Paulo Galvão
Paulo Galvão
Jornalista formado pela PUC Minas
DOIS TOQUES

Não existem "supertécnicos"

O sucesso de uma comissão técnica é determinado por muitas variáveis, entre elas material humano qualificado, infraestrutura e boa vontade dos comandados

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A chegada de um novo treinador, como ocorreu esta semana no Atlético, renova as esperanças dos torcedores em melhores resultados. A expectativa é que o novo contratado consiga corrigir os erros e potencializar as qualidades de cada atleta, levando a equipe às sonhadas conquistas. Mas vejo limitações no poder dos treinadores, por melhores que sejam.

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No próprio Galo vimos isso recentemente. Só nesta década, já são nove comandantes, sendo que os melhores resultados foram obtidos por Cuca, campeão brasileiro e da Copa do Brasil em 2021. Depois dele, quem teve mais sucesso foi Gabriel Milito, que levou o alvinegro às decisões da Copa Libertadores e da Copa do Brasil em 2024. Por detalhes, ambos os títulos escaparam. Se uma das chances claras tivesse sido convertida, o resultado poderia ter sido outro e o destino do técnico argentino também – ele acabou demitido em 4 de dezembro, após completar 12 jogos sem vitórias.

O sucesso do trabalho de uma comissão técnica é determinado por muitas variáveis, entre elas material humano qualificado, boa infraestrutura para treinamentos e, principalmente, entendimento dos conceitos e boa vontade dos comandados em executar o que está sendo pedido. Mesmo quando tudo isso acontece, não há garantia de sucesso. Uma falha individual ou coletiva, na defesa ou no ataque, pode colocar tudo a perder.

Em quase 30 anos cobrindo futebol convivi com treinadores dos mais variados perfis: disciplinadores, “paizões”, táticos, “boleirões”. Todos eles ganharam e perderam títulos, obtiveram sucesso no comando e foram demitidos por não conseguirem os resultados esperados por dirigentes ou torcedores.

Para chegar a grandes clubes como Atlético e Cruzeiro, além da Seleção Brasileira, que também tive oportunidade de cobrir em três Copas do Mundo e três Copas América, quase todos tinham mais qualidades que defeitos. O que não garantiu estabilidade no cargo – ao contrário, mesmo os campeões perderam o emprego na primeira sequência ruim.

Um bom exemplo disso é Marcelo Oliveira, que montou o timaço da Raposa bicampeão brasileiro em 2013 e 2014. A queda dele, ocorrida em 2 de junho de 2015, começou mais de seis meses antes, ao perder a decisão da Copa do Brasil para o maior rival. A gota d’água foi a eliminação nas quartas de final da Libertadores, com direito a derrota por 3 a 0 para o River Plate, em 28 de maio, no Mineirão, além da campanha ruim no início do Campeonato Brasileiro.

Não sei se foi a decisão mais correta dos dirigentes celestes, mas não me espantei à época, acostumado às mudanças de comando em nosso futebol. A troca do treinador costuma ser a medida mais comum quando algo não sai como esperado, não há paciência com uma má fase, que pode ser passageira.

Torço para que Eduardo Domínguez se dê bem no Atlético e no futebol brasileiro. Soube, através de matéria assinada pela repórter Izabela Baeta, do portal No Ataque, que ele é classificado por jornalistas argentinos como um “jogadorista”, ou seja, “técnico com boa gestão de grupo, que prioriza a liberdade dos atletas em campo para extrair a melhor performance possível de seus comandados”. A ver.


De novo os estaduais

Recebi mensagens sobre a última coluna, na qual defendi o fim dos estaduais. Muitos apoiam a ideia, outros a criticam, dizendo que sou insensível à luta que é manter o futebol vivo no interior.

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Não sou dono da verdade. Minha ideia é justamente promover o debate, buscar uma saída que seja boa tanto para os grandes quanto para os clubes médios e pequenos. O certo é que, do jeito que está, é ruim para todo mundo, os maiores por terem um calendário estrangulado, os menores por não terem disputas durante o resto do ano.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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