O futuro do PL, principal partido da extrema direita, na sucessão estadual mineira foi decidido na Papudinha, presídio onde está detido o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpismo. Em um encontro autorizado pela Justiça, o badalado deputado federal Nikolas Ferreira levou a Bolsonaro suas duas condições para permanecer no PL. A primeira é que ele tenha controle sobre as decisões do partido, entre elas, a formação de chapas, e a segunda que a legenda apoie a candidatura a governador de Mateus Simões (PSD). Bolsonaro abençoou as escolhas.

 


Com isso, fica vetada a eventual candidatura a governador do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Ou seja, sem o apoio do PL, sozinho, o partido de Cleitinho é quase um nanico e não tem tempo de TV e rádio no horário gratuito eleitoral suficiente para uma campanha majoritária. Sobre isso, Nikolas decidiu aceitar o conselho crítico de Simões, segundo o qual deve se preparar melhor. É o que ele resolveu fazer, preparar-se para ser tão influente na vida real como na virtual.


O bolsonarista estava incomodado com a direção nacional do PL na definição de candidatos a deputados federais. Mais preocupado em engordar o fundo partidário, o presidente nacional, Valdemar Costa Neto, estava filiando deputados federais de outros partidos. Nikolas não gostou da iniciativa, que atrapalha seus projetos pessoais. Ele quer eleger pelo menos oito deputados federais de sua confiança. Se impedido, poderia trocar de partido e o Novo, de Zema, seria beneficiado.


Nota sobre o tempo: como registrou um analista político mineiro com experiência de mais de 15 eleições, “a sucessão mineira agora passa pela Papudinha”. Antes, a história da política mineira anotava que a sucessão presidencial passava por Minas (leia-se o vetusto Palácio da Liberdade).


Um Simões para 3 candidatos

Simões comemorou o gesto e a aproximação com Nikolas, mas ainda está confuso na sucessão presidencial. Hoje, ele tem três candidatos presidenciais (Zema-Novo, Flávio-PL e um nome de seu partido, o PSD). Se o Novo não vetasse, Zema poderia ser o vice de Flávio. Um dos presidenciáveis do PSD, Eduardo Leite (governador gaúcho), teria dito que se, for candidato a presidente, em Minas, não apoiaria Simões.

 

Pachecômetro fica positivo

O índice que mede as chances de o senador Rodrigo Pacheco (PSD) virar candidato a governador por outro partido subiu nas últimas horas. Ao lado de um prefeito mineiro, após ler a notícia de um jornalista influente, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), ligou, na sexta (20), ao presidente Lula para saber se seu partido já teria candidato a governador em Minas. “Deu bom”, teria dito Lula ao ministro sobre a recente conversa com Pacheco e que só faltariam acertos partidários. Outra fonte adiantou que o senador vai se filiar ao MDB, e não ao União Brasil, partido que estaria no olho do furacão de escândalos, como o do Banco Master. No mesmo dia, o PT mineiro divulgou nota afirmando que não há definição e nada a divulgar,


Déficit: Zema supera Pimentel

A herança “maldita” de Pimentel, cantada em verso e prosa nos últimos sete anos e calculada em R$ 7 bilhões, foi superada pela gestão Zema/Simões (Novo). O déficit será de R$ 11,3 bilhões para o futuro sucessor.

Zema: contra o PT no TCE

Nesta terça (24), o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), deverá registrar sua candidatura de consenso ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Minas. A iniciativa só será possível após a renúncia coletiva de outros sete deputados estaduais candidatos à segunda vaga na cota da Assembleia. Após ser eleito, Tadeu Leite deverá convocar a eleição para a terceira e última vaga, com previsão de votação para a segunda quinzena de março. O governo Zema decidiu ficar fora da disputa, mas, segundo um deputado governista, vai entrar, com força, para barrar a eleição de um petista, no caso, o candidato Ulysses Gomes.

 

Corrupção volta à cena

Em 2006, a corrupção, via mensalão, pautou as eleições presidenciais; em 2010 e 2014, esteve presente com a Lava-Jato. Nas eleições de 2026, o escândalo do banco Master deverá influenciar os desempenhos. Desta vez, a Suprema Corte está sob fogo cruzado, depois de ministros sentarem-se sobre escândalos como a delação da JBS e o esquema do rei do lixo. No caso Master, o modus operandi não funcionou, causando o afastamento da estratégia. Agora, a Polícia Federal fica autorizada a investigar. O assunto virou causa de vida e morte em Brasília.


Mais um mineiro no STJ

O desembargador mineiro Luís Carlos Gambogi é, a partir desta segunda-feira, ministro convocado do STJ pelo presidente da Corte, ministro Herman Benjamin. Ele ocupará a segunda sessão e a quarta turma do tribunal, no lugar do ministro afastado Marco Buzzi, acusado de assédio sexual. Além do saber jurídico, Gambogi tem passagem pelos três poderes. Foi deputado estadual constituinte (1989), secretário estadual de Educação e, agora, desembargador do TJMG. Ficará de um a três no cargo de ministro; em seu lugar, um juiz deverá ser convocado à segunda instância. Buzzi deve ser aposentado e não voltará.

 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Para o lugar definitivo desse, haverá novo processo seletivo cuja decisão final será do presidente da República. Apesar da qualificação e da oportunidade, Gambogi não deverá se candidatar, mas outros mineiros estarão no páreo. Ele será o quinto ministro mineiro na Corte.

compartilhe