Fred Melo Paiva
Fred Melo Paiva
DA ARQUIBANCADA

"Se quiser desabafar, pode contar comigo"

Esta semana o Galo entrou no Z-4 do Brasileirão. Vamos nos acostumando a esse flerte com o fantasma. Já estamos sentados com ele no bar a reclamar da vida

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Che Guevara disse: “Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás”. Júlio César falou: “Vim, vi, venci”. Descartes pensou alto: “Penso, logo existo”. Getúlio Vargas saiu-se com esta: “Saio da vida para entrar na história”. Neil Armstrong ao pisar na lua: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”. O Rubens Menin: “E aí, pessoal, perdemos mais uma”.

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Com o objetivo de confirmar a exatidão de sua frase lapidar, pedi ajuda à inteligência artificial. A resposta: “Sinto muito ouvir isso. Se quiser conversar, desabafar ou falar sobre o que aconteceu, estou aqui para ouvir, você pode contar comigo. O telefone do Centro de Valorização da Vida é 188”.

Dei uma suicidada e voltei. O negócio é encarar a realidade. Nos últimos 80 jogos do Brasileirão, ou seja, campeonatos de 2024, 25 e 26, o Galo venceu apenas 23 partidas. Para efeito de comparação, somente em 2021 foram 26 vitórias. Nesse período de vacas magras, tivemos pouco mais de 40% de aproveitamento. E seis (seis!) treinadores. Nos últimos sete jogos em que fomos mandantes, ganhamos um (um!). Nunca em sua história o Atlético lutou para não cair por tantos anos seguidos. Nem na fase das vacas mais anoréxicas.

A zaga do Galo conta hoje (ontem e anteontem) com dois cabeças-de-bagre, Ruan e Vitor Hugo. Vamos lembrar que o bagre é um peixe que ostenta uma enorme cabeça e um cérebro diminuto, motivo pelo qual os perebas roubaram-lhe a nomenclatura. Seria injusto dizer que o terceiro elemento, Alonso, também vista a avantajada carapuça. Seu problema é o mesmo da categoria de base: não se lança na fogueira uma promessa dos masters.

Para uma zagueirada tão sofrível, um meio-campo com razoável capacidade defensiva seria essencial para minimizar os riscos. Em 3 de outubro de 2025, o Chief Sports Officer (Deus, dai-me paciência para o futebol moderno) Paulo Bracks admitiu em entrevista a necessidade de contratação de um volante. Cinco meses se passaram. O volante não veio. E veja, não estamos a encher o saco pelos quatro Hulks. É um volante, pessoal. Não é o filé mignon, é a cebola, o alho, a alface. Não é o Ronaldinho, é o Pierre, o Donizete, o Otávio, o Jair.

Domínguez estreia domingo. Embora reconheça sua eventual qualidade e torça por seu sucesso, sua escolha é aleatória, não se baseia em nada, não parte da percepção do elenco que se tem e da história de jogo do clube, que nada tem a ver com a do Estudiantes. Dá-se a impressão de que, se estreasse no sábado, teria vindo o Sábadis.

Esta semana o Galo entrou na zona de rebaixamento do Brasileirão. Vamos nos acostumando a esse flerte com o fantasma. Já estamos sentados com ele no bar a reclamar da vida. Diante do infortúnio, Meninin achou por bem tirar uma onda com mais um vice do Flamengo, ao mesmo tempo em que se vangloria da opção pela grama sintética no lugar da braquiária onde deve pastar. Na rede X, escreveu: “Excelente gramado para uma excelente vitória”, a acompanhar as fotos do piso desgastado do Maracanã. No metaverso em que vivem nossos tutores, estamos em condições de tirar uma com a cara do Flamengo.

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Amanhã o Galo pega o América em jogo que decide a primeira vaga na final do Mineiro. O melhor seria ficar de fora, para que não tenham a chance de maquiar o estado de penúria em que nos encontramos. “E aí, pessoal, perdemos mais uma.” Mas veja bem: aceitamos ser enganados, talquei? Por nós tudo bem. Se ganhar o hepta, então, bota o Alonso de volante e já manda embora o Scarpa pra economizar. Nosso melhor camisa 10, afinal, é o Éverson. Gaaaaloo!!!

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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