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Tesouro Direto Garantia: o que é essa nova "garantia premium" do governo?

Durante anos, garantia foi sinônimo de dinheiro parado, confusão e briga por causa de caução.

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Por Alexia Diniz

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Durante muito tempo, falar em garantia de aluguel foi sinônimo de dor de cabeça. Quem já alugou um imóvel sabe como funciona, dinheiro pago antes de entrar no apartamento, medo de não receber de volta, insegurança para quem aluga e sensação de que a proteção não é suficiente para quem é dono do imóvel.

O problema é que o mercado imobiliário brasileiro continua usando os mesmos modelos de sempre, sem discutir se eles ainda fazem sentido. Caução, fiador e seguro fiança seguem sendo oferecidos quase no automático, muitas vezes sem explicar direito quanto custam, quais são os riscos e o que pode dar errado lá na frente. O resultado aparece no fim do contrato, brigas, processos e frustração dos dois lados.

Por isso, entender os tipos de garantia do aluguel deixou de ser detalhe. Hoje, escolher a garantia errada pode significar perder dinheiro, apertar o orçamento por meses ou descobrir tarde demais que aquela proteção que parecia segura não era tão boa assim.

Por que a garantia do aluguel é tão importante?

A garantia serve para proteger o dono do imóvel caso o aluguel não seja pago. Mas ela não deveria ser um peso só para quem aluga. Quando a garantia é bem escolhida, o contrato flui melhor, dá menos dor de cabeça e evita briga no final.

Na prática, a garantia define quem fica mais exposto ao risco. Se tudo cai nas costas do locatário, o aluguel fica mais caro e mais difícil de manter. Se a proteção do proprietário é fraca, qualquer atraso já vira estresse e insegurança. O ideal é encontrar um modelo que funcione para os dois lados.

É por isso que muita gente sai de um aluguel com a sensação de que “não era bem isso que eu tinha combinado”, mesmo tendo assinado um contrato que parecia simples no começo.

Quais são os tipos de garantia de aluguel?

Depósito caução

O depósito caução é, de longe, a forma de garantia mais conhecida no aluguel. Normalmente, funciona assim: quem aluga paga até três meses de aluguel adiantados, e esse dinheiro fica guardado para o caso de atraso no pagamento ou algum problema no imóvel. Na teoria, parece simples e até justo.

Na prática, é onde mora a confusão. Esse dinheiro costuma ficar parado durante todo o contrato e, quando chega a hora de devolver, quase sempre surgem discussões. Pintura, pequenos reparos, limpeza… tudo vira motivo para desconto, muitas vezes sem explicação clara. Quem alugou fica com medo de não ver o dinheiro de volta. Quem é dono do imóvel descobre que três meses nem sempre cobrem um prejuízo maior.

No fim das contas, o caução é popular, mas raramente funciona sem estresse. Ele dá pouca segurança para o proprietário e muita dor de cabeça para quem aluga, além de prender um dinheiro que poderia estar sendo usado ou rendendo em outro lugar.

Fiador

O fiador já foi a garantia mais comum no aluguel, mas hoje está cada vez mais difícil de usar. Para alguém ser fiador, normalmente precisa ter imóvel quitado, renda alta e aceitar assumir uma responsabilidade que não é dele. Por isso, quase ninguém topa mais  esse papel.

Outro problema é que, se o aluguel atrasa, resolver a situação pode levar tempo. Muitas vezes vira processo judicial, conversa longa e desgaste. Ou seja, no papel o fiador parece uma boa proteção, mas nem sempre resolve rápido.

Para quem aluga, o fiador costuma gerar constrangimento e dependência de outra pessoa. Para quem é dono do imóvel, passa uma sensação de segurança que pode falhar justamente quando o problema aparece.

Seguro fiança

O seguro fiança costuma ser visto como uma solução prática, principalmente para imobiliárias. Ele dispensa fiador e não exige que a pessoa deixe um valor alto parado. No papel, parece facilitar bastante a vida de quem quer alugar.

O problema é o preço. Quem aluga paga um valor alto todo ano e esse dinheiro não volta, mesmo que o aluguel termine sem nenhum problema. É um gasto fixo que não gera retorno e acaba deixando o aluguel bem mais caro ao longo do tempo.

Para quem já está com o orçamento apertado, o seguro fiança pode pesar tanto que inviabiliza a locação. Ele resolve a burocracia, mas cria um custo constante que acompanha o contrato do início ao fim.

Título de capitalização

O título de capitalização costuma aparecer como um meio-termo entre o caução e o seguro fiança. Funciona assim: quem aluga deposita um valor alto no começo do contrato, geralmente maior que o caução, e esse dinheiro fica preso até o fim do aluguel. No final, uma parte pode ser devolvida.

O problema é que esse dinheiro quase não rende e as regras nem sempre são explicadas direito. Muita gente só descobre no final que não vai receber tudo de volta ou que existem prazos e descontos que não estavam claros no início.

Ou seja, o inquilino deixa um valor alto parado por muito tempo e recebe pouco em troca. Para o dono do imóvel, até existe uma proteção, mas ela nem sempre é suficiente para cobrir todos os problemas que podem surgir.

Tesouro Direto Garantia

Nos últimos anos, começaram a surgir alternativas que tentam resolver o maior problema das garantias tradicionais do aluguel: o dinheiro ficar parado. Em quase todos os modelos antigos, o locatário precisa separar um valor alto e deixá-lo “congelado” por meses ou anos, sem render nada e ainda com risco de virar briga no final do contrato.

A ideia do Tesouro Direto Garantia é justamente mudar essa lógica. Em vez de o dinheiro ficar parado numa conta da imobiliária ou preso num produto ruim, ele continua aplicado em títulos do Tesouro Direto, rendendo normalmente. Esse valor só fica vinculado ao contrato como garantia, mas continua sendo do locatário.

Como funciona o Tesouro Direto Garantia?

A pessoa aplica o dinheiro no Tesouro Direto e autoriza que aquele valor seja usado como garantia do aluguel. Enquanto o contrato está em dia, nada acontece. O dinheiro segue rendendo. Só se houver inadimplência é que a garantia pode ser usada para cobrir o que for devido.

Isso muda bastante a relação entre as partes. O locatário não sente que “perdeu” o dinheiro ao alugar o imóvel. O locador sabe exatamente onde está a garantia, quanto vale e como ela pode ser usada. E a imobiliária deixa de administrar dinheiro de terceiros, o que reduz conflitos e desconfiança.

O que muda em relação ao caução tradicional?

No modelo antigo, o dinheiro ficava parado e frequentemente virava motivo de briga. Além disso, o caução costuma ser limitado a três meses de aluguel, o que nem sempre cobre o risco do proprietário.

No Tesouro Direto Garantia, o dinheiro segue rendendo e a cobertura pode ser maior, ampliando a proteção para quem aluga o imóvel e reduzindo a dor de cabeça de quem deposita.

Não à toa, mais de 4.500 imobiliárias já estão habilitadas a oferecer o produto, com crescimento constante a cada semana.

Dinheiro parado x dinheiro investido: qual a diferença afinal?

Agora, vamos ao ponto que mais dói no bolso.

Cenário 1: depósito caução tradicional (dinheiro parado)

 Imagine um aluguel com caução de R$ 6.000, equivalente a três meses.

Esse dinheiro:

  • fica parado

  • não rende nada

  • pode ficar preso por 12, 24, 36… até 60 meses

  • ainda pode virar discussão no fim do contrato

Se o contrato durar 5 anos, você recebe os mesmos R$6.000 de volta. Na prática, perdeu poder de compra para a inflação durante todo esse período.

Cenário 2: Tesouro Direto Garantia (dinheiro investido)

Agora imagine os mesmos R$6.000 aplicados em um título do Tesouro Selic, usados como garantia.

Supondo uma rentabilidade média de 12% ao ano, com juros compostos por 5 anos, o valor aproximado seria:

  • R$ 6.000 -  cerca de R$ 10.500 líquido

Mesmo descontando imposto de renda, ainda sobra um ganho relevante. Ou seja, o dinheiro não apenas fica protegido como garantia, mas também trabalha a seu favor ao longo do tempo.

É aí que está a diferença: no primeiro cenário, o dinheiro fica parado e perde valor. No segundo, ele continua sendo seu, e continua rendendo.

O que o locador precisa considerar sobre a garantia?

Para quem é dono do imóvel, a pior garantia é aquela que parece segura, mas falha quando o problema aparece. Três meses de caução podem não cobrir um atraso mais longo. O fiador pode não ter dinheiro disponível quando é preciso.

Além disso, escolher mal a garantia costuma gerar briga, atraso e até processo. Garantia boa é aquela que resolve o problema quando ele surge e não vira dor de cabeça quando tudo corre bem.

Qual o papel da imobiliária no contrato de aluguel?

A imobiliária deveria orientar e explicar bem as opções de garantia. Mas, na prática, muitas vezes o foco é fechar o contrato rapidamente.

É comum que trabalhem com parceiros específicos, como seguradoras ou empresas de fiança. O problema é quando a opção oferecida não é a melhor para o cliente, mas a mais conveniente para a própria imobiliária, seja porque já está integrada ao sistema ou porque gera comissão.

Quase nunca o locatário recebe uma comparação clara de custos ou entende quanto vai pagar ao longo do contrato. O contrato sai rápido, mas a conta pode sair cara depois.

Garantia de aluguel não é detalhe. E a imobiliária deveria ajudar a decidir com transparência, não apenas empurrar o que é mais fácil de vender.

Comparação entre tipos de garantia de aluguel

Para facilitar, reunimos as principais diferenças entre os tipos de garantia mais usados no aluguel. A ideia é ajudar quem vai alugar (e quem coloca o imóvel no mercado) a entender o que muda de uma opção para outra

Tabela Tesouro Direto Garantia
Tabela Tesouro Direto Garantia Reprodução Educando seu Bolso

O ponto principal não é apenas qual garantia existe, mas quem paga por ela e como esse custo pesa ao longo do tempo. Na maioria das garantias tradicionais, é o locatário quem assume quase todo o custo para diminuir o risco do proprietário.

Quando o dinheiro fica parado, preso ou é gasto com seguro, o aluguel acaba ficando mais caro do que parece no contrato. Esse custo extra não aparece no valor mensal do aluguel, mas vai pesando no orçamento mês após mês, e muita gente só percebe isso depois de já ter assinado.

Conclusão: garantia ruim gera aluguel ruim

Garantia de aluguel não é detalhe chato. Ela define se sua experiência vai ser tranquila ou cheia de estresse. Quando a garantia é ruim, o problema começa antes mesmo da mudança, e pode terminar em dor de cabeça na saída.

Prender dinheiro por anos, pagar caro e ainda correr o risco de discussão no fim do contrato não faz muito sentido. Principalmente num país onde cada real parado já perde valor.

A boa notícia? Dá pra fazer diferente. O Tesouro Direto Garantia (TDG) permite usar investimento como garantia, com o dinheiro rendendo enquanto está lá. Ou seja, ele continua sendo seu e continua trabalhando pra você.

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Então fica o recado: conheça o TDG. Leve essa opção para a imobiliária ou para o corretor no seu próximo aluguel. E, se fizer sentido, veja até a possibilidade de trocar no contrato atual. Porque aceitar a pior garantia só porque “sempre foi assim” não é obrigação. Você pode, e deve, escolher melhor.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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