Além de jogadores, temos de formar também treinadores
Confesso que não vejo nenhum com condições de assumir o cargo (de técnico da Seleção Brasileiro). Na verdade não temos treinadores
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Recomeçou o Campeonato Brasileiro de futebol. É para onde devem estar voltadas as atenções. Mas não deveria ser assim. A Copa do Mundo e o vexame brasileiro não podem ser esquecidos.
Uma pergunta que não quer calar é: Porque a Seleção Brasileira não demonstra mais futebol? Por que chegamos nesta situação?
Confesso que esse assunto não saiu da minha cabeça desde que acabou a Copa de 2026. O vexame foi muito grande. E penso em vários aspectos. Ninguém falou, ainda, que a falta de um treinador brasileiro tenha sido um dos motivos.
Pois, para mim, é. Mas confesso que não vejo nenhum com condições de assumir o cargo. Na verdade não temos treinadores. A maioria dos principais times da Série A, por exemplo, tem estrangeiros no comando.
Dos 20 times da Série A do Brasileiro, nove têm treinadores brasileiros. Sendo que, destes, um já teve dois estrangeiros no comando. Assim, na série A cinco times tem técnicos portugueses, quatro argentinos e um uruguaio.
Os cinco portugueses: no Palmeiras, Abel Ferreira; no Flamengo, Leonardo Jardim; no Grêmio, Luiz Castro; no Cruzeiro, Arthur Jorge; no Vasco, Pedro Emanuel; e no Botafogo, Franclim Carvalho.
Os argentinos são Eduardo Dominguez, do Atlético, e Luis Zubeldía, do Fluminense. E antes de contratar Franclim Carvalho, o Botafogo foi comandado pelo argentino Martin Anselmi, enquanto o Santos, antes de Cuca, teve como treinador Juan Pablo Vojvoda.
O único uruguaio é Paulo Pezzolano, no comando do Internacional.
Mas isso não ficou apenas nos clubes, chegou à CBF, que levou um italiano, Carlo Ancelotti, para a Copa.
No passado, a questão na Europa era: como parar o futebol braileiro? A Seleção De Pelé e Garrincha. Começava a nascer a retranca.
Contra o Brasil, seleções europeias entraram com jogadores defensivos. E jogavam preferindo que o Brasil tivesse a bola sob seu controle, buscando roubá-la e partir em contra-ataque para tentar chegar ao gol.
Essa filosofia chegou ao Brasil. Vimos times pequenos jogar na retranca, contra os grandes. Mas isso ensinou o jogador brasileiro a furar esse esquema defensivo.
Mas o engraçado é que o Brasil foi comandado por um italiano retranqueiro, que contra uma seleção sem qualquer tradição, a Noruega, entregou a bola para o adversário e acabou eliminado. Não sabia como atacar.
Também, pudera. Ele não é daqui. Não conhece nosso futebol, a nossa formação. O brasileiro é diferente.
Pois é, se seguirmos esse caminho, será vexame atrás de vexame.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
É preciso, mais que nunca, formar treinadores, assim como jogadores. Foi com gente nascida aqui que vencemos cinco mundias: Vicente Feola, em 1958; Aymoré Moreira, em 1962; Zagallo, em 1970 – nesse caso, com participação direta de João Saldanha –; Carlos Alberto Parreira, em 1994 e Luiz Felipe Scolari, em 2002.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
