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A inteligência artificial chegou na venda de imóveis

Com o avanço da inteligência artificial, fotos de anúncios imobiliários podem mostrar uma versão melhor (e irreal) de casas e apartamentos.

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Por Isabel Gonçalves

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Imagine que você está procurando um novo apartamento nos sites das imobiliárias e encontrou a casa perfeita. Bonita, bem iluminada e pronta para morar. Até chegar no dia de conhecer pessoalmente e a casa não ser nada daquilo que você tinha visto. Manchas de mofo, o papel de parede descascando e até uma leve infiltração no banheiro. 

Esse tipo de situação tem ficado cada vez mais comum com o uso de inteligência artificial para melhorar fotos de anúncios imobiliários. O que antes era só uma questão de ângulo e uma foto bem tirada, hoje em dia é possível remover objetos, trocar móveis e esconder defeitos da casa. O problema é que, quando a tecnologia passa do limite da apresentação para a manipulação, o comprador pode acabar criando uma expectativa que não corresponde à realidade.

O que é “housefishing” no mercado de venda de imóveis?

No mundo dos relacionamentos, temos o “catfishing”,  quando alguém usa fotos enganosas em aplicativos de namoro, fingindo ser uma coisa que não é. No mercado imobiliário, o termo é o  “housefishing”, quando as fotos de um imóvel no anúncio parecem boas demais para ser verdade.

O anúncio mostra uma casa linda e super organizada, mas a realidade pode incluir parede descascando, infiltração escondida e uma decoração que parou no tempo. Isso acontece porque hoje é muito fácil melhorar fotos com edição digital ou inteligência artificial. Aí o comprador chega animado para conhecer o apartamento dos sonhos… e encontra algo bem mais próximo de um projeto de reforma, a famosa propaganda enganosa. 

O problema é real. Na Califórnia, uma lei entrou em vigor em 1° de janeiro de 2026, que garante que fotos alteradas por inteligência artificial devem conter identificação. 

O impacto do “housefishing” nas suas finanças

Quando as fotos de um imóvel mostram uma versão melhorada da realidade, o problema não é só a frustração na hora da visita. O risco maior é tomar uma decisão financeira importante com base em informações distorcidas.

Mas vamos combinar, a valorização do imóvel através de fotos sempre existiu. A diferença está no limite entre melhorar a apresentação e mudar a realidade. Enquanto a fotografia tradicional tenta valorizar o imóvel como ele é, o “housefishing” cria uma versão do imóvel que ele ainda não é nunca vai ser. 

Gastos com reforma

Se o anúncio esconde problemas como infiltrações, mofo, desgaste na estrutura ou acabamentos danificados, o comprador pode subestimar quanto realmente vai gastar. Aquilo que parecia um apartamento pronto para morar pode exigir reformas, pintura, troca de encanamento ou pequenos reparos logo nos primeiros meses, despesas que quase nunca estão no planejamento.

Esses custos podem facilmente chegar a dezenas ou até centenas de milhares de reais depois da compra ou da mudança. Por isso, um princípio básico das finanças pessoais é  sempre considerar o custo total da decisão, não só o preço anunciado.

Achar que a casa vale mais do que a realidade

Fotos que valorizam demais o imóvel podem fazer o comprador acreditar que ele vale mais do que realmente vale. Isso aumenta o risco de pagar um preço acima do mercado ou fechar negócio com pressa, com medo de perder um bom negócio, que só é bom na teoria. 

No fim das contas, o “housefishing” pode custar caro não só no bolso, mas também no tempo e na tranquilidade de quem está tentando encontrar um novo lugar para morar. Por isso, quando o assunto envolve dinheiro, e muito dinheiro, é sempre melhor desconfiar de anúncios perfeitos demais.

Quais os melhores sites de venda de imóveis? 

Na hora de procurar um imóvel, usar bons sites faz toda a diferença. Essas plataformas reúnem diversas opções, facilitam a comparação de preços e ajudam a entender o padrão de cada região. Mas vale lembrar que, mesmo nos melhores sites, as fotos podem não refletir exatamente a realidade.

No Brasil, alguns dos principais sites de venda e aluguel de imóveis são:

  • Zap Imóveis e Viva Real: dois dos maiores portais do país, com grande volume de anúncios e filtros completos para busca. Também ajudam a comparar preços na região.

  • OLX: funciona como um marketplace, com anúncios de imobiliárias e proprietários. Pode trazer boas oportunidades, mas exige mais atenção na verificação das informações.

  • QuintoAndar: conhecido pela experiência digital mais fluida, especialmente para aluguel. Oferece visitas virtuais e processos menos burocráticos.

  • Imovelweb: portal tradicional, com muitas opções em diferentes cidades e ferramentas para acompanhar valores de mercado.

Independentemente da plataforma escolhida, o ideal é usar esses sites como ponto de partida e não como única referência. Afinal, quando o assunto é imóvel, ver com os próprios olhos ainda é a melhor forma de evitar surpresas e proteger o seu dinheiro.

Saiba como evitar cair em anúncios de imóveis enganadores

Quem está procurando casa ou apartamento precisa adotar uma postura um pouco mais investigativa antes de se empolgar com o anúncio. A boa notícia é que alguns cuidados simples já ajudam a reduzir bastante o risco de cair em anúncios que prometem mais do que o imóvel realmente entrega. 

  • Desconfie de fotos perfeitas demais: ambientes impecáveis, iluminação muito uniforme e móveis que parecem ter saído de um catálogo na maioria das vezes são sinais de edição excessiva. Isso não significa que o imóvel seja ruim, mas vale ligar o alerta. 

  • Pesquise o endereço no Google Street View:  uma forma rápida de conferir se o entorno do imóvel corresponde ao que aparece no anúncio é usar ferramentas como o Google Street View. Assim, você pode observar a fachada do prédio, as condições da rua, o movimento da região e até possíveis elementos que não aparecem nas fotos do anúncio, como fios elétricos ou construções ao lado.

  • Peça vídeos ou visitas virtuais: para economizar tempo e energia, antes de marcar uma visita presencial, vale pedir um vídeo simples do imóvel ou uma chamada ao vivo durante a visita. 

  • Nunca decida apenas pelas fotos do anúncio: sempre que possível, visite o imóvel pessoalmente e observe detalhes como paredes, teto, piso, encanamento e ventilação. Se a compra estiver em jogo, também vale a pena levar alguém de confiança ou até um profissional para ajudar a identificar problemas que não aparecem à primeira vista.

Conclusão: olhar além das fotos é proteger o seu dinheiro

No mercado imobiliário, assim como em muitas decisões financeiras, olhar além da propaganda é uma das melhores formas de proteger o seu dinheiro. A inteligência artificial chegou pra ficar, então conviver criticamente com ela é importante. Nem toda foto editada é um problema, o risco real é criar uma realidade que não existe. 

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Por isso, ao procurar um lugar para morar, vale sempre manter um olhar crítico. Pesquisar o endereço, pedir mais imagens, assistir a vídeos do imóvel e fazer uma visita presencial são passos simples que podem evitar surpresas desagradáveis. No fim das contas, quando o assunto envolve uma  das maiores decisões financeiras que alguém pode tomar,  é melhor confiar menos nas fotos e mais na realidade. Quando o anúncio vende um imóvel melhor do que ele é, quem paga essa diferença, quase sempre, é você.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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