Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após o primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% das intenções de voto contra 48% de Lula (PT), diferença de quatro pontos percentuais. Como trata-se de uma disputa de dois únicos possíveis resultados – Flávio ou Lula – cada voto que se retira de um lado vale por dois, pois soma-se ao outro.


No primeiro turno, realizado no domingo, 4, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos; Lula, 45,16%. Na reta final observou-se em favor de Flávio o deslocamento do voto útil das candidaturas de Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo), que sempre tiveram uma atuação mais próxima ao bolsonarismo. Também o balaio de votos do escritor Augusto Cury (Avante), que chegou em alguns levantamentos de campo a pontuar 11%, se esvaziou nas duas últimas semanas que antecederam o pleito. Nas urnas, Cury somou 2,38%; Caiado, 2,18%; e Romeu Zema, 0,27%. Todos os três já declararam apoio a Flávio Bolsonaro.


Renan Santos (Missão), representante da direita liberal, que fez as mais duras críticas a Flávio Bolsonaro durante a campanha, não vai se posicionar nesta disputa. Em live transmitida, na quarta, 7, pelo canal do MBL do Youtube, Renan firmou a identidade do partido que preside: “Ninguém aqui é Flávio Bolsonaro. Nós somos Missão, somos algo em si”. Ao criticar o candidato do PL, disparou: “Ele ficou muito rico fazendo negócio com pessoas complicadas, e agora ele vai ficar ainda mais rico porque ele não vai ter nenhum limite para fazer negócio com pessoas complicadas. E a verdade é que, em um governo dele, pessoas complicadas poderão fazer cada vez mais negócios, inclusive com ele”.


Renan tem interagido de forma bem humorada com internautas de esquerda nos últimos dias, e ganhou espaço nas redes de Anitta, que compartilhou um vídeo dele. Mas ele já avisou que não apoiará Lula. A esta altura do jogo, em que segundo o Datafolha há apenas 1% de indecisos, o eleitorado que optou por um dos concorrentes que tentou se firmar como terceira via se posicionou antes.

 


Neste momento, Flávio Bolsonaro é o favorito. E como na política a expectativa de poder é a principal força gravitacional, os partidos que integram o Centrão – PP, União e Republicanos – que se mantiveram neutros no primeiro turno, já lhe hipotecaram apoio. Na mesma toada segue o MDB, que deverá anunciar a sua posição nesta sexta-feira, 9. Estão de olho em futuros espaços a ocupar.


Na prática, esses partidos não geram identidade popular; menos ainda votos num cenário de disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Apesar da decisão de Caiado, o PSD de Gilberto Kassab, anunciou neutralidade formal, colocando-se em posição para seguir transitando nos dois campos. Ainda nesta quinta, 8, o governador de Minas eleito Cleitinho (Republicanos), que anunciou no primeiro turno voto em Flávio Bolsonaro, foi levado até ele pela cúpula do PL mineiro. Cleitinho tratou de arrancar compromissos para Minas em eventual eleição.


Flávio Bolsonaro surfa na onda de apoios e vem sendo tratado como “virtualmente” eleito: já discute a composição de governo e indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF). Do outro lado, a campanha de Lula ainda digere o resultado do primeiro turno, em que teve 2,2 milhões de votos a menos do que o adversário, que representa 1,87 ponto percentual. Em meio à busca de culpados, emergem velhos ressentimentos coletivos entre petistas e aliados em relação à primeira-dama, Janja. É parte do processo de acomodação de toda campanha que entra em desvantagem no segundo turno. A bola segue em campo. O segundo turno é outra eleição.


Em alta

O presidente licenciado da Fiemg Flávio Roscoe, que foi candidato do PL ao governo de Minas, é nome cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições. Além de próximo à família Bolsonaro, Roscoe tem o apoio de políticos mineiros e representantes do setor produtivo que respaldam a campanha de Flávio Bolsonaro.


Tucanos

O PSDB decidiu liberar os diretórios estaduais para se posicionar em relação ao segundo turno da disputa presidencial. Após consultar diretórios no país e a Executiva, o presidente nacional, deputado federal Aécio Neves constatou que a maioria se divide entre a neutralidade e o apoio a Flávio Bolsonaro; uma minoria defende apoio a Lula. Em nota, Aécio assinalou: “O PSDB reafirma seu compromisso com a democracia e espera que o presidente eleito possa liderar o Brasil no caminho da prosperidade, da justiça e da pacificação nacional”.


Renzo Braz

O novo senador mineiro Renzo Braz (PP), que assumiu a cadeira de Rodrigo Pacheco em 30 de setembro, proferiu, nesta quarta, 7, o seu primeiro discurso no Senado Federal. Anunciou disposição de interlocução com qualquer que seja o futuro presidente eleito, Lula ou Flávio Bolsonaro. Ex-deputado federal e empresário, Renzo Braz é sobrinho de Bráulio Braz (PL), primeiro suplente do senador eleito Domingos Sávio (PL). O mandato de Renzo Braz se encerrará
em 1º de fevereiro de 2027, quando serão empossados os novos parlamentares eleitos.


Nova legislatura

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Além da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e do deputado federal Domingos Sávio (PL), ambos eleitos para o Senado, em 2027, Alex Diniz (PL) irá assumir em janeiro a terceira cadeira de representação de Minas, em substituição ao senador Cleitinho (Republicanos), eleito para o governo de Minas.

compartilhe