Precisamos colocar um freio no futebol
Sei que há alguns com faturamento crescente e situação financeira controlada, mas mesmos estes têm dívidas e precisavam ter um pouco mais de juízo
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Não sou do tipo que busca impor opinião. Claro que tenho minhas convicções, mas, normalmente, prefiro convencer através do diálogo. Porém, alguns acontecimentos, tanto recentes quanto antigos, me fizeram chegar à conclusão de que algumas coisas no esporte mais popular do planeta estão saindo do controle.
A começar pelos gastos dos clubes, que parecem não ter qualquer limite. Sei que há alguns com faturamento crescente e situação financeira controlada, mas mesmos estes têm dívidas e precisavam ter um pouco mais de juízo na hora de gastar dinheiro, que vêm dos consumidores, quer dizer, torcedores. Afinal, mesmo os mais ricos têm dívidas.
O que temos visto são vários clubes contratando ou planejando contratar mesmo ainda sem ter quitado investimentos feitos em outras temporadas. Há também agremiações com folhas salariais em aberto prometendo vencimentos milionários, além de bônus, para tentar convencer atletas a defender suas cores.
Há também a falta de noção de alguns atletas, que, paparicados desde que demonstraram algum talento com a bola nos pés, se recusam a seguir normas básicas de convivência. Se acham acima dos demais, acima da Lei, e, quando raramente contrariados ou criticados, costumam ter reações completamente estapafúrdias.
Em alguns casos, esse também é o comportamento de dirigentes. Por maior que seja o clube que dirigem, ninguém joga sozinho, como bem lembrou, certa vez, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, não por coincidência, uma das poucas mulheres em cargos de destaque no nosso futebol – e também uma das mais lúcidas, ao menos publicamente.
Falando em clubes, a maioria fez a opção por elitizar seus estádios, alegando que entregam não um jogo de futebol, mas “uma experiência” ao torcedor, seja lá o que isso signifique. Sei que para desfrutar o tal “match day”, haja dinheiro.
E o preço das camisas oficiais? Os recém-lançados modelos da Seleção Brasileira custam entre R$ 449 (torcedor) e R$ 749 (jogador) no site oficial da fornecedora de material esportivo da CBF. A dos grandes clubes nunca custa menos de R$ 350 (torcedor). São valores que pesam no orçamento do trabalhador brasileiro.
Alguns torcedores também extrapolam, mas no comportamento, sejam de torcidas organizadas ou não, nos estádios ou fora deles. Precisamos de mais educação e respeito com o próximo. Adversário não é inimigo. Racismo é crime!
E quem manda no futebol também precisa encontrar o equilíbrio na hora de planejar o calendário. Não dá para aumentar infinitamente o número de jogos, criar competições, ou haverá o risco de saturar o público.
Você concorda ou discorda desses pontos? Mande sua mensagem, dê ideias para melhorar nosso futebol, para crescermos como cidadãos e torcedores.
BOA INICIATIVA
A CBF fez o papel dela ao convocar os 40 clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro e representantes das federações estaduais para reunião no Rio, quando apresentou estudo de uma empresa visando a melhoria do futebol nacional. Segundo alguns dirigentes, o diagnóstico foi muito benfeito e agora todos têm material para tirar suas conclusões e tomar as melhores decisões.
Tomara que os dirigentes cheguem a um denominador comum sobre a formação da Liga de Futebol do Brasil. Eles são os principais interessados em oferecer um produto de qualidade e que seja valorizado pelos torcedores e pelo mercado publicitário.
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Porém, duvido que isso vá se resolver a curto prazo. Tomara que esteja enganado, como em outras oportunidades.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
