverá fazer o dever de casa, sem grandes investimentos e preocupações. Pode dar certo ou não? Diante disso, a campanha avalia buscar recursos de empresários aliados, como seu suplente no Senado, que é rico dono de rede de supermercado e, óbvio, tem interesse na futura vaga.


Tempo na TV e rádio

O TRE mineiro define, nesta quinta (20), o real tempo de TV e rádio dos candidatos a governador de Minas, além de sortear a ordem de apresentação para a propaganda em bloco e inserções. Vai repassar também um dos combinados com as redes de TV, que prevê inserções, os pequenos comerciais, de 30 segundos, para não atrapalhar a programação. Alguns queriam tempo menor, de 15 segundos, para pulverizar suas campanhas, dando maior visibilidade.


Rejeição em alta

Ao seguir o concorrente Romeu Zema (Novo) e ouvir as redes sociais, o candidato a presidente pelo PSD, Ronaldo Caiado, optou por atacar o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Como seu vice, Gilberto Kassab (PSD), ele aposta no derretimento do filho 01 do ex-presidente diante dos erros cometidos. Até agora, a estratégia não deu certo. Bombou nas redes, mas viu sua rejeição crescer nas pesquisas, que subiu de 29% no levantamento anterior para 34% na pesquisa Nexus, divulgada nesta semana e registrada no TSE sob o código BR-03317/2026. Zema tem 33% de reprovação.


Cidades sem feminicídio

Enquanto Minas ocupa o segundo lugar no ranking nacional de feminicídio, com quase 200 casos no ano passado, 425 municípios do estado (quase 50%) não registram homicídios ou feminicídios. A constatação e a revelação são feitas pelo ex-ministro dos Direitos Humanos Nilmário Miranda (2003/2005) em seu sétimo livro, que será lançado, em BH, no sábado (22). Ele fez o levantamento ao visitar a maioria deles e identificar as razões.

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“O controle desses crimes não está na segurança pública, mas na adoção de políticas públicas, especialmente na educação”, argumenta o ex-ministro. Quando foi secretário da mesma pasta no governo de Minas (2015/2018), premiou 34 municípios por essa conquista. Doze anos depois, revisitou essas cidades e descobriu que o número era maior, chegando a mais de 400. Esses municípios têm de mil habitantes (Serra da Saudade, o menor do país), Capela Nova (4,5 mil) e 10 mil habitantes (Senhora dos Remédios). “Esses municípios desenvolveram uma cultura de paz: não têm fome, morador de rua, homicídios nem feminicídios”, conta ele no livro “O que vem antes da violência”.

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