Como as cidades inteligentes estão acelerando a inovação?
Cidades que aprendem mais rápido inovam mais rápido e o RFI tem sido fundamental nesse processo
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O setor público brasileiro convive com uma contradição diária. A sociedade exige serviços digitais, rápidos e personalizados, mas a máquina pública ainda opera com ferramentas pensadas para um país que não existe mais. Algumas cidades, porém, têm utilizado um atalho muito útil: antes de contratar tecnologia, pergunta-se ao mercado o que é possível fazer. Esse gesto simples muda tudo, porque a contratação pública passa a ser um processo de aprendizado.
São Paulo fez isso quando decidiu modernizar seus semáforos. Porto Alegre seguiu caminho parecido ao buscar soluções para monitoramento de enchentes. Fortaleza usou desafios públicos para testar tecnologias de mobilidade antes de qualquer contratação formal. Curitiba usou esse modelo para testar soluções de mobilidade e gestão de resíduos. Recife fez o mesmo em segurança urbana e monitoramento ambiental. Florianópolis aplicou consultas ao mercado para projetos de governo digital. Salvador usou chamadas abertas para explorar tecnologias de saúde e educação. Cada cidade criou e aplicou uma modelagem própria que possui especificidades, mas dois aspectos são comuns a todos eles: o princípio de que ninguém inova sozinho e a ideia de que primeiro é preciso aprender para só depois contratar.
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Essa última, inclusive, é uma determinação da Lei nº 14.133, chamada Nova Lei de Licitações, segundo a qual a fase preparatória de qualquer contratação deve incluir investigação de mercado e levantamento de soluções disponíveis. No âmbito dos órgãos de controle, o Tribunal de Contas da União já afirmou, mais de uma vez, que consultas estruturadas reduzem riscos, aumentam a transparência e melhoram a qualidade das compras públicas. Reparem, portanto, que a lógica de aprender primeiro para comprar depois é uma exigência legal e uma recomendação pública, ou seja, sua adoção reduz o risco dos servidores que a aplicam.
Para além do aspecto legal, é importante perceber que o impacto disso é realmente profundo. Quando um governo lança um RFI, ele descobre tecnologias que nem sabia que existiam, entende o custo real das soluções, identifica riscos antes que eles se tornem problemas e evita escrever editais desconectados do mercado, mas não para por aqui. Esse processo de escuta abre um espaço que aproxima universidades e centros de pesquisa do mercado e dá voz e relevância às startups.
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Por tudo isso, para o bem do desenvolvimento das cidades inteligentes no Brasil, essa prática precisa ser mais fortalecida nas políticas públicas. O RFI ilumina o caminho em um país onde a burocracia costuma ser vista como obstáculo, mostrando que é possível inovar com responsabilidade, planejamento e velocidade. À medida que as cidades se tornam mais inteligentes, se espera que esse mecanismo contribua mais e mais para que os governos aprendam continuamente, tudo porque a pergunta “o que vocês sabem que eu ainda não sei?” recebe um lugar de destaque.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
