Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
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Jordana, o que a maternidade ensina sobre o comando?

Ao falar sobre maternidade, a comandante Jordana não cai em frases prontas. Para ela, ser mãe é "a forma mais elevada de doação e compromisso"

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Há cargos que dão visibilidade. Há histórias que dão sentido. A comandante Jordana reúne os dois: ocupa um posto histórico, mas é na forma como compreende a vida que sua trajetória ganha profundidade. No seu caso, comandar não parece ser apenas decidir, orientar e responder. Comandar também é cuidar: entender que por trás de cada missão existem pessoas, famílias, medos e histórias.

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De acordo com o registro oficial do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), a coronel BM Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan está à frente do comando-geral desde 1º de fevereiro de 2025; no dia 4, foi a passagem de comando. 

Ao assumir a função, tornou-se a primeira mulher a ocupar o posto máximo do CBMMG, uma corporação com mais de um século de história. O dado é forte. Mas o que mais impressiona não é apenas a mulher que chegou ao comando. É a mulher que chegou até lá sem deixar de reconhecer quem a representa.

Casada com Fábio Daldegan e mãe de João Luiz e Vitor Lucas, Jordana tem na família um eixo afetivo essencial. Mas faz questão de colocar a fé antes de tudo: Deus vem em primeiro lugar. Para ela, é Deus quem dá força, direção e sentido à caminhada. A família é a base; a fé é a sustentação maior quando a missão exige firmeza, serenidade e coragem.

Ao falar sobre maternidade, a comandante Jordana não cai em frases prontas. Para ela, ser mãe é “a forma mais elevada de doação e compromisso”. Há, nessa definição, uma chave para compreender sua liderança. Maternidade, em sua visão, não é apenas afeto. É formação, responsabilidade e amor que protege, mas que também prepara.

A própria comandante reconhece que existe uma Jordana antes e outra depois dos filhos. A maternidade refinou sua visão estratégica, ampliou sua empatia e a tornou mais atenta à dimensão humana da tropa. Ser mãe não enfraqueceu sua autoridade; deu a ela outra profundidade. Em Jordana, firmeza e sensibilidade não competem. Elas se completam.

Na vida militar, o exemplo é um pilar. Na maternidade, também. Filhos observam mais do que ouvem. Tropas também. E Jordana parece compreender que nenhuma autoridade se sustenta apenas pela voz ou pela patente. Autoridade verdadeira nasce da coerência: da forma como se decide, se serve, se educa e se permanece inteira diante das pressões.

Por isso, quando fala sobre conciliar maternidade e comando, ela não escolhe a palavra equilíbrio. Equilíbrio sugere uma conta perfeita, como se fosse possível dividir a vida em partes iguais. Harmonizar é mais real. Há dias em que a missão profissional exige foco absoluto. Há momentos em que a presença na família se torna inegociável. Entre uma coisa e outra, Jordana aponta um caminho possível: tempo de qualidade, rede de apoio, propósito claro e menos culpa.

Essa palavra, culpa, atravessa silenciosamente a vida de muitas mães: culpa por trabalhar, por chegar cansada, por querer crescer, por sonhar alto. A resposta da Comandante Jordana é uma das frases mais fortes de sua entrevista: transformar a culpa em legado. Não se trata de negar ausências ou romantizar sobrecargas. Trata-se de compreender que filhos de mulheres realizadas e dedicadas ao bem comum também aprendem pelo exemplo.

Como comandante, Jordana conhece a cobrança por precisão; como mãe, conhece a sombra da perfeição. Mas aprendeu que não é preciso dar conta de tudo para ser digna de admiração: é preciso caminhar com verdade, responsabilidade e propósito. No fim, talvez seja isso que a maternidade ensina sobre o comando: liderar não é apenas estar à frente, mas cuidar do que foi confiado, entendendo que coragem não é ausência de medo, e sim a decisão de proteger o que se ama.

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A comandante Jordana nos lembra que a maternidade não diminui uma mulher. Muitas vezes, revela a força que sempre esteve ali. E talvez seu maior legado seja este: mostrar que o comando mais admirável não é o que apenas impõe respeito, mas o que inspira outras mulheres a se levantarem, com Deus à frente, sem culpa, sem medo e sem abrir mão de quem são.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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