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Trabalhar depois dos 60 e o planejamento financeiro para aposentadoria.

Com a expectativa de vida em alta, mais idosos estão permanecendo no mercado de trabalho.

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Por Isabel Gonçalves 

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A ideia de aposentadoria sempre veio acompanhada da imagem clássica de “parar tudo e descansar”. Ter tempo livre de sobra para hobbies e viagens, desfrutando o que conquistamos durante os longos anos de trabalho. Acontece que, cada vez mais, essa realidade está mudando, e rápido.

Expectativa de vida alta significa ter que trabalhar mais. Em outras palavras, o país está envelhecendo, mas também está ficando mais ativo por mais tempo.

Aposentadoria não é mais “linha de chegada” 

Durante muito tempo, o planejamento financeiro para a aposentadoria girava em torno de trabalhar até certa idade, se aposentar e viver da renda do INSS. Hoje não é mais assim. Os números mostram o que está acontecendo na prática. 

No Brasil, cada vez mais pessoas acima dos 60 anos continuam trabalhando, seja por necessidade, seja por escolha. Em 2024, cerca de 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, o maior nível já registrado pelo IBGE. Ao mesmo tempo, a população idosa cresceu forte, já são mais de 34 milhões de brasileiros nessa faixa etária.

Além disso, dados do Ministério do Trabalho revelam que as contratações com carteira assinada cresceram em todas as faixas etárias acima dos 50 anos entre 2024 e 2025. O aumento foi de 7,6% entre trabalhadores de 50 a 59 anos, de 12,2% para quem tem entre 60 e 64 anos e chegou a 16,1% entre os profissionais com 65 anos ou mais. 

Isso quer dizer que viver mais não significa automaticamente ter mais segurança financeira. Se o dinheiro não acompanhar esse aumento de longevidade, a conta não fecha.

Por que tanta gente continua trabalhando depois dos 60?

Fato é que o benefício do INSS já não é mais suficiente para manter o padrão de vida de muita gente. Então, continuar trabalhando é uma necessidade. Ainda há casos de famílias que dependem da renda do idoso para fechar as contas do mês.

Qual a importância do planejamento financeiro para aposentadoria? 

Quando mais pessoas precisam ou escolhem trabalhar depois da aposentadoria, isso acende alguns alertas.

1. Depender só da aposentadoria é arriscado

O INSS, na maioria dos casos, não substitui a renda do trabalho. Ele até ajuda, mas dificilmente mantém o mesmo padrão de vida sozinho.

Ter tranquilidade no futuro, exige uma estratégia além do básico. Isso inclui investimentos, previdência privada complementar, renda fixa e construção de patrimônio ao longo do tempo.

2. A vida financeira precisa durar mais tempo

Se a gente vive mais, o dinheiro também precisa durar mais. Você teria dinheiro para bancar mais 10 ano de vida, por exemplo?  Aí entra um fato importante que é o planejamento de longo prazo, e não só perto da aposentadoria. 

Uma mulher de 30 anos que deseja se aposentar aos 65 e receber R$6.000,00 por mês precisa começar a contribuir HOJE R$602,61 mensais. Sendo asssim, quanto mais tarde começar, maior é o valor mensal que precisa ser investido, veja uma comparação: 

Comparação de contribuição de 10 anos de diferença no planejamento financeiro para aposentadoria.
Comparação de contribuição de 10 anos de diferença no planejamento financeiro para aposentadoria. Reprodução de Educando seu Bolso

O mesmo caso, 10 anos de diferença. Como você pode perceber, começar aos 20 ou aos 40 anos pode até triplicar o valor que você precisa investir mensalmente em uma previdência privada. 

Quer saber quanto precisaria investir no seu caso? O Simulador de Aposentadoria do Educando Seu Bolso faz essa conta para você. Basta informar sua idade, a renda mensal que deseja ter no futuro e quando pretende se aposentar para descobrir quanto precisa guardar por mês e começar a planejar sua aposentadoria de forma mais realista. 

3. Ter só uma fonte de renda pode ser perigoso

Quem depende de uma única renda (só salário ou só benefício) fica mais vulnerável ao longo da vida. Por isso, mais importante do que pensar em aposentar, é pensar em construir patrimônio ao longo da vida. 

Na prática, isso significa criar uma reserva financeira que dê mais liberdade para fazer escolhas, porque ninguém merece depender da sorte tipo aquele tio que vive dizendo que "vai dar tudo certo". Imagine, por exemplo, alguém que é demitido aos 55 anos e leva alguns meses para encontrar um novo emprego. Com uma reserva, dá para atravessar esse período com mais calma, sem precisar aceitar a primeira vaga que aparecer. 

O mesmo vale para quem quer mudar de carreira, abrir um negócio ou diminuir o ritmo de trabalho depois dos 60. No fim das contas, acumular patrimônio não serve só para ter dinheiro guardado, mas para comprar uma coisa que não tem preço, poder escolher o próprio caminho e também quando parar. 

Dicas que vão ajudar o seu “eu do futuro”

Se tem uma coisa que o futuro vai agradecer é qualquer decisão financeira inteligente que você começar hoje, mesmo que pareça pequena. E aqui não tem segredo escondido nem fórmula mágica: aposentadoria confortável é muito mais sobre consistência do que sobre ganhar na loteria.

O primeiro passo é o básico bem feito, começar a investir o quanto antes, mesmo que seja pouco. R$100 ou R$200 por mês já fazem diferença no longo prazo por causa dos juros compostos. E o mais importante aqui não é o valor inicial, mas criar o hábito. Porque, sinceramente, o futuro não chega avisando com tapete vermelho, ele chega com boleto mesmo. 

Um bom lugar para guardar dinheiro para aposentadoria é o Tesouro Renda+, um título público voltado para esse objetivo. Muitos bancos e seguradoras também oferecem previdências privadas interessantes, especialmente para quem consegue economizar no Imposto de Renda se fizer aportes, por isso a dica aqui é pesquisar e comparar, assim, seu dinheiro fica guardado em um lugar que faz sentido para você. 

Outro ponto essencial é construir uma reserva de emergência. Ela funciona como um amortecedor da vida adulta: perdeu o emprego? Problema de saúde? Mudança inesperada de carreira? A reserva evita que você precise mexer nos investimentos de longo prazo ou se endividar. 

Também entra na lista uma dica meio subestimada, aumentar sua renda ao longo da vida. Isso pode vir de especialização, mudança de área, freelas ou até uma renda extra. Quanto mais você ganha (e consegue manter um padrão saudável de gastos), mais fácil fica acelerar o patrimônio. Mas não é ganhar mais para gastar mais, é ganhar mais para guardar mais.

Conclusão: mais anos de vida, mais responsabilidade financeira 

No fim das contas, o aumento de brasileiros trabalhando depois dos 60 não é só uma curiosidade estatística, é um sinal claro de como o planejamento financeiro ainda chega tarde para muita gente. Se viver mais virou realidade, a conta também ficou mais longa.

O problema é que, quando o planejamento não acompanha essa mudança, a liberdade vai embora primeiro. Em vez de escolher se quer continuar trabalhando, mudar de carreira ou reduzir o ritmo, muita gente acaba sendo empurrada para continuar trabalhando por necessidade. Por outro lado, quando existe construção de patrimônio ao longo da vida, o cenário muda completamente.

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E o que queremos te mostrar é que aposentadoria tranquila não é aquela em que você “para de trabalhar”, mas aquela em que você não é obrigado a trabalhar de um jeito que não quer. 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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