Paulo Galvão
Paulo Galvão
Jornalista formado pela PUC Minas
DOIS TOQUES

O "monstro" Neymar segue aprontando

Até no dia em que fez as coisas do jeito certo, o camisa 10 se envolveu em polêmica: ao deixar o gramado, respondeu à provocações

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A Copa do Mundo de 2026 acabou, a Espanha foi campeã, a Seleção Brasileira amargou sua pior campanha desde 1990, as principais competições nacionais voltaram a ser disputadas e eu ainda sou levado a usar este espaço para falar de Neymar. Afinal, o jogador de 34 anos chamou os holofotes para si nesta primeira semana de agosto por diversos motivos, infelizmente só um deles correto: a bela jogada e a assistência perfeita para Rony marcar o gol da vitória do Santos sobre o Remo, na noite da última terça-feira (4/8), em Belém, que deu ao time paulista a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.

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Mas até no dia em que fez as coisas do jeito certo, o camisa 10 se envolveu em polêmica: ao deixar o gramado, respondeu à provocações das arquibancadas com sorrisos irônicos e gestos, incluindo o envio de um beijo em direção à esposa de um torcedor azulino, deixando o clima ainda mais tenso.

Para completar, no corredor de acesso ao vestiário, discutiu com dirigentes e funcionários do clube paraense. Imagens mostram Neymar gritando “aqui é Santos” e, em seguida, “eliminado”, além de fazer gestos e xingar palavrões em direção aos remistas. Ainda que estivesse no calor da partida, são atitudes nada condizentes com o posto de um dos maiores ídolos do futebol neste século, incluindo de milhares de crianças mundo afora.

Chamado de “vagabundo” pelo presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, pouco depois do jogo, o craque não parece ter se arrependido do comportamento. Afinal, publicou foto nas redes sociais na qual aparece em um iate. “Vagabundiando (sic)”, escreveu ele.

No início da semana, o camisa 10 já havia gerado mal-estar na comissão técnica do Santos ao criticar supostos “vazamentos” para a imprensa de suas atividades. Como ele não poderia viajar com a delegação para a capital paraense para comandar o leilão beneficente do instituto que leva seu nome, o técnico Cuca não garantiu seu aproveitamento no jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil.

Após a classificação santista, o treinador admitiu incômodo com a situação, apesar de contemporizar. “Não é o ideal, ainda que ele esteja acostumado com isso. Eu analisei e tomei a decisão (de não escalar Neymar como titular). Não deve tê-lo agradado (ser reserva), até porque ele queria jogar”, afirmou Cuca. “Ele chegou às 14h, mas eu já tinha tomado a decisão. Nosso primeiro tempo foi legal. E ele veio e decidiu. Usamos tudo em benefício do clube, temos de unir forças.”

Se todos tivessem levado a sério o alerta feito por Renê Simões em 2010, quando Neymar tinha apenas 18 anos, talvez nada disso estivesse ocorrendo e poderíamos até ser hexacampeões mundiais. Mas o “monstro” foi criado e parece não haver mais nada a se fazer. Um caso típico de ego tão grande quanto o talento com a bola no pé.

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Arrependimento

Gianni Infantino poderia estar comemorando o sucesso da Copa do Mundo de 2026. Mas ele acabou com o próprio sossego ao anunciar a intenção de repassar à iniciativa privada parte de uma empresa a ser criada para administrar os ativos das competições da Fifa. Ele voltou atrás, mas o estrago foi feito e até sua reeleição a presidente da entidade máxima do futebol, em março de 2027, tida como garantida, está ameaçada.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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