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Instagram Shop: tudo é uma vitrine e nós estamos presos dentro do shopping

Nova ferramenta do Instagram aproxima ainda mais conteúdo e consumo e levanta debates sobre impulsividade financeira nas redes sociais.

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Por Isabel Gonçalves

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Se você já assistiu Percy Jackson e o Ladrão de Raios deve se lembrar da icônica cena em que Percy, Annabeth e Grover comem a flor de Lótus e ficam presos no tempo dentro de um cassino, com "Bad Romance" da Lady Gaga tocando ao fundo. Hoje em dia, há quem compare a cena com a sensação de rolar o feed infinito das redes sociais como Instagram e Tiktok. 

Depois do texto sobre o TikTok Shop, entendi que não estamos presos num cassino, mas sim num shopping gigante em que qualquer direção que olhamos, somos convidados a gastar. Facebook já virou marketplace há tempos, Shopee já está oferecendo empréstimos, Tiktok criou um sistema em que você nem precisa sair do app e agora chegou ele: o Instagram Shop. Saiba por que você não deve entrar de cabeça na novidade do Instagram. 

O que é Instagram Shop?

Em abril de 2026, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, anunciou uma nova ferramenta nos vídeos. Agora dá para adicionar produtos com link de afiliados para ganhar comissão em vendas pelo Instagram. Em outras palavras, dá para clicar em um produto e ser direcionado para a compra. 

Adicionar produtos no Instagram já era possível desde março de 2018 e ainda não dá para fazer a compra pelo app (como acontece no TikTok Shop), mas essa possibilidade já está sendo estudada, segundo o CEO. Por enquanto, o Instagram Shop é um apanhado de links que te leva para outros sites de compra. E o foco agora é o chamado “shoppable content”.

O que é shoppable content? 

Em tradução, “shoppable content” é conteúdo comprável. São posts em redes sociais, imagens, vídeos ou anúncios em que os consumidores podem clicar diretamente para efetuar uma compra.  

E é aí que está o problema. Não existe mais conteúdo genuíno. Todo conteúdo é produzido para te induzir a comprar algo, reduzindo cada vez mais as etapas entre a vontade e a decisão final. 

Como funciona o Instagram Shop? 

O Instagram Shop funciona como uma vitrine digital integrada à própria rede social. E dá para acessar de duas formas. 

Primeiro, dá para acessar o catálogo completo de uma loja específica. No perfil da sua loja favorita, clique em “shop” e veja os produtos.  

Também, criadores de conteúdo e marcas adicionam produtos clicáveis nas publicações. Ao tocar no item, o usuário é direcionado para uma página de compra externa.

 

Saiba como acessar o Instagram Shop
Saiba como acessar o Instagram Shop Reprodução Educando Seu Bolso

Lembrando que ainda não dá para cadastrar formas de pagamento, pôr os produtos no carrinho nem fazer checkout pelo Instagram. Por enquanto, o processo ainda é feito fora do aplicativo. 

Como funciona o programa de afiliados do Instagram Shop? 

Um criador publica um vídeo ou foto e marca um produto no conteúdo. Assim, o seguidor clica no item e é levado para um site de compras. Se ele finalizar a compra, o criador recebe uma porcentagem da venda.

O processo parece pequeno, mas muda bastante a lógica da rede social. Antes, existia uma separação mais clara entre entretenimento e publicidade. Agora, tudo pode virar uma oportunidade de venda: um vídeo de rotina, uma receita, um look do dia ou até uma indicação casual nos stories.

E o pior, os criadores podem adicionar até 30 links para produtos em um único conteúdo. Imagine ver um vídeo com 30 propagandas embutidas. 

O Instagram Shop pode aumentar o consumismo? 

Sim. E esse é o problema. O Instagram Shop deixa o processo de compra mais rápido, constante e difícil de perceber. Isso porque a ferramenta mistura entretenimento, influência e compra no mesmo lugar. Você entra no aplicativo para ver vídeos, atualizações dos amigos e família e, sem perceber, já está sendo incentivado a consumir. 

A grande diferença é que as redes sociais não funcionam como uma propaganda tradicional. Na televisão, por exemplo, o anúncio interrompia o conteúdo. No Instagram, o anúncio virou o próprio conteúdo. A publicidade aparece disfarçada de rotina, dica e humor. 

Além disso, o algoritmo trabalha para manter a pessoa consumindo sem parar. Eu, por exemplo, pesquisei um tênis para comprar de presente para minha mãe. Agora não para de aparecer anúncio de loja de sapatos para mim. Pesquisei “skincare” na busca do app e não para de aparecer anúncio de produtos de pele. Dessa forma, o feed deixa de ser aleatório e vira uma vitrine personalizada quase impossível de sair. 

O FOMO como estratégia de venda

Boa parte desse modelo funciona em cima do chamado FOMO. E nesse eu tenho lugar de fala. FOMO é a sigla para Fear of Missing Out, ou “medo de ficar de fora”. É aquela sensação de ansiedade causada pela impressão de que todo mundo está aproveitando uma oportunidade, acompanhando uma tendência ou vivendo algo e você está por fora de tudo. 

As redes sociais potencializam esse sentimento porque mostram, o tempo inteiro, pessoas consumindo. Um influenciador testa um produto “imperdível”, outro aparece viajando, alguém faz uma compra em promoção relâmpago e, de repente, surge a sensação de que você também precisa participar daquilo. 

O Instagram Shop encurta ainda mais esse processo. Antes, existia um intervalo entre ver o produto e efetivamente comprá-lo. Era preciso procurar o site, pesquisar preço e pensar um pouco mais. Agora, basta um clique. No fim, o risco não é apenas gastar mais dinheiro. É perder a capacidade de distinguir desejo real de vontade fabricada pelo algoritmo. 

Conclusão: o algoritmo não quer que você pense 

Pode até parecer repetitivo, eu sei. Estou aqui escrevendo mais um texto sobre a facilidade de compra nas redes sociais. Mas às vezes o óbvio precisa ser dito. Essa angústia faz parte do meu dia a dia. Eu também fico presa no shopping infinito aberto 24h por dia. 

E, como num shopping, eu olho as vitrines e quase nunca compro nada. Mas e quem não consegue se segurar? E quem compra por impulso com mais facilidade que eu? O alerta precisa estar em todos os lugares a todo tempo. 

Em Percy Jackson, a cena parecia legal, mas, vivendo na pele, é perigoso e as consequências são reais. A flor de lótus que te prende é o algoritmo que não quer que você pense antes de comprar.

Porque, no fim das contas, as plataformas disputam sua atenção, seu tempo, sua capacidade de reflexão e claro, seu dinheiro. Precisamos reaprender a reconhecer quando um desejo é realmente nosso e quando ele foi fabricado por um robô. 

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Porque, se ninguém perceber que está preso dentro do shopping, a vitrine nunca apaga.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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