Uma cena comum e considerada perigosa é quando as notificações do banco chegam. Isso faz o coração acelerar. De repente, o que era “só dinheiro” pesa no ambiente, endurece o tom de voz e vira silêncio e, dentro de casa, o silêncio costuma cobrar juros altos. Essa falta de comunicação desgasta o orçamento e também o vínculo.
A maioria dos casais não se separa por falta de amor. Se separa por acúmulo de tensão, de medo, de decisões adiadas, de conversas interrompidas. O dinheiro só aparece como o “tema do dia”, mas o que ele realmente expõe é a falta de direção do casal.
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É aqui que entra a importância do planejamento financeiro, não como planilha fria, mas como um pacto de proteção do vínculo. Porque, quando o casal sabe para onde está indo, o orçamento deixa de ser um campo de batalha e vira um mapa para um futuro mais próspero e tranquilo.
O dinheiro não entra sozinho no casamento
Sayonara Borjaile, administradora, com MBA em finanças e controladoria, palestrante em educação financeira e especialista em planejamento financeiro pessoal e familiar, conhece esse cenário na própria pele. Passou de endividada a investidora e, há mais de duas décadas, ensina famílias a construir hábitos financeiros saudáveis.
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Na prática, ela resume o efeito do planejamento no relacionamento: “Ele cria clareza, segurança e equilíbrio". Segundo ela, quando o casal define junto como lidar com o que entra e sai, diminui a sensação de incerteza.
Sayonara, casada há 18 anos, tem dois filhos e conta que, quando o casal está alinhado, o crescimento financeiro do lar acontece de uma forma leve, sem cobranças, mas com propósitos claros e, consequentemente, a construção da liberdade financeira se acelera.
Planejamento é futuro em forma de acordo
No livro "Casais inteligentes enriquecem juntos", Gustavo Cerbasi derruba um mito que atrasa muita gente: planejar não é “parar de viver”. É aprender a viver sem susto. Ele escreve que “o planejamento financeiro tem um objetivo muito maior do que simplesmente não ficar no vermelho” e completa com uma frase que vale como linha-mestra para qualquer casal: “Mais importante do que conquistar um padrão de vida é mantê-lo”.
Planejamento que vira fardo não dura. O controle não pode ser complexo. Se toma tempo demais, o casal abandona, ou seja, planejamento bom é o que cabe na vida.
Na mesma direção, ele traz uma provocação que desarma a comparação que tantos casais fazem: “A sua riqueza não depende do que vocês ganham, mas sim de como gastam”.
E isso conversa diretamente com a prática de Sayonara, quando ela lembra que o problema raramente está no dinheiro. O primeiro passo é o casal sentar e ter uma conversa franca e aberta, colocando tudo na mesa: quanto cada um ganha, quais despesas cada um tem, se há dívidas, quais expectativas e quais sonhos.
"Para quem já é casado, essa conversa é reparo estrutural. Para quem vai casar, é fundação”, explica a especialista.
Um passo simples para começar ainda esta semana
Reservem 30 minutos e respondam juntos a três perguntas:
• Quanto entra e quanto sai, de verdade?
• Qual é a meta do casal para os próximos 12 meses?
• Qual acordo vai evitar atrito (limites, responsabilidades e transparência)?
Se você é casado, pense no planejamento como um recomeço das combinações. Se você quer se casar, pense como maturidade afetiva: amor é sentimento; lar é construção.
Um casal que tem plano não vive em pânico. Mantém conversa e segue a rota. E, quando a vida aperta, os dois se unem para resolver o problema.
Comecem pequeno, mas com verdade. Assim, vocês ganham clareza e segurança, e um passa a saber que pode contar com o outro. Marquem a primeira reunião financeira ainda esta semana. Porque preparação financeira, no fim, é uma forma prática de dizer: “Eu escolho você também no futuro”.
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