Marcelo de Assis
Marcelo De Assis
Jornalista, pesquisador musical desde 1984, Marcelo de Assis já escreveu para grandes portais como o Terra, IG e Claro Notícias. Em sua carreira coleciona inúmeras entrevistas com grandes nomes da música nacional e internacional. Ele também é membro do Gr

Adonai e Alborosie unem Brasil, Itália e Jamaica em "Originais"

Vocalista do Cidade Verde Sounds e vencedor do MOBO Awards transformam a convivência durante turnê brasileira em parceria inédita, que chega às plataformas em 4 de setembro

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Três países atravessam a história de “Originais”, colaboração inédita entre Adonai e Alborosie que chega às plataformas digitais em 4 de setembro, acompanhada de videoclipe. Produzida por DJ Gustah, da 2050, a faixa conecta o reggae desenvolvido no Brasil à trajetória do artista italiano que se estabeleceu na Jamaica e se tornou um dos nomes internacionais mais reconhecidos do gênero.

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A parceria começou a ganhar forma depois que Adonai, vocalista do Cidade Verde Sounds, e Alborosie dividiram uma turnê pelo Brasil em 2025. A convivência nos palcos e nos bastidores transformou a admiração entre os músicos em uma colaboração construída presencialmente, a partir do contato estabelecido durante a passagem do ítalo-jamaicano pelo país.

Mais do que reunir dois currículos, “Originais” aproxima artistas que encontraram no reggae uma forma de elaborar as próprias identidades. Adonai participou da renovação do gênero no Brasil ao aproximá-lo do rap, do dancehall e da música urbana. Alborosie deixou a Sicília, mudou-se para Kingston e conquistou reconhecimento dentro da cultura jamaicana.

“‘Originais’ é a realização de um sonho. Gravar com alguém como o Alborosie simboliza que estamos fazendo as coisas do jeito certo”

O título da faixa sintetiza a ideia central da parceria. Nesse encontro, originalidade não representa uma tentativa de negar influências ou romper com a tradição. Ela aparece na maneira como cada artista absorveu a história do reggae e a transportou para sua própria realidade cultural.

A produção de DJ Gustah funciona como elo entre essas duas trajetórias. Parceiro histórico de Adonai e integrante da 2050, o produtor desenvolve trabalhos que transitam entre reggae, rap e música urbana. Em “Originais”, ele preserva as identidades dos intérpretes enquanto conduz a música por uma linguagem contemporânea.

Embora seja lançada em nome de Adonai, a faixa não representa uma ruptura com o Cidade Verde Sounds. O cantor desenvolve sua discografia individual paralelamente ao trabalho da banda, da qual permanece como vocalista.

“Apesar da música sair como Adonai, o Cidade Verde continua firme e forte. Neste momento, estou focando um pouco na minha carreira solo, mas a banda continua com sua missão"

A trajetória individual do artista inclui “Reggae Presidente”, lançado em 2011, e o álbum “Quimera”, de 2019. O segundo trabalho reuniu participações de Sizzla, Negra Li, Luccas Carlos e Fábio Brazza, evidenciando a capacidade de Adonai de transitar entre diferentes vertentes da música brasileira e do reggae internacional.

À frente do Cidade Verde Sounds, o cantor ajudou a construir uma das trajetórias mais expressivas do reggae nacional nas últimas décadas. De acordo com os números apresentados pelo projeto, o grupo acumula mais de 60 milhões de reproduções no Spotify, outros 60 milhões de visualizações no YouTube e aproximadamente 240 mil inscritos em seu canal.

A banda ganhou projeção nacional com “Missão de Paz”, lançado em 2013, e consolidou uma sonoridade marcada pelo diálogo entre reggae, rap e realidade urbana. Essa combinação ampliou o alcance do grupo e aproximou o gênero de uma geração também formada pelo hip-hop.

Um dos capítulos mais importantes dessa história aconteceu quando o Cidade Verde Sounds viajou à Jamaica para gravar “In Jamaica” no Tuff Gong Studios, em Kingston. Diretamente ligado ao legado de Bob Marley, o espaço é um dos estúdios mais emblemáticos da história do reggae.

A experiência aprofundou a relação de Adonai com a cultura que orientou sua formação musical. Ao entrar em contato com músicos, produtores e ambientes centrais para o desenvolvimento do gênero, o brasileiro fortaleceu a busca por uma linguagem capaz de reverenciar a tradição jamaicana sem apenas reproduzi-la.

Em 2024, o grupo retomou outro capítulo central de sua discografia no audiovisual “10 Anos de Missão de Paz”. Produzido por Daniel Ganjaman, o projeto apresentou 18 faixas, entre releituras e músicas inéditas, e contou com participações de Planta e Raiz, Rael, Marina Peralta, Fábio Brazza e MC Kako.

Essa bagagem encontra em “Originais” a trajetória de Alberto D’Ascola, nome de nascimento de Alborosie. Nascido na Sicília, o cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista mudou-se para a Jamaica no início dos anos 2000 e construiu sua carreira dentro da cena local.

Canções como “Kingston Town”, “Herbalist”, “Still Blazing” e “Rastafari Anthem” projetaram sua música internacionalmente. Ao longo da carreira, Alborosie também colaborou com nomes como Buju Banton, Chronixx, Beres Hammond, Kabaka Pyramid, Jo Mersa Marley e The Wailers.

Em 2011, ele venceu o MOBO Awards de Melhor Artista de Reggae, reconhecimento que consolidou sua posição entre os principais representantes internacionais do gênero. Sua trajetória se diferencia pela imersão efetiva na cultura jamaicana, onde passou a viver, produzir e desenvolver sua obra.

Para Adonai, gravar com Alborosie representa mais do que acrescentar um nome internacional à discografia. A colaboração aproxima dois artistas que construíram suas carreiras a partir de deslocamentos, intercâmbios e da transformação de referências em identidade.

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Com lançamento marcado para 4 de setembro, “Originais” transforma a conexão iniciada durante a turnê brasileira em um registro definitivo. A faixa também inaugura um novo capítulo internacional na produção solo de Adonai, sem interromper a trajetória que o cantor continua desenvolvendo com o Cidade Verde Sounds.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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