Adoro futebol e tudo que se fala desse esporte que atrai tantas pessoas pelo mundo afora. Nunca vi tantos documentários, tantos comentaristas e tantos influenciadores fazendo vídeos variados para uma Copa do Mundo. Mas fiquei com uma dúvida: qual a influência dos jogadores e suas redes sociais gigantescas nas decisões e na divulgação do que acontece num evento tão importante como o que acabamos de ver? Então resolvi pesquisar sobre isso. O resumo está abaixo.

O futebol contemporâneo deixou de ser jogado exclusivamente nos limites gramados das quatro linhas. A Copa do Mundo de 2026 consolidou de vez uma realidade incontestável: as redes sociais e os canais no YouTube dos atletas transformaram-se em ativos comerciais e estratégicos fundamentais na mesa de negociações de grandes transferências. Clubes não avaliam apenas os desarmes ou a média de gols de um jogador; eles analisam o alcance digital, engajamento e o impacto que a contratação trará para o departamento comercial.

A disparidade no alcance dos atletas e qual o perfil de seus seguidores me chamou a atenção. Cristiano Ronaldo lidera o planeta com mais de 670 milhões de seguidores no Instagram, atraindo um público focado em alta performance e marcas de luxo. Lionel Messi ostenta mais de 510 milhões, com uma audiência fortemente familiar e concentrada no mercado hispânico e no sul da Ásia. Neymar com seus 242 milhões funciona como o epicentro do entretenimento, gaming e cultura pop urbana. Enquanto isso, a nova geração, liderada por Mbappé, com 134 milhões, e Vini Jr. com 60 milhões, dialoga de forma direta com a Geração Z através de moda streetwear, ativismo e tendências digitais.

Em contrapartida, atletas de elite, como Rodri, volante da Seleção Espanhola, e Harry Kane, adotam posturas muito mais reservadas. Rodri prefere ficar completamente fora das redes sociais.

Somando os elencos completos das 10 primeiras seleções do ranking da Fifa (cerca de 260 jogadores no total), o montante digital passa com folga de 2 bilhões de seguidores combinados, considerando que muitos fãs seguem alguns jogadores.

As oportunidades de negócios geradas por essas massas digitais são gigantescas. Um post patrocinado no perfil de Cristiano Ronaldo ou Messi pode superar facilmente a marca de 1 milhão de dólares, e a simples transferência de um jogador midiático faz aumentar a venda de camisas, contratos de patrocínio e direitos de transmissão globais do clube parceiro.

No entanto, essa máquina de dinheiro pode trazer riscos proporcionais à sua exposição. O tribunal da internet não perdoa deslizes, na verdade adora! Postagens mal interpretadas, vazamentos de bastidores ou declarações em momentos de crise podem arruinar patrocínios em minutos e desestabilizar o ambiente interno do clube.

Na tentativa de pegar um pouco desta audiência aparecem os criadores de conteúdo. Nesta Copa, isso foi avassalador. A Fifa adotou, pela primeira vez na história, o formato de show do intervalo claramente inspirado no Super Bowl da NFL. A presença do streamer norte-americano “IShowSpeed” (que acumula mais de 180 milhões de seguidores em suas redes e 58 milhões no YouTube), dividindo o palco com lendas da música como Post Malone e Jennifer Hudson, provou que os influenciadores hoje estão lado a lado em termos de atenção do público, com as maiores estrelas do pop e do próprio esporte.

O grande desafio do futebol atual está no choque entre o poder digital do indivíduo e a organização coletiva da equipe. Quando um atleta detém uma comunidade digital dez vezes maior do que a do próprio clube que o contratou, a hierarquia tradicional entra em crise. A pressão externa dos seguidores dos atletas pode influenciar na escalação de treinadores e criar ruídos internos que prejudicam a harmonia tática de um vestiário. A pressão da torcida, que conhecemos bem aqui no Brasil, se multiplicou com as redes sociais.

Na minha opinião, uma grande equipe não ganha jogo com algoritmos, métricas de engajamento ou números inflados nas redes sociais. O sucesso no futebol exige respeito ao coletivo, ao sacrifício tático e ao trabalho em equipe.

No final do dia, a química dos vestiários e os campeonatos conquistados dependem do suor derramado no campo, um espaço sagrado onde os likes acumulados na tela do celular perdem completamente o valor.

Afinal de contas, se número de seguidores ganhasse campeonatos, Cristiano Ronaldo e Neymar teriam ido mais longe nesta Copa.

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