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A premissa de que abrir-se para o novo pode transformar trajetórias dá o tom de A Última Música, nova minissérie em três episódios que estreou no dia 30 de julho no canal da Bera Play no YouTube. Protagonizada pela atriz Bella Zafira, que interpreta a marcante personagem Adriana, ao lado de Mafe Siqueira (Fabiana), a produção deriva do universo da série O que não falamos, também produzida pela produtora.
Com uma atuação pautada pela sensibilidade e entrega ao ofício, a atriz conduz uma narrativa afetuosa sobre vulnerabilidade, recomeços e as escolhas amorosas que moldam os caminhos do público.
Na trama, a personagem de Bella é uma vocalista de banda de rock que carrega uma intensidade única e uma leveza apaixonante. Ao surgir na vida de Fabiana (Mafe Siqueira), a personagem promove uma virada libertadora que reflete sobre como nossas escolhas diárias - amorosas ou não - podem abrir caminhos ou nos aprisionar em velhas insatisfações.
A construção do papel exigiu de Bella Zafira um mergulho nos ritmos internos de uma artista, explorando o contraste entre a expansão dos palcos e a intimidade dos afetos guardados em silêncio. Com isso, a narrativa destaca a potência dos novos encontros, que vão se revelando à medida que se abre espaço para a vulnerabilidade necessária para amar e ser amado.
“Adriana chega com intensidade e é sempre muito honesta com os seus sentimentos, faz piada com seus excessos e sabe a hora de ir embora quando algo já não lhe cabe mais. Penso que a força dela acaba atravessando e impulsionando na mesma direção as pessoas com quem ela se relaciona. Saber o que se deseja e o espaço em que se quer estar pode assustar, mas também encher de cores os espaços antes opacos”, reflete Bella.
Para além do entretenimento, A Última Música, com direção de Mariana Berardinelli, carrega uma camada fundamental de representatividade ao colocar o amor entre mulheres no centro do debate, sob o olhar e a escrita de realizadoras femininas. Em um cenário histórico marcado pelo apagamento dessas narrativas, a obra se posiciona como um manifesto de afeto e presença. Bella ressalta a importância social e poética de narrativas como essa:
“Penso que todas as séries sáficas são atuais e necessárias pela defasagem histórica que temos de narrativas de mulheres amando outras mulheres. Principalmente quando escritas e produzidas por mulheres”, declara.
A chegada de Bella Zafira ao projeto reflete o reconhecimento de seu talento no mercado independente. A oportunidade surgiu sem a necessidade de testes, fruto de um convite direto da diretora Mariana Berardinelli por indicação da cineasta Lela Gomes — com quem Bella havia trabalhado anteriormente no projeto NINA, spin off do sucesso Depois da Meia Noite, da Boleia Produções.
“Quando eu recebi o convite, eu saltava na academia como se tivesse ganho na loteria (risos). Nina foi meu primeiro papel no audiovisual e com ele sempre vem as milhares de inseguranças das quais eu nunca imaginei a possibilidade de ser indicada para um outro trabalho. Mas fui! Eu e Mariana nos encontramos online no mesmo dia, acertamos todos os pontos e eu entrei para um especial de natal do O que não falamos (2025) e dele nasceu uma história muito interessante entre a minha personagem Adriana e a Fabiana, encenada pela Mafe Siqueira, que deu vida a essa nova série A última música”, conta a artista.
O clima nos bastidores e a sintonia rápida entre o elenco e a equipe reduzida garantiram uma química fluida em cena, construída com diálogo, escuta e respeito aos limites na gravação das cenas de maior intimidade com Mafe Siqueira.
"E eu e a Mafe Siqueira nos amamos desde o primeiro encontro que fizemos no ano passado. Somos muito parecidas nos gostos de leituras, cafés e desejos de vida e isso já nos uniu de primeira. Depois fomos construindo a relação das nossas personagens com muitas conversas, trocas profundas, exercícios de intimidades e assim foi nascendo a nossa química enquanto casal pra série"
Amadurecimento artístico
Este trabalho marca um divisor de águas na carreira da atriz, que enxerga na produção o seu próprio amadurecimento diante das câmeras. Ela revela que o impacto desse projeto em sua trajetória é imensurável. Dedicada a cada detalhe na construção da personagem, a atriz vivenciou o sentimento palpável de evolução profissional. Para ela, foi possível perceber o próprio crescimento, o fortalecimento de suas ferramentas em cena e a presença do prazer superando o nervosismo diante das câmeras.
Além dessa virada pessoal, a artista destaca o orgulho pelo progresso coletivo, lembrando o empenho de toda a equipe para entregar um grande trabalho mesmo em uma produção menor e com tempo reduzido. Para Bella, crescer junto com o grupo em meio a essa entrega foi a manifestação da arte em sua forma mais pura.
Com o sentimento de dever cumprido e a expectativa lá no alto, a atriz aguarda a recepção do público para esta obra que equilibra caos, poesia e delicadeza. A torcida é para que a história de Adriana e Fabiana emocione e inspire quem assistir, mostrando que a arte é capaz de suspender a dureza do cotidiano e abrir espaço para novos mundos. Como sintetiza a própria atriz sobre o que o público pode esperar do projeto:
“Uma dose de caos e outra de poesia. Uma dose de delicadeza e outra de safadeza. A história conta as pequenezas transformadoras dos encontros. Desde a intimidade que se pode alcançar ao cozinhar com alguém até a tormenta bagunça que a dualidade da vida pode gerar”, finaliza a artista.
Sobre a artista
Bella Zafira é atriz e psicóloga, uma combinação que reflete sua profunda paixão pela troca humana e pela complexidade das relações. Formada pela CAL e pelo Nu Espaço, busca o aperfeiçoamento constante, estando atualmente em treinamento com o Laboratório de Atores.
Transitando com facilidade entre o palco e as telas, traz no currículo trabalhos marcantes e diversos, como a peça Quando as Máquinas Param, de Plínio Marcos e dirigida por Heitor Martinez, como também as webséries Finalmente a Sós? e Nina, Spin-off de Depois da Meia-Noite.
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