Entre São Francisco e as urnas, precisamos reaprender a discordar
Em tempos de polarização, respeitar o voto e conviver com quem pensa diferente talvez sejam algumas das lições mais importantes da maturidade
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Escrevo este texto em 4 de outubro, Dia de São Francisco de Assis. Para mim, que me chamo Francisco e tenho nele meu padroeiro, a data já seria especial. Mas quis o calendário que, neste ano, o dia de São Francisco coincidisse com o dia em que milhões de brasileiros foram às urnas escolher seus representantes.
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Talvez essa coincidência não pudesse ter acontecido em momento mais oportuno.
Poucas vezes vi uma eleição expor tanto antagonismo. Amigos discutem, famílias se dividem, relações se desfazem. Nas redes sociais, quem pensa diferente deixou muitas vezes de ser adversário político para ser tratado como inimigo.
Foi impossível não me lembrar da oração atribuída a São Francisco:
“Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.”
Não sei se precisamos concordar mais. Talvez precisemos aprender novamente a discordar.
O problema começa quando a divergência de ideias se transforma em confronto entre pessoas. Política envolve poder, interesses, alianças e contradições. O que não faz sentido é perder um irmão, um filho, um amigo de décadas ou a paz dentro de casa por políticos que provavelmente nem sabem que existimos.
E aqui cabe uma provocação: em política, não há santos de um lado e pecadores do outro.
A eleição presidencial não terminou neste domingo. Lula e Flávio Bolsonaro voltarão às urnas no dia 25 de outubro. Serão mais três semanas de campanha, embates e divergências. Um vencerá e o outro perderá. Podemos discordar, criticar e fiscalizar, mas democracia é também respeitar o voto. Não vale defendê-la apenas quando vence o nosso candidato. Qualquer que seja o vencedor, o que deve nos unir é o desejo de que o país dê certo.
Talvez a maturidade devesse nos ensinar justamente isso: conviver com quem pensa diferente sem transformar divergência em inimizade. Afinal, no dia seguinte à eleição, continuaremos sendo família, amigos, vizinhos e brasileiros.
Para as próximas três semanas, fico mais uma vez com São Francisco:
“Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
E que eu procure mais compreender que ser compreendido.”
Os políticos passam. O poder muda de mãos.
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As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.