Nosso futebol cada vez mais físico
O número de atletas afastados por lesões e contusões provocadas por traumas só aumenta
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O empate por 1 a 1 no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Atlético, no Mineirão, na última terça-feira (25/8), foi justo pelo que as duas equipes apresentaram. Por se tratar apenas da metade da disputa, natural que os tradicionais rivais tenham se resguardado um pouco, deixando tudo aberto para a partida de volta, na próxima semana, na Arena MRV.
Os números ajudam a entender o que foi o jogo: em seus domínios, a Raposa teve mais posse de bola (60%) e trocou quase o dobro de passes que o adversário: 611 a 331. Porém, teve pouca objetividade e viu o Galo marcar bem e também ser perigoso no ataque, com mais finalizações (10 a 9), sendo três no alvo, contra apenas uma – a do gol – dos celestes.
Mas o que mais me chamou atenção foram as disputas de bolas, quase sempre ríspidas, por vezes beirando a violência. Por isso, não estranhei tanto quando informado que o zagueiro atleticano Ruan Tressoldi deixou o estádio de ambulância para passar por exames em um hospital de Belo Horizonte depois de empurrado por Kaio Jorge quando subiu para cabecear a bola, nem que o atacante cruzeirense Bruno Rodrigues tenha fraturado o rosto e uma das costelas após choque com o goleiro Everson. Já o zagueiro Jonathan Jesus saiu do Mineirão com uma tipoia após lesionar o ombro.
Há tempos o futebol se tornou um esporte essencialmente físico, o que deixa os jogos cada vez mais disputados. No afã de ganhar uma dividida ou mostrar raça para a torcida, alguns atletas exageram e o número de atletas afastados por lesões e contusões provocadas por traumas só aumenta.
O próprio Cruzeiro sentiu isso na pele ao perder um de seus reforços para a sequência da temporada, o atacante Gabriel Pec, logo em sua estreia com a camisa azul estrelada. Quando se preparava para arrancar no meio-campo, acabou atingido pelo zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, fraturando a tíbia esquerda durante jogo pelo Campeonato Brasileiro.
No Atlético, o zagueiro Lyanco trata de ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo. O problema ocorreu após dividida com jogador do Bragantino, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana.
Assim, tem se tornado comum ver jogadores atuando com proteções de cabeça, máscaras e partes do corpo enfaixadas, como os punhos, além das já tradicionais “botinhas” feitas antes de cada jogo para proteger os tornozelos. Do jeito que as coisas vão, corremos o risco de em breve termos jogadores usando proteções de outro futebol, o norte-americano.
Se bem que nem isso parece adiantar: estudo realizada pela Mass General Brigham, Universidade de Boston e Concussion & CTE Foundation, aponta que um em cada quatro jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021 tinham encefalopatia traumática crônica (ETC). Ou seja, mesmo com capacete, ombreiras e outros equipamentos, acabaram afetados pelas pancadas, mesmo usando todo aquele equipamento.
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Esperança
As novas medidas adotadas pela CBF para dar mais dinâmica aos jogos já começaram a dar resultados. Na vitória do Cruzeiro sobre o Flamengo por 2 a 1, no último sábado (22/8), foram 64 minutos e 37 segundos de bola rolando, segundo melhor tempo do atual Campeonato Brasileiro, atrás apenas de Chapecoense x Palmeiras (66 minutos e 28 segundos), no primeiro turno.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
