Marcelo de Assis
Marcelo De Assis
Jornalista, pesquisador musical desde 1984, Marcelo de Assis já escreveu para grandes portais como o Terra, IG e Claro Notícias. Em sua carreira coleciona inúmeras entrevistas com grandes nomes da música nacional e internacional. Ele também é membro do Gr

Chinela Voadora transforma brasilidade urbana no 'Ao Vivo na Chacrinha'

Grupo mistura samba, groove, afrobeat e poesia das grandes cidades em trabalho gravado ao vivo

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A relação entre tradição e contemporaneidade sempre esteve no centro da música brasileira. É justamente nesse encontro que a Chinela Voadora constrói sua identidade. Agora, a banda apresenta o audiovisual Ao Vivo na Chacrinha, projeto gravado em São Paulo que traduz em imagem, som e performance a força artística desenvolvida pelo grupo ao longo dos últimos anos.

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Mais do que registrar um show, o trabalho propõe uma experiência sensorial construída a partir da mistura entre samba, groove, afrobeat, MPB, música afro-brasileira e referências urbanas que atravessam a trajetória da banda. O resultado é um audiovisual marcado pela presença dos metais, pelas camadas percussivas e pela energia coletiva que se tornou uma das principais características do grupo nos palcos.

Gravado em formato ao vivo, o projeto revisita as faixas do álbum homônimo lançado neste ano sob uma nova perspectiva estética. A proposta foi preservar a espontaneidade da apresentação, valorizando a troca entre músicos, público e espaço cênico. A escolha da Chacrinha como cenário reforça essa sensação de proximidade, criando uma atmosfera intimista sem perder a intensidade da performance.

"A gente queria registrar exatamente o que acontece quando a banda sobe ao palco: essa troca intensa, coletiva e muito brasileira. O audiovisual nasce desse desejo de eternizar a energia do encontro", afirma a vocalista Natalia Koike.

Ao longo do registro, a banda evidencia uma sonoridade que dialoga diretamente com diferentes matrizes da música brasileira, mas sem abrir mão de uma linguagem contemporânea. Em vez de reproduzir fórmulas tradicionais, o grupo utiliza essas referências para construir uma estética própria, marcada pela fusão de ritmos, pela força dos arranjos e pela presença performática.

"Existe uma liberdade muito grande na forma como misturamos ritmos, referências e sentimentos. Esse trabalho mostra a nossa essência sem filtros", completa Natalia.

Essa combinação de elementos vem sendo construída desde a formação da banda, em 2017. Ao longo da trajetória, a Chinela Voadora passou a ocupar espaço dentro da cena independente ao desenvolver uma proposta que conecta samba, soul, funk, rap, afrobeat e influências latino-americanas através de uma abordagem urbana e contemporânea.

Em 2023, o grupo lançou o álbum Samba Urbano, trabalho que transformou o cotidiano das grandes cidades em matéria-prima para suas composições. O disco foi apresentado internacionalmente durante o festival Jazz A La Calle, no Uruguai, ampliando o alcance do projeto para além do circuito nacional.

Já em 2024, a banda mergulhou nas raízes da música brasileira com Gafieira Voadora – Ao Vivo, álbum que homenageou nomes como Arlindo Cruz, Alcione, Clara Nunes, Jorge Aragão e Benito Di Paula. O projeto reafirmou a conexão do grupo com a tradição do samba ao mesmo tempo em que reforçou sua capacidade de reinterpretar essas referências sob uma nova ótica.

Para o músico e diretor musical Marcos Braga, o novo audiovisual sintetiza a essência construída pela banda ao longo dessa trajetória: "A Chinela Voadora nasce da mistura. Tem samba, tem groove, tem rua, tem festa e também reflexão. A gente acredita muito nessa música feita em conjunto, no calor humano do palco", explica.

Em Ao Vivo na Chacrinha, essa proposta ganha dimensão visual através de uma direção que valoriza os movimentos de cena, a interação entre os músicos e a força coletiva da apresentação. A iluminação, os enquadramentos e a dinâmica construída durante a gravação ampliam a sensação de presença, aproximando o espectador da experiência vivida dentro do espaço.

O resultado é um trabalho que reforça uma característica cada vez mais evidente dentro da nova música brasileira: a busca por projetos que não se limitam à canção, mas que transformam som, imagem e performance em uma narrativa única. Nesse contexto, a Chinela Voadora utiliza sua brasilidade não como nostalgia, mas como matéria viva para construir algo contemporâneo, urbano e conectado com o presente.

O audiovisual foi gravado na Chacrinha, em São Paulo, com produção da Nacho Produções. A produção musical reúne Marcos Braga, Tatá Brasilina e Danilo Ferreira. A formação da banda conta com Natalia Koike (voz), Zeus Brito (guitarras), JP Bass (contrabaixo), Ricardo Teles (bateria), Tatá Brasilina (percussões), Joab Estevão (saxofone), Marcos Braga (trompete) e Evandro Bezerra (trombone).

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