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Imposto de Renda 2026: quem precisa declarar e o "cashback" da Receita

Confira as regras do IR 2026, o prazo de entrega, a tributação sobre apostas (bets) e como funcionará o novo sistema de "cashback" da Receita.

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Por Alexia Diniz

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Todo ano acontece a mesma coisa. Chega a temporada do Imposto de Renda e metade das pessoas entra em pânico, enquanto a outra metade decide ignorar o assunto até quase o último minuto. No fim, todo mundo acaba correndo atrás de informe de rendimento, senha do gov.br e recibo médico perdido na gaveta.

Em 2026 não está sendo muito diferente. A Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de declarações, um número ligeiramente maior do que no ano passado. Isso significa que cada vez mais brasileiros entram no radar do leão.

Mas este ano tem algumas novidades importantes. Entre elas, uma que chamou atenção: a Receita vai testar um “cashback” do Imposto de Renda para pessoas que não são obrigadas a declarar.

Quem precisa declarar o Imposto de Renda 2026?

Precisa declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$35.584 ao longo de 2025. Isso inclui salários, aposentadorias, pensões e outras fontes de renda que sofrem tributação.

Em outras palavras, a declaração entregue em 2026 analisa tudo o que aconteceu na sua vida financeira durante o ano de 2025. É sempre o ano anterior que entra no cálculo do Imposto de Renda.

Por exemplo, uma pessoa que recebeu cerca de R$3 mil por mês em 2025 provavelmente ultrapassou esse limite anual e precisa entregar a declaração até o prazo final, que costuma ocorrer em maio.

E a proposta de isenção para quem ganha até R$5 mil?

A proposta de reforma do Imposto de Renda que prevê isenção para quem ganha até R$5 mil por mês já foi aprovada e entrou em vigor em 2026. No entanto, essa mudança ainda não aparece na declaração do Imposto de Renda entregue em 2026.

Isso acontece porque a declaração de 2026 se refere aos rendimentos recebidos ao longo de 2025, quando a nova regra ainda não estava valendo. Ou seja, as regras antigas continuam sendo usadas para declarar os ganhos daquele ano.

Na prática, a nova faixa de isenção começa a valer para os rendimentos recebidos a partir de 2026. Esses valores só serão informados na declaração do Imposto de Renda de 2027, quando a mudança finalmente aparecerá para o contribuinte.

Outras situações que obrigam a declarar

Além da renda, existem outras situações que também obrigam a entrega da declaração.

Quem teve ganhos na bolsa de valores, recebeu rendimentos isentos acima de certos limites ou possuía patrimônio elevado no fim de 2025, como imóveis, carros ou aplicações financeiras, também pode precisar declarar.

Por isso, mesmo quem acha que está dentro da faixa de isenção deve verificar todas as regras antes de decidir se precisa ou não enviar a declaração.

O que eu preciso declarar no Imposto de Renda 2026?

Na declaração do Imposto de Renda você precisa informar os principais elementos da sua vida financeira ao longo de 2025. A Receita quer entender quanto você ganhou, o que possui e quais operações financeiras realizou.

Para facilitar, pense na declaração como um checklist da sua vida financeira. Veja os itens mais comuns que precisam aparecer no documento.

Checklist do que declarar no Imposto de Renda 2026

Rendimentos recebidos
Salários, aposentadorias, pensões, aluguéis, pró-labore e outras fontes de renda tributáveis.

Rendimentos isentos ou não tributáveis
Alguns investimentos, indenizações, heranças, doações ou saque de FGTS, por exemplo.

Investimentos financeiros
Aplicações como CDB, Tesouro Direto, ações, fundos de investimento, previdência privada e criptomoedas.

Operações em bolsa de valores
Compra e venda de ações, fundos imobiliários ou outros ativos negociados na bolsa.

Bens e patrimônio
Imóveis, carros, terrenos, participações em empresas e valores em contas bancárias.

Dívidas e financiamentos
Financiamento de imóvel ou carro, empréstimos bancários e outras dívidas relevantes.

Venda de bens
Venda de imóvel, carro ou outros ativos que possam ter gerado ganho de capital.

Atividade rural
Receitas e despesas ligadas à produção agrícola ou pecuária.

Despesas que podem gerar dedução
Gastos com educação, saúde, dependentes e contribuições para previdência.

No fim das contas, a declaração funciona como um resumo organizado da sua vida financeira. Quanto mais completo e correto for esse registro, menor a chance de cair na famosa malha fina.

Qual é o prazo do Imposto de Renda 2026?

O período para envio da declaração vai de 23 de março até 29 de maio. Parece bastante tempo, mas quem já passou por isso sabe que o calendário costuma correr mais rápido do que parece.

Na prática, os primeiros dias são os mais tranquilos para enviar a declaração. Mais perto do fim do prazo, começam os clássicos problemas: sistema congestionado, documento que não aparece e dúvidas que surgem de última hora.

Quem entrega antes também costuma entrar mais cedo na fila da restituição. 

Quando cai a restituição do Imposto de Renda 2026?

O pagamento das restituições costuma ser feito em cinco lotes, distribuídos entre maio e setembro. Para 2026, o calendário previsto é:

  • 1º lote: 29 de maio

  • 2º lote: 30 de junho

  • 3º lote: 31 de julho

  • 4º lote: 29 de agosto

  • 5º lote: 30 de setembro

Em geral, recebem primeiro os contribuintes com prioridade legal, como idosos, pessoas com deficiência, professores e quem opta pela declaração pré-preenchida ou informa chave Pix para restituição.

O que acontece se perder o prazo do Imposto de Renda?

Quem não entrega dentro do prazo precisa lidar com a famosa multa por atraso. Ela começa em cerca de R$165 e pode aumentar dependendo do imposto devido.

Ou seja, deixar para depois não costuma ser uma grande estratégia. O leão pode até ser só um meme, mas a multa é de verdade.

O que mudou no Imposto de Renda 2026?

Uma das mudanças que chamou atenção neste ano envolve o universo das apostas esportivas e plataformas de bets.

Contribuintes que tiveram ganhos líquidos a partir de R$28.467,20 em 2025 com apostas precisarão informar esses valores na declaração. Isso acontece por causa de mudanças na legislação recente sobre o setor.

Na prática, aquilo que antes muita gente tratava como “ganho informal” agora entrou de vez no radar da Receita.

Como declarar bets no Imposto de Renda?

Ganhos com apostas esportivas e plataformas de bets precisam ser informados na declaração do Imposto de Renda quando o contribuinte recebe prêmios relevantes.

Se o imposto já tiver sido descontado pela plataforma, o valor deve ser declarado na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”, informando o prêmio recebido e o imposto retido.

Caso o prêmio tenha sido recebido sem retenção de imposto, o contribuinte ainda assim deve informar o valor na declaração e verificar se há imposto a pagar.

O mais importante é guardar comprovantes das apostas e dos saques realizados nas plataformas, pois esses registros podem ser necessários caso a Receita Federal solicite explicações.

Como funciona a restituição do Imposto de Renda?

A restituição acontece quando o contribuinte pagou mais imposto do que deveria ao longo do ano. Depois que a Receita analisa a declaração, esse valor excedente é devolvido ao contribuinte.

O pagamento é feito em lotes de restituição, que são liberados ao longo do ano. Em geral, a Receita paga cinco lotes, começando no fim de maio e seguindo nos meses seguintes.

Quem envia a declaração mais cedo e não tem erros costuma receber primeiro. Além disso, alguns grupos têm prioridade, como idosos, pessoas com deficiência e contribuintes que usam declaração pré-preenchida ou Pix como forma de recebimento.

Se a declaração cair na malha fina, a restituição fica bloqueada até que o problema seja resolvido. Por isso, preencher as informações com atenção pode acelerar bastante o recebimento do dinheiro.

Imposto de Renda tem cashback?

Entre as novidades comentadas no Imposto de Renda 2026 está um projeto piloto da Receita que lembra um tipo de cashback. A ideia é devolver valores de imposto que foram descontados na fonte de pessoas que, no fim das contas, nem deveriam pagar imposto.

Isso acontece porque muitas empresas fazem retenção automática de Imposto de Renda em pagamentos ou salários. Só que, quando se olha a renda total da pessoa no ano, ela pode acabar dentro da faixa de isenção.

Imagine alguém que trabalhou alguns meses com carteira assinada e teve pequenos descontos de IR no salário, mas terminou o ano com renda total abaixo do limite de tributação. Na prática, essa pessoa pagou imposto sem precisar.

Nesse tipo de situação, a Receita pode devolver esse valor automaticamente, mesmo para quem não é obrigado a entregar a declaração. Por isso a medida acabou sendo apelidada de “cashback do Imposto de Renda”.

Como vai funcionar o cashback do Imposto de Renda?

O pagamento será feito automaticamente para quem tiver CPF cadastrado como chave Pix. O valor máximo pode chegar a R$1 mil por pessoa, embora a média estimada fique perto de R$125. No total, o governo prevê devolver cerca de R$500 milhões para esse grupo de contribuintes.

A Receita Federal tem chamado a medida de “cashback do Imposto de Renda”, mas na prática o mecanismo funciona como uma restituição automática. A diferença é mais de forma do que de conceito.

Na restituição tradicional, a pessoa precisa fazer a declaração do Imposto de Renda para receber de volta o valor pago a mais. Já nesse novo modelo, a devolução aconteceria mesmo para quem não é obrigado a declarar, usando o cruzamento de dados do eSocial e de outros sistemas da Receita.

Ou seja, o dinheiro já era do contribuinte. A novidade é que a Receita pretende identificar automaticamente quem pagou imposto a mais e devolver o valor sem exigir a declaração.

Ainda vale declarar para recuperar imposto pago a mais?

Mesmo com essa novidade, quem teve imposto descontado em alguns meses do ano e não ultrapassou o limite de renda ainda pode optar por entregar a declaração para garantir a restituição.

Isso porque o chamado cashback depende de cruzamentos automáticos de dados e ainda está em fase de testes. Nem todos os contribuintes que pagaram imposto a mais necessariamente serão identificados nesse processo.

Por isso, declarar voluntariamente continua sendo uma forma mais segura de recuperar valores descontados indevidamente. Se o sistema automático funcionar bem no futuro, aí sim esse tipo de orientação pode mudar.

Quando o cashback do IR vai ser pago?

A previsão é que os valores do chamado cashback do Imposto de Renda sejam depositados no dia 15 de julho. O pagamento será feito automaticamente na conta vinculada ao Pix com chave CPF do contribuinte.

Para receber, a pessoa precisa cumprir alguns critérios definidos pela Receita Federal. O principal é não ser obrigada a entregar a declaração do Imposto de Renda, mas mesmo assim ter tido descontos de IR diretamente na fonte ao longo de 2025, como em salários ou pagamentos ocasionais. Também, precisa ter a chave pix vinculada ao CPF.

Além disso, a Receita precisa conseguir identificar essas retenções por meio dos dados enviados por empresas e instituições financeiras, como informações do eSocial e de declarações de rendimentos.

Ou seja, o benefício é voltado principalmente para quem teve pequenos descontos de imposto durante o ano, mas terminou 2025 com renda dentro da faixa de isenção. Nesse caso, a Receita pode devolver automaticamente o valor que foi pago a mais.

Vale a pena usar a declaração pré-preenchida?

A declaração pré-preenchida virou uma das principais ferramentas da Receita para reduzir erros e acelerar o processo.

Nesse modelo, várias informações já aparecem automaticamente no sistema, como dados enviados por empresas, bancos e planos de saúde.

Isso reduz o trabalho de digitação e também diminui o risco de divergências que podem levar à malha fina.

Mas atenção: o erro continua sendo seu

Mesmo com a pré-preenchida, o contribuinte continua responsável por conferir todas as informações. Se algum dado estiver errado ou incompleto, a responsabilidade continua sendo de quem envia a declaração.

Em outras palavras: a tecnologia ajuda, mas não substitui o bom e velho hábito de revisar antes de clicar em “enviar”.

Conclusão: o Imposto de Renda continua sendo mais organização do que matemática

Apesar de toda a complexidade que muita gente associa ao Imposto de Renda, a verdade é que grande parte do problema está na falta de organização financeira.

Quem guarda documentos ao longo do ano, registra despesas importantes e acompanha a própria renda costuma resolver a declaração em pouco tempo. Quem deixa tudo para depois acaba transformando um processo relativamente simples em uma pequena crise doméstica.

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A novidade do cashback mostra que até a Receita percebeu uma coisa curiosa: tem gente pagando imposto sem nem saber que poderia receber de volta. No fim das contas, o Imposto de Renda continua sendo menos sobre números e mais sobre entender como o dinheiro circula na própria vida. E, convenhamos, essa é uma lição financeira que vale bem mais do que qualquer restituição.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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