A nossa sociedade está envelhecendo, aqueles jovens das décadas de 80 e 90 (que parece ter sido ontem), hoje já estão na faixa dos 60 anos ou mais.
Embora ainda estejam com força física e mental, tendo como aliados o conhecimento, a experiência, são vistos silenciosamente, como velhos, ultrapassados, incapazes de acompanhar os avanços sociais e tecnológicos.
Essa visão equivocada é chamada de etarismo ou idadismo, sendo o preconceito, a discriminação, a estereotipagem baseada na idade de uma pessoa. Afeta pessoas de diferentes idades, os mais jovens por não terem a idade ideal e os mais velhos por já terem “passado da idade”.
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Mas se observarmos, veremos que atinge fortemente as pessoas mais velhas, pois os jovens têm uma vida inteira pela frente e os primeiros, são tratados como se estivessem anulados.
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A OMS, juntamente com Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), no ano de 2021 lançou a Campanha Mundial de Combate ao Idadismo- liberando um relatório um relatório sobre o idadismo (etarismo).
Então vejamos:
A OMS define o etarismo como as atitudes, estereótipos e comportamentos direcionados a pessoas com base na sua idade. Ele se manifesta em três dimensões principais:
- Cognitiva: Estereótipos (como pensamos sobre a idade).
- Afetiva: Preconceitos (como nos sentimos em relação à idade).
- Comportamental: Discriminação (como agimos em relação à idade).
Ele pode ser institucional (leis e normas), interpessoal (interações sociais) ou autodirigido (quando a pessoa internaliza o preconceito contra si mesma).
Principais Descobertas do Relatório
O relatório destaca que o etarismo é uma "ameaça silenciosa" com impactos profundos na saúde e na economia:
• Impacto na Saúde Mental e Física: Em idosos, o etarismo está associado a uma saúde física e mental pior, maior isolamento social, insegurança financeira e uma redução na qualidade de vida. Estima-se que pessoas com atitudes negativas sobre o próprio envelhecimento vivam, em média, 7,5 anos a menos.
• Custo Econômico: O preconceito gera custos bilionários para os sistemas de saúde. Só nos Estados Unidos, um estudo citado aponta que o etarismo custa US$ 63 bilhões anuais em gastos excessivos com saúde.
• Alcance Global: Uma em cada duas pessoas no mundo mantém atitudes moderada ou altamente etaristas contra idosos.
Estratégias de Combate
O relatório da OMS não apenas diagnostica o problema, mas propõe três pilares de intervenção que se mostraram eficazes:
1. Políticas e Leis
A criação de legislações que proíbam a discriminação baseada na idade, especialmente no mercado de trabalho e no acesso a serviços de saúde. Isso inclui a revisão de normas institucionais que utilizam a idade como critério arbitrário de exclusão.
2. Intervenções Educativas
Programas que começam desde o ensino fundamental até a universidade para desmistificar estereótipos. A educação ajuda a reduzir o medo do envelhecimento e a valorizar a contribuição de todas as faixas etárias para a sociedade.
3. Intervenções de Contato Inter geracional
Esta é considerada uma das estratégias mais eficazes. Promover atividades que coloquem pessoas de diferentes gerações para trabalhar ou conviver juntas reduz o preconceito mútuo e aumenta a empatia.
Vale a pena fazer a leitura do material sobre o assunto, bem como do Governo Federal.
Estatuto do Idoso
Não podemos nos esquecer da Lei 10741/03 – Estatuto do idoso que garante o direito de viver como os demais cidadãos brasileiros, seja no mercado de trabalho, na escola, no lazer, na sociedade.
Conclusão
Esse é um debate é urgente!
Com o envelhecimento acelerado da população global, o etarismo se torna uma barreira para o desenvolvimento sustentável. A vida não acaba aos 50, 60, 70, 80 anos, é somente com a morte. Até lá, todos os direitos de viver com dignidade devem ser preservados, o isolamento adoece, entristece e mata antes da hora.
No Brasil, onde a transição demográfica ocorre de forma muito rápida, combater a ideia de que produtividade e competência terminam após os 60 anos é essencial para a manutenção da dignidade humana bem como a estabilidade econômica.
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Rosane Ferreira – advogada civilista
