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Novo pedágio free flow já gera golpes. Veja como proteger seu dinheiro

pedágio eletrônico já está em várias rodovias, mas junto com a promessa de mais fluidez no trânsito vieram dúvidas, multas e uma onda de golpes digitais.

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Por Isabel Gonçalves 

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Na volta de um feriado prolongado, Marcos fez o que milhares de motoristas já se acostumaram a fazer nos últimos dois anos. Passou direto pelo pedágio sem reduzir a velocidade. Nada de fila, nada de cancela, nada de dinheiro trocado. Depois, organizando as finanças, clicou no primeiro link que apareceu no buscador, digitou a placa do carro e pagou via Pix.

Uma semana depois, veio a surpresa, além de o pagamento não ter sido reconhecido pela concessionária, surgia a ameaça de multa por evasão de pedágio. Marcos havia caído em um site falso, criado para explorar o pedágio eletrônico, o chamado free flow. A promessa de mais praticidade nas estradas está esbarrando em desinformação, insegurança jurídica e, pior, em golpes cada vez mais sofisticados.

O que é o pedágio eletrônico (free flow) e como ele funciona?

Imagine passar pelo pedágio sem precisar reduzir a velocidade, procurar moedas no console do carro ou enfrentar aquela fila que sempre anda mais devagar do que a do lado. Essa é a proposta do free flow ou, em bom português, pedágio sem cancela.

Na prática, em vez de uma praça de pedágio com cabines, há um pórtico instalado sobre a pista, equipado com câmeras e sensores. Quando o veículo passa por ali, o sistema identifica a placa e/ou a tag eletrônica instalada no para-brisa. A cobrança é feita automaticamente, sem que o motorista precise parar e esperar a cancela abrir. 

Se você tem uma tag, o valor é debitado direto na sua conta vinculada, não muda nada. Se não tem, precisa entrar no site ou aplicativo oficial, dentro de um prazo determinado e fazer o pagamento. 

Você não paga na hora, mas a conta chega. E aí está o ponto importante para o seu bolso, deixar de pagar não significa que o sistema “esqueceu” de você. O não pagamento pode gerar multa, juros e até pontos na carteira.

Como pagar o pedágio free flow?

Passou pelo pedágio, a cobrança foi registrada. Agora é só pagar dentro do prazo. Veja o passo a passo:

  1. Se não tem tag, anote a hora da passagem para conferir depois e lembrar de pagar;

  2. Acesse o site da concessionária, nada de clicar no primeiro link patrocinado que aparecer. Normalmente o site vem escrito nas placas perto do pedágio.

  3. Informe a placa e consulte se há débitos em aberto.

  4. Gere a guia ou pague via Pix ou boleto.

E dica, passou por free flow e não tem tag? Coloque um alerta no celular para consultar o débito alguns dias depois. Organização evita multa.

O que acontece se não pagar o free flow?

No pedágio tradicional, se você não tem a tag de pedágio expresso, precisa pagar na hora e se não paga, a cancela simplesmente não abre. No free flow, você passa normalmente mas a obrigação de pagar continua existindo. Se o motorista não quitar o valor dentro do prazo definido, é multa por evasão de pedágio.

E aqui está o ponto sensível, além do valor do pedágio, entram multa administrativa, juros e ainda pontos na CNH. Ou seja, aquela tarifa que poderia ser relativamente pequena pode virar uma dor de cabeça bem maior. O não pagamento é interpretado como infração de trânsito.

Golpe do pedágio free flow

Quando a dificuldade de pagamento diminui, a chance de golpe aumenta. E com o pedágio eletrônico não foi diferente. A empresa de segurança digital Kaspersky identificou mais de 50 sites falsos fazendo cobranças do pedágio free flow. 

Os golpistas criam páginas muito parecidas com as das concessionárias e ao digitar a placa do veículo, o sistema exibe dados corretos, modelo do carro, cidade de registro, o que aumenta a sensação de legitimidade.

Ao gerar a cobrança, o site oferece pagamento rápido via Pix. A pressa ajuda o golpe, a pessoa paga antes mesmo de conferir o nome do recebedor. O dinheiro geralmente vai para contas abertas em nome de terceiros (“laranjas”), o que dificulta a recuperação do valor depois.

O golpe não depende de tecnologia sofisticada, depende de comportamento. Ele funciona porque parece simples, rápido e urgente. 

Como saber se a cobrança de pedágio é verdadeira?

Primeiro, não confie no link, confie na fonte. Em vez de clicar em mensagens recebidas por SMS, WhatsApp ou no primeiro resultado patrocinado do buscador, digite diretamente no navegador o site oficial da concessionária responsável pela rodovia. Se não souber qual é, consulte o site do governo do estado ou da agência reguladora, a ANTT.

Outro ponto essencial é conferir os dados da cobrança. Sites oficiais informam claramente:

  • nome da concessionária,

  • CNPJ,

  • canais de atendimento,

  • detalhes da passagem (data, horário e local do pórtico).

Se a página for genérica, tiver erros de português, endereço estranho ou pouca informação institucional, desconfie.

Por último, na hora do pagamento, a regra é ainda mais importante, confira o destinatário do Pix ou do boleto. O nome do recebedor deve corresponder à concessionária da rodovia, não a uma pessoa física ou empresa com nome aleatório. 

O pedágio free flow é melhor que o pedágio tradicional?

Ele é mais eficiente, isso é fato. Porém, para os motoristas, ainda depende da educação do consumidor e comunicação eficiente sobre as formas de pagamento.

Quem defende a modernidade diz que traz menos filas e mais fluidez nas estradas. O modelo que elimina as as cancelas diminui gastos com estrutura e zera a necessidade de funcionários. Além da praticidade, também faz sentido do ponto de vista econômico. Com menos tempo parado, menos gasto de gasolina. 

Mas transição para o novo sistema de pedágio não tem sido tão simples. A forma de avisar as cobranças e o risco de multa automática sem que o motorista saiba o que precisa pagar é um argumento contra. Por isso, se informar é sempre a melhor solução.

Além disso, a obrigatoriedade de pagar depois exige organização financeira dos motoristas, algo que hoje em dia parece artigo de luxo. 

Conclusão: a cancela sumiu, mas a responsabilidade ficou

O pedágio eletrônico é um caminho sem volta. Ele tende a se expandir pelas rodovias brasileiras porque faz sentido do ponto de vista logístico e econômico. Nenhuma fila, mais fluidez, menos tempo perdido, como são nos pedágios expressos por tags. Até aqui, tudo positivo. Por outro lado, são menos pessoas empregadas, já que os cobradores não existem mais. 

Além disso, junto com a modernização vem uma mudança importante, a responsabilidade saiu da cabine e foi para o seu planejamento financeiro. Um clique apressado pode transformar uma tarifa simples em prejuízo duplo, pagar o golpista e ainda correr o risco de multa.

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Informação, alerta no celular e alguns minutos de conferência podem ser a diferença entre praticidade e dor de cabeça. Porque, no novo pedágio, você até passa direto. Mas o controle financeiro não pode passar batido.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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