Cristiane Quartaroli, economista do Ouribank, vê queda nos juros no EUA e Europa como positiva para o Brasil -  (crédito: Ouribank/Divulgação)

Cristiane Quartaroli, economista do Ouribank, vê queda nos juros no EUA e Europa como positiva para o Brasil

crédito: Ouribank/Divulgação

 As últimas notícias econômicas confirmam o sentimento de que 2023 está chegando ao fim com um quadro muito melhor do que o que se previa nos primeiros meses do ano. O Brasil termina 2023 superando as economias da Rússia e do Canadá e se colocando como a nona economia do mundo, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) que calcula o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em US$ 2,13 trilhões, contra US$ 2,12 trilhões do Canadá e US$ 2,19 trilhões da Itália, a oitava colocada no ranking. A projeção do FMI considera um crescimento da economia de 3,1% este ano, o que é factível pelo crescimento registrado até agora. No mesmo dia, a agência de risco S & P Global Rating elevou a nota de crédito do Brasil, de BB- para BB com perspectiva estável. Na prática, a S & P iguala sua avaliação em relação ao Brasil à de duas outras agências, Fitch (BB) e da Moody 's (Ba2) , todas dois níveis abaixo do grau de investimento.

A decisão da S & P acrescenta mais um pouco de confiança na economia brasileira, no momento no qual ela pode se beneficiar do cenário que se desenha favorável no mundo e conduzir 2024 para mais um ano de surpresas em relação às previsões de início de ano. Ao apresentar um balanço deste ano e as perspectivas para o próximo, a economista do Ouribank Cristiane Quartaroli lembrou que Estados Unidos e Europa sinalizam para redução das taxas de juros ao longo do próximo ano, enquanto a China deve registrar os efeitos do fim da política de Covid Zero e dos incentivos adotados pelo governo chinês. “A expectativa de políticas monetárias menos contracionistas ao redor do globo em 2024 tende a ser positiva para a economia brasileira.”, diz Cristiane.

Além do cenário externo, o resultado da balança comercial este ano, que deve fechar próxima de um saldo comercial de US$ 91 bilhões, e a volta dos investimentos diretos em 2023, com crescimento no primeiro semestre e retração na segunda metade do ano, favorecem a economia brasileira. Mais dólares entrando no Brasil pressionam a cotação do dólar, que favorece a queda da inflação, na avaliação da economista do Ouribank. Para ela, a taxa de câmbio do próximo ano pode ficar abaixo dos US$ 5,03 previstos hoje. A previsão é de que a inflação fique mais perto da meta no próximo ano, em 3,93%, segundo o boletim Focus do Banco Central, impactando na política monetária.

“A Selic poderá ficar abaixo dos 9.25% projetados para o próximo ano. Desta maneira, o Produto Interno Bruto (PIB) tende a crescer mais do que os 1,51% também projetados pelo mercado”, diz Cristiane. Ela lembra que a ata do Copom divulgada esta semana trouxe um tom mais positivo, mostrando que, embora vá manter os cortes na Selic no ritmo de 0,50 ponto por reunião no ano que vem, enxerga a inflação convergindo para a meta. “O BC entende que os núcleos de inflação estão convergindo para a meta, embora não tenha sinalizado um aumento no ritmo de ajuste da Selic, por conta de riscos do lado fiscal e externos”, observa Cristiane. São esses riscos, inclusive, que ainda pressionam a cotação do dólar frente ao real.

Diferentemente do início de 2023, quando a troca de governo gerou instabilidade assim como o início da inflação elevada provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia se mantinha, o começo de 2024 começa com um grau maior de confiança de empresários e consumidores, sinalizando aumento do consumo e dos investimentos. “Inflação desacelerando, juros mais baixos e melhores taxas de emprego e de renda poderão influenciar no aumento do consumo das famílias; e resultar em expansão mais robusta do setor de Serviços, em 2024, uma vez que essa importante área da economia brasileira apresentou crescimento mais tímido neste ano”, acrescenta a economista do Ouribank.


No vermelho

R$ 8 bilhões foi o saldo negativo dos fundos de investimentos entre 1º e 15 de dezembro, segundo a Anbima

 

Pouco inclusivo


O setor de TI no Brasil tem perfil branco e masculino. Uma pesquisa da IT Forum em parceria com LANDTech mostra que enquanto 63% dos entrevistados consideram que a diversidade impulsiona a inovação. Mas o estudo feito com 437 empresas no Brasil revela que apenas 7% dos funcionários são considerados negros e 11% pardos, equanto que as mulheres são apenas 17%, enquanto os portadores de deficiência são apenas 6%.

 

Cafés do Brasil

As exportações de café brasileiras aumentaram 15,4% em novembro deste ano sobre igual mês de 2022, mas houve queda nos preços, com a receita cambial recuando 10,2% no mês passado, na mesma comparação. No total foram exportadas 4,33 milhões de sacas de 60kg, gerando uma receita cambial de US$ 810 milhões. No ano foram 18,77 milhões de sacas exportadas, alta de 16,2%, e US$ 3,67 bilhões de receita, uma retração de 5,1%.