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A relação entre a Medicina Veterinária e os equinos ganha destaque no calendário de setembro. No dia 9, o Brasil celebra o Dia do Médico-Veterinário, profissional que atua na saúde animal, na pesquisa, no controle de zoonoses, na segurança dos alimentos e na proteção ambiental.
Já em 14 de setembro, o Dia do Cavalo é celebrado no Rio Grande do Sul e lembrado por entidades de outras regiões. Presente no trabalho rural, no esporte, na cultura e na equoterapia, o animal mantém uma relação histórica com a sociedade. A paixão pelos cavalos e a curiosidade sobre o funcionamento do sistema nervoso orientaram as principais escolhas profissionais de Izabela Rocha. O encontro entre essas duas áreas levou a brasileira de Minas Gerais a hospitais, laboratórios e centros de pesquisa nos Estados Unidos, onde construiu uma carreira voltada à neurologia equina e ao desenvolvimento de medicamentos veterinários.
Izabela Rocha, médica-veterinária e pesquisadora em medicina equina, formou-se pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em 2016. Em seguida, realizou residência em clínica médica de equinos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre 2017 e 2019. No mesmo ano, mudou-se para os Estados Unidos para cursar doutorado na University of Kentucky, concluído em 2024, e permaneceu na instituição como pesquisadora de pós-doutorado até o início de 2026.
“Desde o início do curso de medicina veterinária, eu tinha duas paixões: cavalos e neurologia”, conta.
A combinação direcionou sua busca por uma formação que aproximasse a prática clínica da investigação de doenças neurológicas capazes de comprometer os movimentos, o equilíbrio, o comportamento e o desempenho dos animais.
A primeira experiência de Izabela nos Estados Unidos aconteceu em 2013, quando estudou na University of Kentucky e estagiou no Rood & Riddle Equine Hospital, em Lexington, cidade reconhecida internacionalmente pela criação e pela medicina de cavalos. A oportunidade permitiu que ela conhecesse estruturas especializadas, diferentes metodologias e pesquisadores que se tornariam importantes para sua formação.
“Construir uma carreira no exterior amplia o contato com novas linhas de pesquisa, tecnologias e profissionais de diferentes países. Ao mesmo tempo, exige domínio do idioma, adaptação cultural, planejamento e persistência. É preciso chegar preparado para aproveitar as oportunidades e construir relações profissionais consistentes”, explica Izabela.
Durante o estágio, ela conheceu o Dr. Steve Reed, referência em neurologia equina e um de seus mentores. Reed a apresentou ao pesquisador Dan Howe, responsável por um laboratório no Departamento de Ciências Veterinárias da University of Kentucky. O contato abriu espaço para sua participação em um projeto sobre mieloencefalite protozoária equina (EPM), doença capaz de provocar fraqueza, falta de coordenação e alterações musculares. Anos depois, ela retornou à instituição para aprofundar os estudos durante o doutorado.
A presença feminina na medicina de grandes animais também envolve desafios particulares. A rotina pode incluir contenção de animais, deslocamentos, plantões e atuação em espaços historicamente masculinos. “Mulheres que escolhem trabalhar com grandes animais ainda podem enfrentar dúvidas sobre sua capacidade física ou técnica. Segurança no manejo, conhecimento e confiança são fundamentais para superar essas barreiras. A competência profissional não pode ser medida apenas pelo porte físico”, pontua.
Para estudantes interessados em trabalhar fora do Brasil, Izabela recomenda que a preparação comece ainda durante a graduação. “Estágios, iniciação científica, participação em grupos de estudo, boas notas, domínio do idioma estrangeiro e contato com bons mentores fazem diferença. Mais importante do que acumular certificados é construir um currículo coerente, no qual as experiências demonstrem interesse verdadeiro e continuidade na área escolhida”, orienta.
Ao longo da carreira acadêmica, Izabela pesquisou diagnóstico, tratamento e patologia da EPM, publicou artigos e ministrou palestras sobre a enfermidade. Em janeiro de 2026, apareceu como primeira autora de um estudo publicado no American Journal of Veterinary Research sobre compostos experimentais com potencial para prevenção e tratamento da doença.
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Atualmente, trabalha como responsável técnica veterinária e pesquisadora clínica na East Tennessee Clinical Research, organização voltada ao desenvolvimento de medicamentos veterinários. “Tudo o que fiz até agora foi muito único, trabalhando com os melhores da minha área”, afirma. A nova função amplia sua atuação científica e preserva o vínculo que conduziu toda a trajetória: transformar a paixão pelos cavalos e pela neurologia em conhecimento aplicado à saúde animal.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
