Mais orientadoras do que as quantitativas, as pesquisas qualitativas apresentam dados reveladores. O núcleo de apoio à pré-candidatura a governador do vice-governador Mateus Simões (PSD) já sabe que ele tem um problema e que precisa ser trabalhado já. Trata-se da explicação sobre o problema do endividamento de Minas perante a União (governo federal).


A dívida de Minas pulou de R$ 100 bilhões para R$ 200 bilhões no governo Zema, sem novos gastos ou grandes investimentos na saúde, educação, segurança pública e obras rodoviárias. Até então, Zema tinha o discurso pronto culpando a herança do antecessor Fernando Pimentel (PT). Simões não poderá fazer o mesmo porque seu antecessor é o aliado Zema (Novo).


Em sete anos de gestão, a dívida cresceu 100% e o déficit orçamentário é de R$ 5,2 bilhões neste ano (o oitavo do governo Zema/Novo). As narrativas feitas até o momento não apresentaram respostas convincentes e as pesquisas reafirmam que faltam explicações. A oposição também está sabendo disso e vai centrar fogo no assunto. Durante a campanha e administração, a promessa de Zema era sanear as finanças do estado, mas a situação não foi resolvida.


Pesquisas sem fatos novos

Pesquisa eleitoral, nessa época e ante a indefinição do quadro, é um bom negócio para os institutos, mas péssimo para quem se orienta por elas. Abrimos o ano de 2026 como encerramos o de 2025: sem fato novo a ser medido. Os institutos querem fazer crer que mudanças estão acontecendo. Enquanto isso, qualquer nome que tenha um bom recall vai se dando bem. O único dado fora da curva e que chama a atenção é o baixo desempenho de Zema. Ainda assim, ele disse a um aliado que isso dá sorte! O que vai mudar o atual quadro é a comunicação da campanha. Antes disso, ninguém vai performar.

A três meses da eleição, a gente ouvia de vários políticos, 18 meses atrás, que a candidatura do então prefeito de BH e candidato à reeleição, Fuad Noman (PSD), não ia pra frente. Três meses depois, ele foi reeleito. O eleitor reagiu ao que lhe foi oferecido. Hoje, o que sabemos apenas é que o presidente Lula (PT) será candidato à reeleição e que, qualquer candidato que encarnar o antipetismo, vai ser competitivo. Havendo um Bolsonaro de um lado e Lula de outro, o eleitor saberá em quem votar.


Zema perde chance de vice

Romeu Zema (Novo) experimentou dois sentimentos opostos em um período de poucos meses. A primeira foi quando o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), estava pré-candidato a presidente, o convidou para ser seu vice. O mineiro comemorou. Com a mudança brusca do quadro, na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado pré-candidato pelo pai, Tarcísio se recolheu. Agora, sabendo que Flávio não o escolherá, Zema se antecipou e disse que não aceita ser vice de ninguém e que levará sua pré-candidatura a presidente até o fim. O grupo de Flávio avalia que Zema não seria um bom vice pelos resultados frágeis de sua gestão em Minas nos sete anos e um mês de gestão.


TJMG amplia cotas em concursos

Na última quinta, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais iniciou o processo de atualização de suas regras sobre a aplicação de cotas em seu próximo concurso público, que está para ser aberto. A principal mudança é a elevação do percentual mínimo de reserva de vagas de 20% para 30%. Além do benefício para pessoas negras e portadoras de necessidades especiais, haverá cotas para quilombolas e indígenas, com critérios específicos de identificação e mecanismos de confirmação da condição declarada. “Queremos um Poder Judiciário diversificado. Só assim, além de resgatar uma dívida histórica, vamos ter pessoas que vão julgar seus semelhantes com essas perspectivas, seja de gênero, de raça ou de suas origens. O Poder Judiciário se legitima quando se aproxima da sociedade”, pontuou o presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior. A iniciativa está amparada em decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


Reposição salarial no Judiciário

Enquanto o governo Zema ainda finaliza a proposta, já tramita na Assembleia Legislativa o projeto de revisão geral dos servidores do Judiciário. O texto prevê a recomposição salarial de 5,53%, índice correspondente às perdas inflacionárias acumuladas no período de maio de 2024 a abril de 2025, com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A demanda é defendida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância (Sinjus), que conquistou o compromisso da atual gestão do TJMG de enviar o projeto da data-base no respectivo ano (2025).

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Crise interna no Cidadania

O Partido Cidadania assinou nota de repúdio contra a atitude classificada de “autoritária, caudilhesca e antidemocrática” do dirigente nacional e fundador da legenda, Roberto Freire. Para se manter no poder, Freire recorreu ao Judiciário a fim de impedir a realização de reunião extraordinária convocada para destituí-lo. “A judicialização para silenciar a maioria fere princípios democráticos e o espírito republicano do Cidadania. Nenhum dirigente pode se comportar como “dono do partido”. O Cidadania pertence à sua militância e à vontade coletiva”, reagiu o presidente estadual do partido e prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez. A manifestação é acompanhada pela maioria dos membros do diretório nacional.

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