Produtividade, foco, clareza mental e qualidade na tomada de decisão fazem parte do vocabulário cotidiano de quem lidera negócios. Empresários sabem que decisões ruins custam caro e que desempenho consistente não nasce apenas de estratégia, mas da capacidade de sustentar energia ao longo do tempo. O que poucos consideram é que parte dessa performance não começa no cérebro. Começa no intestino. E essa constatação muda mais do que parece.
A neurociência demonstra que o intestino, além de órgão digestivo, abriga um sistema nervoso próprio, o sistema nervoso entérico, formado por milhões de neurônios capazes de operar de forma autônoma. Não se trata de figura de linguagem. É um centro de regulação biológica, descentralizado e contínuo, que atua para manter o corpo funcional. Por isso, pesquisadores passaram a chamá-lo de “segundo cérebro”.
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Esse sistema utiliza os mesmos mensageiros químicos do cérebro, localizado na cabeça. Entre eles, a serotonina ocupa um papel central. Associada ao humor, à estabilidade emocional, à disposição e à clareza mental, a serotonina é produzida em grande parte no intestino. Quando esse sistema perde ritmo, o impacto não é apenas físico. Surgem sinais como irritabilidade, cansaço persistente, dificuldade de concentração e decisões tomadas sob maior desgaste mental. O intestino não pensa, mas regula o ambiente interno no qual o cérebro precisa funcionar.
A medicina que estuda essa relação, a neurogastroenterologia, mostra que a comunicação entre intestino e cérebro é constante e bidirecional. Ritmo corporal, sono, resposta ao estresse e sensação geral de bem-estar são modulados por essa via. Em termos práticos, não se trata de motivação ou força de vontade, mas de custo biológico da performance. Um sistema sobrecarregado cobra juros.
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É nesse ponto que um tema frequentemente ignorado ganha relevância: as fezes. Longe de serem um tabu, elas funcionam como um relatório operacional do corpo. Tempo de trânsito intestinal, formato e consistência oferecem pistas evidentes sobre ritmo biológico, absorção de nutrientes e funcionamento do sistema como um todo. Ignorar esses sinais pode gerar consequências ao longo do tempo.
Na prática clínica, essa leitura se torna ainda mais evidente. Segundo a nutricionista Camila Laiza Silva de Oliveira, especialista em nutrição comportamental com foco no cuidado integral do paciente, “as fezes revelam como está a digestão, a absorção de nutrientes, a ingestão de fibras, a hidratação e até o equilíbrio da microbiota intestinal”.
Fezes muito ressecadas, explica, costumam indicar baixa ingestão de água e fibras, enquanto fezes muito amolecidas ou com odor forte podem sinalizar excesso de ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade.
Camila chama atenção para um padrão comum no mundo executivo, o problema pode ser por conta da rotina acelerada, dormir pouco, estresse e distanciamento da comida de verdade formam um conjunto que compromete o funcionamento intestinal. O impacto aparece no corpo e na capacidade de manter clareza mental e constância nas decisões ao longo do dia.
“O intestino é a base de tudo. Quando ele não está bem, nada funciona direito”, afirma. Cuidar desse sistema não é aderir a dietas da moda, mas ajustar rotinas, respeitar horários, incluir fibras, hidratar-se adequadamente e reduzir o desgaste crônico. Quando o intestino recupera seu ritmo, o cérebro responde com maior estabilidade nas tomadas de decisões.
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Em um ambiente de negócios cada vez mais exigente, a produtividade deixou de ser apenas velocidade; ela exige sustentar boas decisões, raciocínio claro e energia mental ao longo do tempo. As fezes enviam sinais objetivos sobre como o corpo está funcionando e, ignorá-las não é a solução, apenas adia problemas. Líderes que compreendem isso deixam de trabalhar contra si mesmos e passam a construir resultados que realmente duram.
