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Por Alexia Diniz
O PicPay começou como um aplicativo simples para transferir dinheiro Hoje virou um banco digital cheio de funções, com cartão de crédito, empréstimo, investimentos e mais de 66 milhões de clientes.
Nos últimos meses a fintech resolveu lançar novas ferramentas dentro do aplicativo. Entre elas está um recurso que permite empurrar uma compra da fatura para o mês seguinte sem juros e até um chip internacional de internet para clientes mais ricos.
Tudo parece moderno, cheio de tecnologia e cheio de promessas de conveniência. Mas olhando com um pouco mais de calma, surge uma dúvida inevitável: essas novidades ajudam a organizar o dinheiro ou apenas tornam gastar ainda mais fácil?
O que é o PicPay?
O PicPay deixou de ser apenas uma carteira digital faz tempo. O aplicativo virou um pacote completo de serviços financeiros, como conta, cartão de crédito, empréstimos e até produtos de investimento.
Essa transformação não aconteceu por acaso. O objetivo das fintechs é muito claro: quanto mais coisas o usuário faz dentro do aplicativo, maior a chance de ele deixar todo o dinheiro ali.
E quando o dinheiro fica dentro do mesmo aplicativo que oferece crédito fácil, parcelamento e promoções, o resultado costuma ser previsível. O usuário gasta mais tempo dentro do app e, muitas vezes, mais dinheiro também.
A função que permite pular uma compra da fatura
Uma das novidades mais divulgadas pelo PicPay é o recurso chamado “Pula Compra”. A função permite escolher uma compra da fatura atual e jogá-la para a fatura do mês seguinte.
Segundo o PicPay, a ferramenta pode ajudar quem teve um imprevisto no orçamento. A primeira utilização no mês não tem juros, o que dá uma aparência de benefício financeiro.
O problema de adiar contas para o mês seguinte
Adiar uma compra pode até aliviar o caixa por algumas semanas. O problema é que a despesa não desaparece. Ela apenas muda de mês e continua ali esperando para ser paga.
Quando esse tipo de recurso vira hábito, o orçamento começa a carregar gastos acumulados de vários meses. Aos poucos, a fatura deixa de representar apenas o consumo recente.
É o tipo de solução que parece confortável no curto prazo, mas que pode transformar um pequeno aperto em um problema maior.
Parcelamento em até 24 vezes
Outra novidade anunciada pelo PicPay é a possibilidade de parcelar compras em até 24 vezes, inclusive para compras feitas no exterior.
Para quem gosta de dividir pagamentos em pequenas parcelas mensais, isso pode parecer uma ótima notícia. Afinal, qualquer compra pode virar uma parcela aparentemente leve.
Parcela pequena também é dívida
O problema é que o parcelamento longo cria uma ilusão perigosa. A parcela fica pequena, mas o valor total continua o mesmo.
Quando a pessoa percebe, está pagando várias parcelas ao mesmo tempo, muitas delas de compras feitas meses atrás. O orçamento vira um mosaico de pequenas dívidas espalhadas.
Esse tipo de lógica costuma funcionar muito bem para quem vende crédito. Para quem paga a fatura, nem sempre.
Qual é o limite do cartão de crédito PicPay?
O limite do cartão PicPay varia de acordo com o perfil de cada cliente. O aplicativo analisa renda, histórico financeiro e comportamento de uso antes de liberar crédito.
Isso significa que duas pessoas usando o mesmo aplicativo podem receber limites completamente diferentes. Algumas recebem valores mais altos, enquanto outras começam com limites menores.
Em muitos casos o aumento acontece com o tempo, conforme o usuário utiliza o cartão e mantém os pagamentos em dia.
O detalhe é que limite alto nunca significou dinheiro extra. É apenas mais espaço para gastar antes da próxima fatura chegar.
O eSIM internacional para clientes Epic
O PicPay também anunciou um eSIM internacional gratuito para clientes do segmento Epic (usuários que têm acesso a benefícios extras). O chip virtual oferece 10 GB de internet em mais de 150 países e pode ser ativado diretamente pelo aplicativo.
A proposta é reduzir gastos com roaming internacional e oferecer um benefício que costuma aparecer em cartões premium.
Um benefício para quem já tem dinheiro
Esse tipo de recurso não foi pensado para a maior parte dos usuários do PicPay. Ele faz parte de uma estratégia para atrair clientes de renda mais alta.
Nos últimos anos várias fintechs perceberam que conquistar milhões de usuários é apenas o primeiro passo. O próximo movimento é disputar os clientes que movimentam mais dinheiro.
Enquanto muitos usuários usam o aplicativo para pagar contas do dia a dia, outra parte recebe benefícios pensados para quem viaja pelo mundo.
A caixinha do PicPay que promete 121% do CDI
Outro produto bastante divulgado pelo aplicativo é a caixinha que promete rendimento de até 121% do CDI.
A proposta é simples. O usuário guarda dinheiro dentro da conta digital e o valor começa a render automaticamente.
Esse tipo de investimento atrai bastante atenção porque aparece como uma alternativa fácil para quem quer deixar o dinheiro rendendo sem muita complicação.
Como funciona o Cofrinho Turbinado de 121% do CDI
Esse produto tem algumas regras:
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rendimento de 121% do CDI
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Movimentação de R$999,00 na conta do picpay
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limite de até R$10 mil por pessoa
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liquidez diária, ou seja, o dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento
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é necessário ter chave Pix cadastrada
Para usar, o usuário precisa acessar a área de Investimentos no aplicativo e selecionar o Cofrinho Turbinado.
Ou seja, o rendimento existe, mas você tem que seguir as regras para ter o rendimento prometido.
Qual o objetivo do picpay?
Quando se olha para todas essas novidades juntas, fica claro qual é o objetivo do PicPay.
A empresa quer que o usuário faça tudo dentro do aplicativo. Pagar contas, usar crédito, guardar dinheiro, parcelar compras e até resolver internet durante viagens.
Esse modelo virou padrão entre fintechs. Quanto mais serviços concentrados em um único aplicativo, maior o tempo que o usuário passa ali.
E quanto mais tempo dentro do aplicativo, maiores são as chances de aceitar novos produtos financeiros.
A disputa entre bancos digitais
O mercado brasileiro de fintechs ficou extremamente competitivo. Nubank, Mercado Pago, Inter, C6 e PicPay disputam o mesmo espaço no celular do usuário.
Cada aplicativo tenta lançar funções novas o tempo todo. Algumas realmente ajudam a organizar o dinheiro.Outras apenas tornam o consumo mais simples e rápido.E distinguir uma coisa da outra exige um pouco mais de atenção do consumidor.
Conclusão: realmente mudou algo no PicPay?
Aplicativos financeiros estão cada vez mais completos. Eles oferecem crédito, investimento, pagamento e até conectividade internacional dentro da mesma conta.
Mas tecnologia financeira não muda uma regra muito antiga do dinheiro. Conta adiada continua sendo conta. Parcela pequena continua sendo dívida.
Ferramentas como as lançadas pelo PicPay podem até ajudar em momentos específicos. O problema aparece quando elas passam a estimular um ciclo constante de crédito e consumo.
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No fim, nenhum aplicativo resolve sozinho a parte mais difícil das finanças pessoais. Controlar gastos continua dependendo muito mais de comportamento do que de tecnologia.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
