Há líderes que comandam equipes, negociam milhões e tomam decisões difíceis, mas se tornam quase irreconhecíveis quando precisam falar em público sobre si mesmos. No LinkedIn, exibem cargos, resultados e credenciais. O que desaparece é justamente aquilo que permite compreender quem está por trás do profissional.

Foi observando esse contraste que Mariana Souza chegou a uma conclusão. Ela, que é conhecida como a Rainha do LinkedIn, diz que muitas vezes o problema não é falta de assunto, é medo de se expor. Profissionais experientes chegam com repertório, mas resistem quando a conversa se aproxima de valores, dúvidas ou aprendizados. O receio é parecer menos sério.

Por muito tempo, a cultura corporativa tratou a distância como sinal de autoridade. Mas essa lógica perde força em espaços nos quais confiança também é construída pela forma como alguém pensa e se posiciona. No livro “The Human Brand”, Chris Malone e Susan T. Fiske trabalham com duas dimensões da percepção social - calor humano e competência -, e mostram que confiança e admiração se fortalecem quando ambas aparecem juntas. “Proximidade não precisa custar credibilidade. ”

É nesse ponto que começa o trabalho de Mariana. A escuta vem antes do conteúdo. Ela procura entender quais decisões transformaram aquele profissional, que erros mudaram sua forma de liderar, quais valores sustentam suas escolhas e o que existe em sua experiência que um currículo não registra. Não se trata de expor intimidades, mas de reconhecer material humano com relevância profissional.

Autenticidade não é contar tudo, é não precisar inventar um personagem. Mariana já ajudou centenas de líderes a crescer no LinkedIn. Ela costuma dizer que uma experiência pessoal só merece espaço público quando ajuda a compreender como aquela pessoa pensa, decide, aprende ou lidera; fora disso, pertence à vida privada. O critério protege a dignidade de quem se expõe e a inteligência de quem lê.

Humanizar não significa trocar conteúdo técnico por confissões nem transformar o LinkedIn em diário aberto. Significa dar contexto à competência. Uma decisão difícil pode revelar discernimento; um erro, maturidade; uma mudança de opinião, capacidade de escuta. Uma experiência real pode dizer mais sobre liderança do que fórmulas corporativas.

Por isso, Mariana trabalha com comunicação, não com exposição. Antes de publicar, a pergunta deixa de ser “isso vai engajar?” e passa a ser “isso diz algo verdadeiro e relevante sobre quem está falando?”. Quando a busca deixa de ser por aprovação e passa a ser pelos valores que o profissional defende, o conteúdo deixa de funcionar como vitrine e se torna extensão do pensamento.

É preciso compreender que ser reservado não significa desaparecer da própria comunicação. A velha máxima de que “meu trabalho fala por mim” parte de uma suposição confortável: a de que o mercado verá e interpretará corretamente tudo o que alguém construiu ao longo da carreira. Nem sempre acontece.

Quando uma liderança não participa da construção de sua imagem pública, outras referências preenchem o vazio: o cargo, a empresa, a percepção dos outros ou simplesmente o silêncio. E o silêncio, embora pareça neutro, também produz uma leitura.

A questão não é publicar mais. É tornar legível aquilo que já existe. Ideias, critérios e experiências precisam aparecer de forma reconhecível para que o mercado consiga associá-los a uma pessoa real, não apenas a uma função.

A competência continua indispensável, mas a confiança não nasce dela sozinha. Ela se constrói na coerência entre o que alguém entrega, sustenta e escolhe revelar e é essa coerência que permanece na memória quando chega a hora de uma decisão. Diante de uma parceria, uma indicação, uma contratação ou uma crise, ninguém recorre apenas a currículos; recorre também à lembrança de quem, ao longo do tempo, demonstrou clareza, consistência e humanidade.

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É aí que a comunicação ganha consequência; quando alguém precisar decidir em quem confiar, o seu nome virá à memória pelo cargo que você ocupa ou pela pessoa que aprenderam a reconhecer por trás desse cargo?

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