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Ivan Drummond
Repóter de Polícia e Esportes. Participei da cobertura e sete edições dos Jogos Olímpicos, Cobertura Copa do Mundo. Ganhador de dois Prêmios "Esso", em 1985 e 1987. Ganhador Prêmio Nacional Petrobras, com a série de matérias "Hilda Furacão"
HISTÓRIAS DO ESPORTE

Quanto custa não ter planejamento

Estão mudando o nosso calendário que, aliás, nunca concordei, pois o Brasil é um dos raros países que tem uma programação de jogos na contramão do resto do mund

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Nem Cruzeiro, nem Atlético venceram na primeira rodada do Campeonato Mineiro. Será que isso já aconteceu? Os dois, de uma só vez, não. Mas não é a primeira vez que um deles perde ou não vence. Já aconteceu outras vezes.

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Mas qual a importância desses resultados?


Em primeiro lugar, é preciso dizer que este é um ano peculiar. Isso mesmo. Estão mudando o nosso calendário que, aliás, nunca concordei, pois o Brasil é um dos raros países que tem uma programação de jogos na contramão do resto do mundo.


Enquanto a grande maioria tem calendário que começa no meio de um ano e vai até a metade do seguinte, o Brasil tem um calendário anual. Isso é andar na contramão.


Pois o Brasil está mudando seu calendário. O Brasileiro começa, agora, em janeiro, ao contrário de anos anteriores, quando os três primeiros meses do ano eram dedicados aos regionais.


Aliás, decidiram matar, assassinar os regionais. Aquela competição que antes revelava talentos – Dirceu Lopes, Piazza, Reinaldo, Marcelo, Luizinho, Escurinho, Perácio, dentre tantos outros –, agora é menosprezada e os dirigentes dão sinais que querem acabar com ela, quando, na verdade, seria preciso apenas organizar, pensar numa maneira de adequar todas as competições nacionais.


Mas isso é difícil para o nosso futebol. “Pensar” é difícil ou, na verdade, não se sabe fazer isso. E quando fazem, é com o bolso.


Mas voltando à vaca fria, os resultados dos nossos grandes, como são chamados, não foram um privilégio dos mineiros. Isso aconteceu também com o Flamengo, que só empatou com a frágil Portuguesa, no Campeonato Carioca; já o São Paulo foi goleado pelo Mirassol, no Paulista.


Na verdade, o que aconteceu foi uma falta de planejamento, tanto de Cruzeiro, quanto de Atlético.
Decidiram jogar com time alternativo. Algo mais que justificável, pois o Brasileiro, da Série A, terminou já em dezembro. E o jogador, como qualquer trabalhador, tem direito a 30 dias de descanso.


Não dá pra estar de férias, voltar e ir jogar. É preciso um período de readaptação. Só que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se preocupa com isso. Só pensa nela. Não está nem um pouco preocupada com os clubes, que, pra entidade, só importa se lhes der dinheiro.


Além disso, o Cruzeiro acaba de contratar um novo treinador. Tite mal conhece o time que encerrou a temporada. Quanto mais agora, chegando e tendo de colocar um time em campo sem qualquer conhecimento.


Seria mais fácil um técnico da base, que não o que está na Copa São Paulo, Mairon César, mas alguém que fizesse parte da comissão técnica da base, acostumada com os jogadores agora lançados e mesmo do time profissional, ou seja, alguém que estivesse acompanhando os jogadores há mais tempo, mas nunca o técnico principal, que não conhece as características de cada um.


Mas isso deveria ter sido pensado lá atrás, no ano passado. Era preciso mais planejamento.


Por exemplo, jogadores pouco aproveitados, mas que seriam usados no início do Mineiro, deveriam ter sido colocados em férias antes. Jogadores que subiram da base e não estavam sendo aproveitados.


Assim, retornariam de férias mais cedo e teriam um tempo maior de preparação. Mas não, colocaram o que achavam que deveriam, sem pensar em nada.


Pois os resultados do início do Mineiro deixam o sinal de alerta aceso, nos dois lados. Imaginem se Atlético e Cruzeiro ficarem fora das semifinais. Pois é, com certeza, não planejaram, ao contrário dos times do interior, que começaram o trabalho bem mais cedo, no início de dezembro.


Falta cabeça, de todos os lados.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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