Uma medida, várias interpretações
"Ouvi muitos argumentos contrários e favoráveis, pesquisei os critérios adotados nas principais ligas do mundo, ponderei a alegação da CBF. Não formei opinião"
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A CBF anunciou, na última segunda-feira (21/9), a decisão de limitar, gradualmente, o número de estrangeiros em partidas dos clubes brasileiros a partir do ano que vem. Atualmente é possível à agremiações verde-amarelas inscrever até nove atletas de outras nacionalidades em cada jogo, sem restrição a quantos podem estar em campo. Em 2030 será permitido que apenas cinco “gringos” assinem as súmulas por equipe, voltando ao número que vigorou entre 2014 e 2022 – em 2023, permitiram sete, passando aos atuais nove no ano seguinte.
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Ouvi muitos argumentos contrários e favoráveis à medida, pesquisei os critérios adotados nas principais ligas do mundo, ponderei a alegação da CBF de que a medida visa dar mais espaço aos atletas brasileiros, além de garantir a manutenção de uma “identidade” tupiniquim – palavras minhas – ao nosso futebol. Mas até agora não consegui formar opinião sobre o assunto.
Afinal, a Inglaterra, onde não há limite de estrangeiros, tem a melhor liga do mundo atualmente, enquanto a Itália, que impõe limites, ficou fora das duas últimas Copas do Mundo. Já a Argentina permite seis estrangeiros em seus clubes, sendo que apenas cinco podem ir para os jogos, mas até julho era a campeã mundial, passando a taça para a Espanha, que tem muitas restrições a alguns estrangeiros e nenhuma a outros, como os que fazem parte do Acordo de Cotonou, que inclui 78 países da África, Caribe e Pacífico. O mesmo vale para a França, campeã mundial em 2018.
Independentemente de resultados dos clubes ou das seleções, todas as nações citadas continuam revelando grandes jogadores. Talvez isso mostre que a principal diferença é mesmo como cada um trata a formação de seus atletas. É preciso ter atenção e cuidado – principalmente psicológico –, evitar cobranças por resultados imediatos, dar espaço à criatividade. E, principalmente, paciência e responsabilidade.
Em Minas
Uma coisa é certa: muitos clubes brasileiros terão de rever o planejamento para as próximas temporadas. A partir do ano que vem, apenas oito estrangeiros poderão ir para os jogos, número que cairá para sete em 2028 e para seis em 2029.
Um deles será o Atlético, que conta com nove jogadores não-brasileiros hoje. E o clube de Lourdes é um dos que utiliza muito seus gringos: dos 17 jogos disputados depois da Copa do Mundo, incluindo Série A, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, o Galo fez constar nove “gringos” em súmula em três. Em cinco, foram oito estrangeiros relacionados. E em seis jogos, sete.
Apenas no 1 a 1 contra o Bahia, pela 19ª rodada do Brasileiro, o técnico Eduardo Domínguez respeitou o limite que será adotado a partir de 2030. Na oportunidade, relacionou “apenas” quatro, tendo escalado três como titulares.
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Já o Cruzeiro, que tem oito estrangeiros em seu elenco, teoricamente será menos afetado pela mudança. Afinal, nas 16 vezes que entrou em campo pós-Mundial, apenas em três levou mais de cinco “gringos”, sendo dois contra o Atlético, pelas quartas de final da Copa do Brasil, quando foram seis os relacionados, assim como diante do Flamengo, pela 24ª rodada do Brasileiro. Em metade dos jogos desde julho, Artur Jorge respeitou o limite que será adotado a partir de 2030.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.