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Dos "bancões" ao banco digital: a relação com o dinheiro mudou

Do gerente de banco aos bancos digitais, a tecnologia mudou a forma como os brasileiros escolhem, usam e combinam instituições financeiras.

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Por Isabel Gonçalves 

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Você se lembra quando abriu a primeira conta no banco? Tinha que ir à agência pessoalmente, pegar senha, entregar cópias de documentos e, muitas vezes, ouvir uma explicação confusa de um gerente que falava “economês” como se fosse algo óbvio? Ou foi mais prático em um banco digital com alguns cliques, sem nem precisar sair de casa, num aplicativo colorido e intuitivo?

Hoje em dia, os tempos mudaram, o banco cabe no bolso, o investimento começa com poucos cliques e o brasileiro, aos poucos, deixou de ser espectador das próprias finanças. Mas será que os “bancões” tradicionais foram deixados de lado? E no fim, qual vale mais a pena? 

A era pré-plataforma: quando gerente de banco era seu amigo

Antes dos aplicativos, a relação com o banco era quase pessoal. Todo mundo tinha um gerente “de confiança”, alguém que você conhecia pelo nome e até sabia quando ia tirar férias.

Atualizar cadastro, aumentar limite, renegociar dívida, liberar um crédito, entender uma tarifa misteriosa que apareceu no extrato, tudo passava por ele. O banco não era um serviço disponível 24 horas, era um lugar físico, com horário comercial, fila e o gerente era o tradutor oficial daquele sistema.

Para quem tinha conta há anos na mesma instituição, a sensação era de segurança: “se der problema, eu ligo para fulano”. O gerente sabia sua renda, sua história e, às vezes, até seus planos de vida. Mas isso também significava que a informação era concentrada no banco, não no cliente. 

Você dependia da explicação de alguém que representava a instituição, não necessariamente seus interesses. Taxas, regras e condições raramente eram comparadas com outras opções, até porque isso dava trabalho e quase não existiam alternativas visíveis. Podia até funcionar, mas exigia tempo, paciência e uma boa dose de fé de que o banco estava jogando no mesmo time que você.

O ponto de virada: digitalização, plataformas e mais acesso

A partir da década de 2010, duas mudanças passaram a andar juntas: tecnologia e informação. O banco saiu do prédio e foi parar na tela do computador. O internet banking mostrou que aquela relação antiga, baseada em agência e horário comercial, começava a ficar para trás.

Com isso, o cliente ganhou mais autonomia. Não era mais preciso “pedir” informações, o controle do dinheiro ficou mais rápido e menos dependente do funcionamento do banco.

O verdadeiro ponto de virada, porém, veio com os bancos digitais. Eles não apenas digitalizaram processos antigos, mas redesenharam toda a experiência. Abrir conta passou a levar minutos, não dias. Resolver problemas virou conversa por chat, e o aplicativo deixou de ser um complemento para se tornar o próprio banco.

Esse modelo também ampliou o acesso ao sistema financeiro. Pessoas que antes evitavam bancos por burocracia ou custos altos passaram a entrar no jogo. Tarifas menores, linguagem menos complicada e interfaces mais intuitivas fizeram diferença.

Com mais informação disponível, o cliente começou a comparar serviços, entender taxas, testar soluções e trocar de banco com muito menos esforço. O poder de decisão mudou de lado.

A digitalização não eliminou os bancos tradicionais, mas quebrou uma lógica antiga: a de que o cliente precisava se adaptar ao banco. A partir daí, o banco passou a ter que acompanhar o cliente.

O “portfólio bancário” virou realidade

Hoje em dia, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, não seria diferente nas finanças. Não existe um ou outro, por que não os dois? Segundo uma pesquisa recente da Akamai Technologies, o comportamento financeiro no Brasil deixou de ser uma escolha binária entre banco digital ou banco tradicional.

57% dos brasileiros usam bancos digitais e tradicionais ao mesmo tempo. Na prática, isso significa que o consumidor criou um verdadeiro portfólio bancário, usando cada instituição para uma finalidade diferente.

Qual banco vale mais a pena? 

É preciso estar atento ao que cada instituição entrega na prática e qual faz mais sentido para você. Os bancos digitais ganharam espaço justamente por resolverem um problema antigo: a burocracia. Ainda segundo a pesquisa da Akamai: 

  • 54% apontam a simplicidade como principal diferencial

Abertura de conta rápida, tudo resolvido no aplicativo. Para quem cresceu enfrentando filas e formulários, isso não é detalhe, é revolução na relação com o dinheiro.

Já os bancos tradicionais seguem relevantes, especialmente em funções específicas:

  • 42% destacam o serviço de conta salário como principal diferencial

Salários, benefícios governamentais e certas operações ainda passam, majoritariamente, por instituições tradicionais. No fim das contas, não se trata de escolher um lado, mas de usar cada banco para aquilo que ele faz melhor.

Experiência do cliente virou critério central

Durante muito tempo, o fator decisivo era tarifa. Quem cobrava menos, ganhava o cliente, por isso que os bancos digitais gratuitos chegaram com tanta força. Porém, a concorrência ficou forte e hoje, todo banco é obrigado a oferecer uma conta básica sem custos para os clientes. Por isso, as prioridades mudaram. 

Pela primeira vez, segundo a pesquisa, a velocidade na resolução de problemas (29%) superou a redução de tarifas, que liderou as preferências entre 2018 e 2023 e agora aparece em terceiro lugar.

Ou seja, o brasileiro prefere um banco que resolva rápido a um banco que cobre um pouco menos.

Banco ou instituição de pagamento? Entender a diferença virou parte da educação financeira

Com a popularização dos bancos digitais, muita gente passou a chamar tudo simplesmente de “banco”. Mas, na prática, nem toda empresa que oferece conta, cartão e aplicativo é, de fato, um banco. Algumas são instituições de pagamento (IP), e entender essa diferença é fundamental para tomar decisões mais seguras.

A grande diferença entre eles está no que acontece com o seu dinheiro enquanto ele fica guardado:

  • Bancos: São autorizados a pegar o dinheiro que você deixa lá e emprestá-lo para outras pessoas. Como o banco corre o risco de quem pegou o empréstimo não pagar, ele oferece o FGC (um seguro que te devolve até R$ 250 mil se o banco falir).

  • Instituições de Pagamento: Funcionam como uma "carteira digital". Elas não podem emprestar o seu dinheiro para ninguém. Por lei, o valor deve ficar guardado em uma conta segura no Banco Central. Por isso, elas não têm (e não precisam) do seguro do FGC, já que o dinheiro está sempre lá, separado das contas da própria empresa.

Exemplo para facilitar, imagine que você guarda R$ 100,00:

  • No Banco, seu dinheiro entra em um "bolo" que financia o carro de alguém ou o cartão de crédito de outro cliente. Você recebe uma garantia de que, se o banco quebrar, o seguro (FGC) te paga.

  • Na Instituição de Pagamento, seus R$100,00 ficam "congelados" em um cofre seguro. A empresa só cuida do dinheiro para você usar no Pix ou no cartão, mas nunca mexer nele.

No caso do Nubank, a confusão é comum. Ele não é um banco tradicional, funciona como instituição de pagamento e tem uma financeira (Nu Financeira) para fazer crédito. Já exemplos claros de bancos são Banco Inter, C6 Bank e Banco do Brasil, eles captam depósitos e podem emprestar seu dinheiro. E exemplos de instituições de pagamento são Mercado Pago, PicPay e PagBank, eles só guardam o seu dinheiro, sem emprestar para terceiros.

Para conferir se o seu “banco” é realmente um banco, você pode consultar no site do banco central.

Por trás do app bonito, existe muita complexidade

Um ponto importante levantado pela Akamai é que, apesar da experiência simples para o usuário, a infraestrutura por trás dos serviços bancários é e deve ser cada vez mais complexa.

Integrações, segurança em camadas, automação e computação em nuvem deixaram de ser “diferenciais técnicos” e passaram a ser pré-requisitos de confiança.

Como explica Saulo Miranda, vice-presidente da Akamai para a América Latina, entender como os consumidores combinam bancos digitais e tradicionais é essencial para criar serviços mais ágeis, seguros e conectados. O cliente pode não ver, mas sente quando algo falha.

Perguntas frequentes sobre bancos digitais

Quais são os 5 melhores bancos digitais?

Não existe um único “melhor banco digital” para todo mundo. O que existe são instituições que se destacam em critérios diferentes e por isso tanta gente usa mais de um banco ao mesmo tempo. Ainda assim, alguns nomes aparecem com frequência quando o assunto é experiência, serviços e popularidade no Brasil.

O Nubank por exemplo, é o segundo banco com mais clientes no país (perde apenas para a Caixa) e o maior da América Latina. O Inter se posiciona como um banco digital mais completo. O C6 Bank chama atenção pela personalização.

Confira nosso ranking de contas digitais para conferir outros bancos relevantes. 

Qual banco digital faliu?

Diferente do que se dizia nos primeiros anos da onda das fintechs, bancos digitais também podem quebrar e o Brasil já tem exemplos concretos disso. O caso mais recente é o do Will Bank, instituição de pagamento do conglomerado do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em janeiro de 2026.  

O Banco Central decretou a liquidação tanto do banco quanto da fintech após identificar problemas graves de liquidez e incapacidade de honrar compromissos. Com isso, as instituições deixaram de operar, e seus bens passaram a ser administrados para o pagamento de credores, em um processo supervisionado.

Esses episódios ajudaram a desmontar a ideia de que bancos (tanto tradicionais quanto digitais) são seguros ou imunes a crises. Eles também reforçaram a importância de entender quem está por trás da instituição, qual é o seu modelo de negócio e se os produtos oferecidos contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Em um mercado com mais opções, informação e diversificação continuam sendo as melhores formas de proteção.

Vão fechar o Nubank?

Não. Não há qualquer indicação de que o Nubank vá fechar. A mudança recente de nomenclatura, com o uso mais frequente da marca “Nu”, não tem relação com crise financeira, falência ou encerramento de operações. Trata-se de uma adequação regulatória e estratégica.

A confusão acontece porque o Banco Central passou a restringir o uso dos termos “banco” e “bank” por instituições que não têm licença bancária formal específica no país. A própria empresa comunicou que pretende obter uma licença bancária no Brasil ainda em 2026 para poder continuar usando o nome “Nubank” sem restrições, mantendo sua identidade visual e marca familiar para os clientes.

Conclusão: menos lealdade cega, mais escolha consciente

A convivência dos bancos tradicionais e dos digitais não é uma questão de troca entre um e outro, mas um reflexo direto da evolução do comportamento do consumidor. O brasileiro de hoje tem mais acesso à informação, compara produtos, entende melhor suas necessidades e passou a usar diferentes bancos de forma estratégica, de acordo com o que cada um oferece. Experiência, velocidade e transparência deixaram de ser diferenciais e se tornaram critérios básicos de escolha.

Com isso, aquela lealdade quase automática a uma única instituição perdeu força. No lugar, surgiram mais opções para decisões que podem ser perigosas. Afinal, com tanta gente no mercado, quem é realmente confiável? 

A resposta passa por alguns cuidados básicos: verificar se a instituição é autorizada pelo Banco Central, desconfiar de promessas de ganhos fáceis ou muito acima da média e entender exatamente quais serviços estão sendo oferecidos e quais custos vêm junto com eles. Transparência, canais claros de atendimento e informações acessíveis não são detalhes, são sinais de seriedade.

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Pela primeira vez, o sistema financeiro começou a se adaptar às pessoas, e não o contrário, e é por isso, que mais que nunca, escolhas inteligentes são necessárias.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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