Marcelo de Assis
Marcelo De Assis
Jornalista, pesquisador musical desde 1984, Marcelo de Assis já escreveu para grandes portais como o Terra, IG e Claro Notícias. Em sua carreira coleciona inúmeras entrevistas com grandes nomes da música nacional e internacional. Ele também é membro do Gr

IA na música: qual é o segredo que ameaça bilhões?

IA generativa ameaça bilhões das gravadoras e pode mudar como artistas ganham dinheiro no streaming global

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Existe uma conversa silenciosa acontecendo nos bastidores da música que vale bilhões.

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A ascensão da inteligência artificial não está só mudando como as músicas são feitas. Ela está mexendo diretamente no bolso das gigantes Universal Music, Sony Music e Warner Music. E aqui entra o ponto central: o valor dessas empresas pode mudar drasticamente.

Para entender isso, precisamos começar pelo valuation. Esse termo significa quanto uma empresa vale no mercado, como se fosse o preço total dela. Hoje, esse valor é sustentado principalmente pelos catálogos musicais. Ou seja, pelas músicas que essas empresas possuem e que geram dinheiro todos os dias.

Essas músicas funcionam como um aluguel. É aqui que entram os royalties. Sempre que uma música toca no Spotify ou em outra plataforma, o artista e a gravadora recebem uma pequena quantia. Multiplique isso por bilhões de reproduções e você entende por que esses catálogos valem tanto dinheiro.

O problema começa quando a IA entra no jogo. Se um algoritmo consegue criar músicas no estilo de artistas famosos, sem pagar nada por isso, o sistema começa a perder valor. É como se alguém construísse casas idênticas às suas e colocasse para alugar de graça. Isso afeta diretamente o market share, que é a fatia de mercado que cada artista ou empresa possui.

Outro ponto importante é o EBITDA. Apesar do nome complicado, ele mostra o lucro gerado pela empresa com sua operação principal. No caso das gravadoras, isso vem dos direitos musicais. Se a IA reduzir a necessidade de pagar por músicas reais, esse lucro pode cair.

Hoje, o market cap dessas empresas, que é o valor total delas na bolsa, depende dessa exclusividade. Mas a IA cria um cenário onde músicas podem ser replicadas, adaptadas ou até substituídas. Isso gera um risco que investidores já estão começando a observar com atenção.

Existe também o conceito de free cash flow, que é o dinheiro que sobra no caixa depois de pagar todas as despesas. Esse valor é essencial porque mostra o quanto a empresa realmente pode distribuir para investidores ou reinvestir. Se os royalties diminuírem, esse fluxo de caixa também pode cair.

Por outro lado, há um cenário oposto que também chama atenção. Se as gravadoras começarem a usar a IA para criar seus próprios artistas virtuais, elas podem reduzir custos. Isso porque não precisariam dividir lucros com humanos. Nesse caso, o EBITDA poderia até aumentar.

Mas essa estratégia é arriscada. A música sempre foi baseada em conexão emocional. Se o público rejeitar conteúdos criados por máquinas, o valor da marca pode cair. E isso impacta diretamente o valuation.

No lado das plataformas, como o Spotify, a lógica é diferente. Se a empresa usar IA para preencher playlists, ela pode pagar menos às gravadoras. Isso melhora sua margem líquida, que é o lucro final depois de todos os custos. Para investidores do streaming, isso é positivo. Para as gravadoras, é um alerta.

Outro indicador afetado é o LTV, que representa o valor que um usuário gera ao longo do tempo. Se esse usuário começa a ouvir músicas geradas por IA, o dinheiro deixa de ir para artistas reais e passa a circular dentro das próprias plataformas.

No fim das contas, estamos diante de uma mudança estrutural. A música sempre conseguiu se reinventar, seja na era do vinil, do CD ou do streaming. Mas a IA traz algo novo: a possibilidade de criar conteúdo infinito a custo quase zero.

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Para quem observa o dinheiro por trás da música, a pergunta não é mais se a IA vai dominar. A questão é quem vai conseguir transformar essa tecnologia em lucro sem destruir o valor do que já existe. Porque, no final, o jogo não é sobre hits. É sobre bilhões.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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