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Nascida nos Estados Unidos, filha de mãe maranhense e pai mineiro, UNNA X carrega diferentes territórios em sua história. Agora, a cantora transforma os caminhos percorridos, os recomeços e aquilo que ainda pretende conquistar em “juro”, single disponível nas plataformas digitais.
Produzida por Los Brasileros e Gondim, a faixa combina dance e música eletrônica em uma declaração sobre confiança, intenção e movimento. A composição é assinada pela artista ao lado de Chum e Fraga.
Em “juro”, UNNA X estabelece um compromisso consigo mesma. A promessa presente no título não é dirigida a um relacionamento ou a outra pessoa, mas à vida que pretende construir. Em vez de tratar seus desejos como possibilidades distantes, a cantora passa a apresentá-los como decisões que exigem movimento.
A música encerra a sequência de prévias de “era eu que me faltava”, primeiro álbum da artista. Com dez faixas, o projeto acompanha um processo de reconhecimento pessoal no qual a busca por aprovação externa perde espaço para o protagonismo sobre a própria trajetória.
Uma história construída entre Brasil e Estados Unidos
UNNA X nasceu em Long Branch, no estado norte-americano de Nova Jersey. Batizada como Ashley Christina Azevedo de Lima, a artista é filha de mãe maranhense e pai mineiro, possui dupla nacionalidade e viveu nos Estados Unidos durante parte da infância.
Aos 8 anos, mudou-se para o Brasil e precisou enfrentar um processo de adaptação que envolveu também dificuldades com a língua portuguesa. Antes de viver em uma cidade maior, passou um período no interior do Maranhão, onde recebeu aulas particulares e se dedicou ao aprendizado do idioma.
Aos 17 anos, retornou aos Estados Unidos com a família. A música, porém, já começava a ocupar um espaço definitivo em seus planos. Segundo sua mãe, Francisca Azevedo, UNNA X decidiu ainda na adolescência que pretendia seguir carreira artística e começou a registrar suas próprias composições em estúdio aos 19 anos.
Essa trajetória atravessada por mudanças de país, adaptações, despedidas e recomeços ajuda a contextualizar a mensagem de “juro”. Na nova música, imaginar outra realidade não funciona como fuga do presente, mas como o primeiro movimento necessário para transformá-lo.
Manifestação só ganha sentido quando vira atitude
“juro” parte do conceito de manifestação: verbalizar aquilo que se deseja viver e direcionar escolhas para essa construção. A proposta da faixa, entretanto, não se limita à ideia de desejar alguma coisa e esperar que ela aconteça.
Na canção, a palavra funciona como ponto de partida para a ação. UNNA X canta o futuro como se ele já estivesse em movimento e relaciona confiança à responsabilidade de sustentar as próprias escolhas.
A produção de Los Brasileros e Gondim acompanha essa transformação com uma pulsação eletrônica direcionada à pista. A dança aparece como espaço de liberdade e fortalecimento, permitindo que vulnerabilidade e segurança coexistam dentro da mesma narrativa.
UNNA X reconhece que seus planos ainda estão em construção, mas deixa de utilizar as incertezas como justificativa para permanecer parada. A promessa sugerida pelo título se transforma, dessa maneira, em um pacto com aquilo que deseja construir.
“juro” encerra as prévias do primeiro álbum
“juro” ocupa uma posição decisiva em “era eu que me faltava”. Como último lançamento antes da chegada do álbum completo, o single encerra a fase de antecipações e estabelece a postura que deverá conduzir o restante do repertório.
O título do disco resume a principal descoberta apresentada ao longo das músicas. Depois de procurar respostas, aprovação e completude fora de si, a personagem percebe que precisava reconhecer a própria força e ocupar o centro de sua história.
Com dez faixas, o álbum contará ainda com uma participação de Clau. O projeto foi concebido para ultrapassar os limites do áudio e reunir música, identidade visual, moda, produtos e performances dentro do chamado “universo azul” de UNNA X.
A proposta também prevê um desdobramento imersivo nos palcos, conectando as canções aos elementos visuais desenvolvidos para essa etapa da carreira. Música, imagem e performance passam, assim, a integrar uma mesma narrativa artística.
Do “Estrela da Casa” para a construção de uma obra autoral
UNNA X ganhou projeção nacional ao chegar à final da primeira edição do “Estrela da Casa”, exibida pela TV Globo em 2024. Durante o programa, apresentou ao público uma identidade ligada ao pop eletrônico e uma formação atravessada por referências brasileiras e internacionais.
Dois anos depois do reality, a cantora direciona sua carreira para a consolidação de uma obra autoral independente da experiência televisiva. A passagem pelo programa permanece como uma etapa importante de sua trajetória, mas o primeiro álbum assume a missão de mostrar quem a artista se tornou depois daquela exposição.
Nesse processo, “juro” funciona como uma ligação entre passado e futuro. A infância dividida entre países, as raízes familiares brasileiras, a decisão de seguir carreira musical e a projeção conquistada na televisão convergem para uma música sobre assumir responsabilidade pelo próximo passo.
Raízes e recomeços apontam para uma nova fase
A história de UNNA X sempre esteve relacionada a deslocamentos. Dos Estados Unidos ao Maranhão, do aprendizado de um novo idioma ao retorno à América do Norte, diferentes fases de sua formação exigiram adaptação e reconstrução.
Essa experiência ganha outro significado em “juro”. Se anteriormente as mudanças eram determinadas pelas circunstâncias ao seu redor, agora a cantora procura assumir o controle sobre aquelas que deseja provocar.
É justamente essa inversão que aproxima a biografia da artista do conceito de seu primeiro álbum. “era eu que me faltava” sugere que o próximo destino não depende apenas de encontrar um novo lugar, uma oportunidade ou a aprovação de outras pessoas, mas de reconhecer a própria capacidade de escolher.
Em “juro”, as raízes familiares, as mudanças entre Brasil e Estados Unidos e o desejo de construir o próprio caminho encontram um mesmo ponto de chegada. O futuro ainda está em formação, mas UNNA X já decidiu confiar nele o suficiente para começar a vivê-lo.
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