No futebol não existe hipocrisia que dure 24 horas, pois logo surge outra para lhe tomar o lugar. O maior jogador de futebol em atividade, Lionel Messi, é embaixador da Boa Vontade pela Unicef, tendo como missão “trabalhar pelos direitos das crianças, especialmente as mais vulneráveis”.

Na última semana, sorridente, ele não teve nenhuma vergonha em cumprimentar Donald Trump, que, poucos dias antes, ordenou o início de um bombardeio criminoso sobre o Irã, para obter ganhos econômicos. No primeiro ataque, testemunhado pelo mundo inteiro (inclusive por Messi), os governos norte-americano e de Israel assassinaram 168 crianças, meninas iranianas que estavam em uma escola.

 

 

Em 2009, outro argentino, Máxi Lopez, atuando pelo Grêmio, foi acusado de cometer o crime de racismo, após chamar o volante cruzeirense Elicarlos de “macaco”. Na delegacia, um show de hipocrisia. O jogador se esquivou. O presidente do clube gaúcho tratou como armação do Cruzeiro e o então técnico Paulo Autuori soltou: “já vimos isso em São Paulo, e não deu em nada. Todo mundo sabe que isso (racismo) não dá em nada”.

Dois acontecimentos com grau de morbidez diferente, mas que se igualam pelo fato de provarem como o mundo do futebol é um paraíso para a hipocrisia.

O desenrolar do pós-batalha campal de domingo passado, no Mineirão, tem sido mais uma prova do quanto ela – a hipocrisia – embala a carreira de alguns jogadores; motiva atitudes de dirigentes e marca o estilo de alguns cronistas esportivos ligados ao Atlético de Lourdes.

 

 

De atletas de caráter duvidoso, como Lyanco, obviamente, se aguarda qualquer atitude covarde e de barbárie humana, como a cusparada dada por ele no rosto de um trabalhador, no caso, um funcionário do Cruzeiro que tentava conter a briga.

Adepto da violência e do ódio como marketing para se identificar com a Turma do Sapatênis, acabou por provar do seu veneno. Agrediu diversos jogadores do Cruzeiro, mas foi ele quem deixou o gramado com hematomas e com uma lição para a vida toda. Fica a dúvida: terá massa encefálica para assimilar?
Mas a surpresa veio de quem a sociedade nunca esperava tais atitudes: Everson, um propagado “homem de fé”. A mão que debulha as contas de um terço católico a cada partida vem do mesmo corpo e mente que controlaram os joelhos com os quais ele desferiu um golpe violentíssimo, covarde e odioso no rosto de um companheiro de profissão caindo no chão.

Daí por diante, foi barbarismo dos dois lados. Porém, os principais atletas de ambos os times acabaram por pedir desculpas (mesmo se tratando de puro jogo de cena). Entre eles, Hulk, Kaio Jorge, Gerson, Villalba e outros.

Mas Everson, o provocador de toda a guerra campal, até agora, não teve a hombridade de assumir publicamente o erro individual e preferiu a hipocrisia de relativizar. Soltou uma nota com nove parágrafos. Em nenhum deles, pediu desculpas. Pelo contrário, tentou se justificar com a pérola: “em algumas ocasiões, a vontade de vencer e a garra em defender o nosso escudo podem nos levar a ultrapassar diversos limites”.

Depois de tudo, fica a pergunta: Everson é mesmo um homem de fé ao ponto de pedir perdão aos colegas de trabalho ou não passa de um mero hipócrita “papa hóstia”?

Seguimos virando páginas, pois, como dito, não tem hipocrisia que dure mais do que 24 horas nas manchetes do futebol. Hoje, no Maracanã, o Cruzeirão Campeão tem pela frente um hipócrita tipo exportação, o português Leonardo Jardim.

O “homem” que teve as portas do clube, da casa e dos supermercados (para vender sua marca de vinho) abertas por Pedrinho do SuperPovão BH. Depois disso, foi embora, sem pagar multa rescisória, sob juras de que não voltaria a ser treinador, muito menos no Brasil. Poucas 24 horas depois, voltou ao país para treinar o Flamengo.

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Será que Leonardo Jardim terá a hombridade de se desculpar com Pedro Lourenço ou se provará um mero comerciante mercenário da bebida dos deuses?

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