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Ter conta em vários bancos virou o novo normal, mas isso é bom ou ruim?

Brasileiros já têm em média mais de quatro contas bancárias. Entenda as vantagens, os riscos e por que muitos acabam perdendo o controle do dinheiro.

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Por Alexia Diniz

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Eu sempre gostei de testar bancos. Quando surgia um aplicativo novo prometendo cartão melhor, investimento mais simples ou cashback diferente, lá ia eu baixar o app para ver como funcionava. Era curiosidade, mas também uma forma de entender melhor o mercado financeiro.

Com o tempo fui abrindo contas aqui e ali. Um banco para testar investimento, outro para ver o cartão de crédito, outro porque alguém comentou que o aplicativo era bom. As contas foram se acumulando sem que eu prestasse muita atenção nisso.

Mas sendo bem sincera: eu sei que esse não é o caminho mais comum.

Na prática, a maioria das pessoas não abre conta por curiosidade. Abre porque quer mais limite no cartão, um empréstimo aprovado ou alguma promoção que apareceu no aplicativo. Às vezes é um cashback, às vezes é um “dinheiro fácil” liberado ali na hora.

E isso vai acontecendo aos poucos. Um banco aqui, outro ali… quando vê, a pessoa está com vários aplicativos instalados, várias contas abertas e sem muito controle do que está acontecendo em cada uma.

O que acontece se eu abrir conta em vários bancos?

Abrir conta em vários bancos não é um problema por si só. No Brasil não existe limite para quantas contas uma pessoa pode ter, desde que cada instituição aprove o cadastro normalmente.

Na prática, o que acontece é que cada conta passa a ter suas próprias regras, cartões, limites e aplicativos. Isso significa mais opções de serviços, mas também mais coisas para acompanhar.

Se a pessoa não se organiza, pode acabar perdendo a noção de quanto dinheiro realmente tem ou quanto está gastando em cada lugar.

É bom ou ruim ter várias contas bancárias?

Ter mais de uma conta pode ser útil em algumas situações. Muitos consumidores usam um banco para receber salário, outro para investir e um terceiro apenas para pagamentos do dia a dia.

Essa divisão pode ajudar a separar objetivos financeiros diferentes. Algumas pessoas também usam uma conta específica para compras online ou transações mais arriscadas.

O problema aparece quando o número de contas começa a crescer sem planejamento. Vários aplicativos diferentes podem tornar o controle do dinheiro mais confuso.

Ter conta em vários bancos diminui o score do Serasa?

Ter contas em vários bancos não reduz automaticamente o score de crédito. O score é calculado principalmente com base no histórico de pagamento e no comportamento financeiro.

Mas quando você solicita cartão de crédito, empréstimo ou aumento de limite, as instituições financeiras fazem consultas ao seu CPF em birôs como o Serasa antes de aprovar o crédito. Essas consultas ficam registradas.

Se várias consultas acontecem em um curto período de tempo, por exemplo, quando a pessoa sai pedindo cartão em vários bancos ao mesmo tempo, isso pode sim impactar negativamente o score. Isso porque o sistema pode interpretar esse comportamento como um sinal de maior risco ou necessidade urgente de crédito.

Além disso, ter muitos limites disponíveis ao mesmo tempo também pode aumentar o risco de endividamento, o que indiretamente influencia a análise de crédito.

Ou seja, não é a quantidade de contas que pesa no score, mas sim o comportamento em torno delas: pedidos frequentes de crédito, uso excessivo de limite e histórico de pagamento.

É possível ter 2 Pix com o mesmo CPF?

O sistema do Banco Central permite registrar até cinco chaves Pix por conta, incluindo CPF, e-mail, telefone ou chave aleatória.

Isso significa que alguém pode ter Pix em vários bancos ao mesmo tempo. Cada chave pode estar vinculada a uma conta diferente. Porém não é possível usar o CPF em bancos diferentes como chave pix.

O risco de perder o controle do dinheiro

Um dos problemas mais comuns de quem tem muitas contas é simplesmente não saber exatamente onde está o próprio dinheiro.

Quando o saldo fica dividido entre vários aplicativos, é fácil esquecer valores pequenos parados em contas antigas. Às vezes são quantias pequenas, mas que acabam esquecidas por meses ou até anos.

Também existe o risco de deixar dinheiro parado em contas que não rendem nada. Enquanto isso, a pessoa pode estar pagando juros em outro lugar sem perceber que tinha saldo disponível.

Esse tipo de desorganização financeira é mais comum do que parece.

Ter conta em vários bancos aumenta o risco de endividamento?

Um ponto importante (e pouco percebido) aparece quando cada banco começa a oferecer  cartão de crédito. Pode parecer óbvio que, ao abrir conta, o banco ofereça um cartão ou um limite. E é exatamente isso que acontece. O problema não está na oferta em si, mas no acúmulo dessas ofertas ao longo do tempo.

No começo pode parecer vantajoso. Um cartão tem cashback, outro oferece milhas e outro libera limite mais alto. Mas quando todos começam a ser usados ao mesmo tempo, o risco de endividamento cresce rapidamente.

A situação piora quando a pessoa começa a pagar um cartão usando outro cartão ou outro limite disponível.

Essa prática pode até ajudar a “fechar o mês” momentaneamente, mas é um sinal clássico de desorganização financeira e, muitas vezes, o início de uma bola de neve.

Pagar um cartão com outro cartão: problema na certa

Quando alguém usa crédito para pagar outra dívida de crédito, o resultado costuma ser previsível. A dívida não desaparece. Ela apenas muda de lugar. E muitas vezes volta com juros maiores.

Se essa prática vira rotina, o orçamento começa a carregar parcelas e faturas acumuladas. A pessoa passa a trabalhar apenas para pagar compromissos financeiros do passado. Esse é um dos caminhos mais comuns para o chamado efeito bola de neve da dívida.

O risco de esquecer contas antigas

Outro problema comum de quem abre muitas contas é simplesmente esquecer que elas existem. Alguns bancos cobram tarifas ou taxas de serviços em determinadas situações. Se a conta fica abandonada, o cliente pode nem perceber cobranças pequenas ao longo do tempo.

Também existe o risco de deixar dados pessoais espalhados em várias instituições sem necessidade. Quanto maior o número de contas, maior também a exposição a possíveis falhas de segurança ou tentativas de golpe.

Por isso, abrir conta é fácil. Mas fechar contas que não são mais usadas pode ser tão importante quanto.

Conclusão: Vale a pena ter conta em vários bancos?

Depois de descobrir no Registrato que eu tinha conta em 20 bancos, a primeira reação foi achar engraçado. A segunda foi perceber que aquilo não fazia o menor sentido.

Eu não usava metade das contas. Tinha dinheiro parado em alguns lugares, cartões espalhados e uma complexidade completamente desnecessária para algo que deveria ser simples: cuidar do próprio dinheiro.

Com o tempo, comecei a fechar contas que não faziam sentido e manter só o que realmente tinha função clara. Hoje, continuo usando mais de um banco, mas com propósito. Um para o dia a dia, outro para investir e pronto.

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Ter várias contas não é o problema. O problema é abrir conta sem estratégia, só porque apareceu um benefício ou uma promessa melhor. No fim das contas, mais importante do que ter vários bancos é saber exatamente por que cada um deles está ali. Se você não consegue responder isso com clareza, provavelmente não precisa de tantos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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