Marcelo de Assis
Marcelo De Assis
Jornalista, pesquisador musical desde 1984, Marcelo de Assis já escreveu para grandes portais como o Terra, IG e Claro Notícias. Em sua carreira coleciona inúmeras entrevistas com grandes nomes da música nacional e internacional. Ele também é membro do Gr

Terra Celta mistura novos sons em single e mira carreira fora do Brasil

Banda revisita 21 anos de trajetória, fala sobre a parceria com Eric Silver e revela planos de levar sua música a novos públicos

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Há 21 anos, o Terra Celta constrói uma identidade musical sem se prender a fronteiras rígidas. A combinação entre música celta, folk rock e ritmos brasileiros nasceu de um processo espontâneo de experimentação, no qual a banda incorporou referências, abandonou outras e manteve uma regra: a música precisa criar conexão com o público. Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo com “Pé na Estrada”, single que aproxima a banda da sonoridade folk contemporânea.

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A nova faixa também marca o encontro com o produtor norte-americano Eric Silver, profissional com longa experiência entre Nashville e a música brasileira. A parceria trouxe outras possibilidades para os arranjos e ajudou a aproximar o Terra Celta de referências como Mumford & Sons, The Lumineers, Shaboozey e Avicii, sem abandonar a identidade construída ao longo de duas décadas.

Ao Estado de Minas, a banda fala sobre a construção dessa mistura sonora, a experiência de levar seu repertório a cinco edições do Rock in Rio — incluindo Lisboa e Las Vegas — e as diferenças que percebe entre públicos brasileiros e estrangeiros. O Terra Celta também revela os próximos desejos: ampliar a presença internacional e levar sua “opção sonora” a comunidades por meio de projetos sociais.

O Terra Celta construiu, ao longo de 21 anos, uma identidade que mistura música celta, folk rock e ritmos brasileiros. Como essa mistura foi se formando ao longo da carreira?

Da mesma forma que Deus criou um ornitorrinco, risos: “Acho que um bico de pato aqui vai ficar bom... Hmmm, quem sabe um ferrão venenoso...”.

Nunca pensamos em uma fórmula pronta. A gente foi mudando, o som foi mudando, a banda foi mudando, e fomos incorporando coisas e abandonando outras. O que a gente achava legal e meio “fora da caixa”, a gente tentava colocar, e continuamos fazendo isso! A única condição é: precisa envolver o público.

A parceria com Eric Silver acrescenta outra camada a essa fusão, aproximando o trabalho da tradição musical de Nashville. O que o encontro entre essas duas culturas produziu em “Pé na Estrada”?

Queríamos flertar com essa sonoridade folk moderna. Quando procurei o Eric e mandei a música para ele, citamos os mesmos artistas como referência. Aí eu tive certeza de que tínhamos encontrado o cara certo!

Eric tem uma trajetória internacional impressionante e também uma longa relação com a música brasileira. Como foi trabalhar com alguém que transita tão naturalmente entre esses dois universos?

Foi um aprendizado de uma vida. O Eric é um ser humano ímpar, gentil, generoso, extremamente profissional. Faz a gravação ser leve, sabe exatamente como extrair o melhor do processo. Foi incrível!

A música celta chegou ao repertório de vocês e encontrou elementos muito brasileiros. Quais características da música brasileira mais dialogam com essa tradição estrangeira?

Pouca coisa... Talvez algo mais regional, como a música de rabeca ou a música gaúcha. A música brasileira tem uma tendência melódica e harmônica de explorar dissonâncias. Tem algo na melodia que soa brasileiro, tanto no swing como na própria construção melódica.

A música celta é bem diferente. Dificilmente vão existir dissonâncias; existe um padrão melódico bem característico. A harmonia é muito mais simples e exploram-se muitos compassos de 6/8, 9/8 ou 12/8.

Eu sou completamente desligado da música brasileira. Dedico-me 100% à música europeia, celta, francesa, escandinava etc. Já nosso acordeonista é um “chorão”, então isso traz um equilíbrio para criarmos algo onde esses elementos possam se encontrar.

A banda já levou essa mistura para palcos de cinco edições do Rock in Rio, incluindo Lisboa e Las Vegas. Como representar uma sonoridade brasileira em festivais com públicos internacionais?

Óleo de peroba na cara, risos, e muita confiança no trabalho. Foram duas experiências maravilhosas que nos deram um aval da pluralidade do nosso som.

A experiência internacional mudou a maneira como vocês enxergam a própria música e o público brasileiro?

O público brasileiro é muito caloroso, contudo extremamente pobre de uma educação musical. O ensino de um instrumento nos EUA, por exemplo, é obrigatório em todas as escolas. Veja que isso não é para produzir bons músicos, mas sim para formar bons ouvintes, que podem diversificar suas escolhas musicais e aproveitar muito mais um show ou um concerto.

Você observa bandas como Talisk ou Elephant Sessions lá fora fazendo shows instrumentais para 10 mil pessoas, todos pulando e curtindo o show. No nosso cenário, isso é quase uma utopia.

“Pé na Estrada” tem influências de artistas como Mumford & Sons, The Lumineers, Shaboozey e Avicii. Como referências tão diferentes podem coexistir dentro de uma mesma faixa?

Todos eles trazem, com suas diferenças, uma abordagem folk mais moderna. É essa linha que liga a nossa faixa a eles.

Olhando para os próximos anos, existe ainda algum território musical ou cultural que o Terra Celta gostaria de explorar e que ainda não apareceu na trajetória da banda?

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Nossa, muitos... Temos vontade tanto de fazer turnês fora do país como de participar de projetos sociais em comunidades para levar essa “opção sonora” a quem nunca esperava ouvir isso, porque a gente aprendeu a fazer isso de forma divertida, colocando o público para interagir e se conectar conosco.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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