Não existem "supertécnicos"
O sucesso de uma comissão técnica é determinado por muitas variáveis, entre elas material humano qualificado, infraestrutura e boa vontade dos comandados
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A chegada de um novo treinador, como ocorreu esta semana no Atlético, renova as esperanças dos torcedores em melhores resultados. A expectativa é que o novo contratado consiga corrigir os erros e potencializar as qualidades de cada atleta, levando a equipe às sonhadas conquistas. Mas vejo limitações no poder dos treinadores, por melhores que sejam.
No próprio Galo vimos isso recentemente. Só nesta década, já são nove comandantes, sendo que os melhores resultados foram obtidos por Cuca, campeão brasileiro e da Copa do Brasil em 2021. Depois dele, quem teve mais sucesso foi Gabriel Milito, que levou o alvinegro às decisões da Copa Libertadores e da Copa do Brasil em 2024. Por detalhes, ambos os títulos escaparam. Se uma das chances claras tivesse sido convertida, o resultado poderia ter sido outro e o destino do técnico argentino também – ele acabou demitido em 4 de dezembro, após completar 12 jogos sem vitórias.
O sucesso do trabalho de uma comissão técnica é determinado por muitas variáveis, entre elas material humano qualificado, boa infraestrutura para treinamentos e, principalmente, entendimento dos conceitos e boa vontade dos comandados em executar o que está sendo pedido. Mesmo quando tudo isso acontece, não há garantia de sucesso. Uma falha individual ou coletiva, na defesa ou no ataque, pode colocar tudo a perder.
Em quase 30 anos cobrindo futebol convivi com treinadores dos mais variados perfis: disciplinadores, “paizões”, táticos, “boleirões”. Todos eles ganharam e perderam títulos, obtiveram sucesso no comando e foram demitidos por não conseguirem os resultados esperados por dirigentes ou torcedores.
Para chegar a grandes clubes como Atlético e Cruzeiro, além da Seleção Brasileira, que também tive oportunidade de cobrir em três Copas do Mundo e três Copas América, quase todos tinham mais qualidades que defeitos. O que não garantiu estabilidade no cargo – ao contrário, mesmo os campeões perderam o emprego na primeira sequência ruim.
Um bom exemplo disso é Marcelo Oliveira, que montou o timaço da Raposa bicampeão brasileiro em 2013 e 2014. A queda dele, ocorrida em 2 de junho de 2015, começou mais de seis meses antes, ao perder a decisão da Copa do Brasil para o maior rival. A gota d’água foi a eliminação nas quartas de final da Libertadores, com direito a derrota por 3 a 0 para o River Plate, em 28 de maio, no Mineirão, além da campanha ruim no início do Campeonato Brasileiro.
Não sei se foi a decisão mais correta dos dirigentes celestes, mas não me espantei à época, acostumado às mudanças de comando em nosso futebol. A troca do treinador costuma ser a medida mais comum quando algo não sai como esperado, não há paciência com uma má fase, que pode ser passageira.
Torço para que Eduardo Domínguez se dê bem no Atlético e no futebol brasileiro. Soube, através de matéria assinada pela repórter Izabela Baeta, do portal No Ataque, que ele é classificado por jornalistas argentinos como um “jogadorista”, ou seja, “técnico com boa gestão de grupo, que prioriza a liberdade dos atletas em campo para extrair a melhor performance possível de seus comandados”. A ver.
De novo os estaduais
Recebi mensagens sobre a última coluna, na qual defendi o fim dos estaduais. Muitos apoiam a ideia, outros a criticam, dizendo que sou insensível à luta que é manter o futebol vivo no interior.
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Não sou dono da verdade. Minha ideia é justamente promover o debate, buscar uma saída que seja boa tanto para os grandes quanto para os clubes médios e pequenos. O certo é que, do jeito que está, é ruim para todo mundo, os maiores por terem um calendário estrangulado, os menores por não terem disputas durante o resto do ano.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
