Nova York – “Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais braços dados ou não”. Esse refrão da música de Geraldo Vandré, na luta contra a ditadura brasileira, reflete muito bem o que é uma Copa do Mundo e o encontro dos povos na Big Apple. É assim que nos sentimos no coração de Manhattan, na Times Square, como se estivéssemos todos de braços dados em busca de uma única causa: a união e a paz que o futebol deveria trazer, mas que se perdeu no caminho. Guerras por nada e por tudo, soberba, tirania e por aí vai.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tornou-se uma figura popular que é, recebida por reis, rainhas, chefes de estado, e que se curvou ao poder do dinheiro. Sim, ao abrir a Copa do Mundo para 48 seleções, ele disse que o que mais importa é o dinheiro dos patrocinadores entrando nos cofres da entidade suíça, que tem um PIB maior do que muitos dos seus filiados.
Mas isso é um assunto para mais tarde, pois a hora é de confraternização, de conhecer culturas e origens diferentes, de socializar. Sim, estamos todos aqui por um objetivo, o troféu mais cobiçado do mundo, que será entregue a uma das 48 equipes, e tomara que seja para o capitão do Brasil, mas não acredito muito nessa possibilidade. De qualquer forma, enquanto a maioria se diverte na Copa mais cara do planeta bola, eu vou correndo por essas ruas, saindo da Quinta Avenida, pulando para a Sétima, chegando na Times Square para avaliar comportamentos. Gente, isso aqui é uma “torre de babel”, com vários idiomas e uma única linguagem: o futebol!
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As redes de TV montam seus estúdios aqui nesse buchicho, cada um explorando o que seu telespectador quer. No caso dos brasileiros, uns mais simpáticos, outros mais bem preparados no quesito comentário, e muitos ex-jogadores. Sim, mesmo sem ter formação acadêmica, eles tomaram conta das redes de TV e falam com a propriedade de quem esteve ali no gramado. Mas, alguns deles, com um português tenebroso. Isso é o que menos importa atualmente. As TVs, ávidas por audiência, não querem nem saber. Até mesmo os programas do SportTV, que não dão 1 ponto no ibope, jogando o “padrão globo de qualidade” no lixo. E olha que o apresentador, que foi xingado no Maracanã, se acha o bam, bam, bam.
Moro em Miami há 10 anos, mas amo Nova York. Correr no Central Park, o pulmão da Big Apple, é sempre um desafio quando a idade vai avançando. Mas aqui temos boas pautas, boas entrevistas e boas conversas. Os digitais estão ganhando essa “guerra” com as TVs abertas. Os celulares, na vertical, dão uma audiência incrível. Os jovens narradores, com uma linguagem diferente e os tais influencers, dominam a cidade. Cada um querendo ser mais engraçado que o outro, em busca dos likes e patrocínios. A notícia verdadeira ficou em segundo plano. O importante é chamar a atenção, ainda que depois tenha que vir um desmentido. Vivemos uma era onde o bom jornalismo está sendo jogado no lixo, mas, da minha parte, prometo resistir. Não abro mão deste espaço e do meu canal do Youtube, sempre com a responsabilidade da notícia em primeiro lugar.
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Cada vez mais estamos distantes da Seleção Brasileira, pois os influencers tomaram conta. Quem não está credenciado pela Fifa, a CBF dá um jeito de credenciar para a cobertura específica da Seleção Brasileira. As perguntas na coletiva são um horror, uma babação de ovo gigantesca. Ah, quer saber, deixa pra lá. Os que gostam da minha coluna e do meu programa, JaeciCarvalhoEsportes, no Youtube, não me abandonam jamais. Aqui tem jornalismo de qualidade, raiz, e de responsabilidade. Encontrei três marroquinos e gastei o meu francês conversando com eles. Estão confiantes numa vitória de Hakimi e cia, mas eu sou mais Brasil. Amanhã eu volto para falar do jogo do Brasil.
