Depois de comprometer com a sua candidatura à Presidência da República a chamada “unidade da direita” em Minas, como pretendia o governador Mateus Simões (PSD), atraindo para a sua coligação à reeleição também o PL, Romeu Zema (Novo) é pressionado por aliados do Novo a desistir de concorrer para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já no primeiro turno. O movimento se intensificou após o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) anunciar a desistência da candidatura ao Senado ontem, para apoiar os candidatos da chapa bolsonarista.


Em Minas, o candidato ao Senado Marco Antônio Superman (Novo) já declarou apoio a Flávio e fez um apelo para que Zema desista. Com 1% da intenção de voto nas pesquisas para o Palácio do Planalto, a ficha começa a cair na campanha do mineiro, que ainda sonhava em repetir a sua performance no atípico contexto das eleições de 2018, marcado pelo lavajatismo e negação da política.


O momento é outro. Não será desta vez que o raio cairá pela segunda vez no mesmo lugar. A sucessão presidencial se desenha em torno de dois pólos – o lulismo e o bolsonarismo. As candidaturas que tentaram se firmar como terceira via não vingaram. O escritor Augusto Cury (Avante), que em alguns levantamentos chegou a alcançar 11% das intenções de voto, caiu para 4% na mais recente Quaest divulgada nesta segunda-feira, 28. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, tem 4%. Renan Santos (Missão), 3%. Zema minguou a 1% no plano nacional e, em Minas, o desempenho tem sido igualmente pífio: alcançou 2% em algumas pesquisas.


Sob pressão de aliados, o ex-governador de Minas vê o balão de apoio murchar. Foi forçado a liberar parlamentares e candidatos do Novo em vários estados para declarações de voto em seu adversário Flávio Bolsonaro. Mateus Simões gostaria de fazer o mesmo. Nesta reta final, é no campo da direita que Mateus busca votos para tentar alcançar o segundo turno. Só que essa via está congestionada. Parte dos eleitores bolsonaristas abraçaram a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos).


O empresário Flávio Roscoe (PL), que reivindica o direito “original” de se declarar candidato da família Bolsonaro no estado, trabalha para intensificar a associação de seu nome com Flávio Bolsonaro, também apostando que terá tração para ultrapassar o deputado federal Patrus Ananias (PT), segundo colocado da disputa, liderada por Cleitinho.


Se declarar apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Mateus acredita que também estará na mesma raia de competição de Flávio Roscoe e Cleitinho, pescando o voto bolsonarista. Mas, diria o poeta a Mateus: “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra/no meio do caminho tinha uma pedra”. Como campanhas, em geral, não são feitas por poetas, o entorno do governador classifica a resistência de Zema em liberar o seu caminho no estado de “fogo amigo”.

 


Alguns defensores da desistência de Romeu Zema argumentam que ele evitaria o desgaste de sair das urnas com uma votação irrisória no estado em que governou por quase oito anos e, na melhor das hipóteses, ainda poderá negociar um ministério em eventual governo de Flávio Bolsonaro, caso se eleja.


Braço direito de Romeu Zema, também sob pressão do desempenho de Zema, o ex-secretário de estado da Comunicação, Bernardo Santos, perdeu a compostura nas redes sociais. Indignado com a mensagem de um eleitor, que afirmou não votar em Zema por percebê-lo como um “capiau”, Santos franqueou a esbórnia de impropérios. Num vídeo de 30 segundos, utilizou doze palavras e expressões de baixo calão – entre as quais, “tem de se f...” , “p...q...p...”, “cac...”, “bostas” e ainda mandou “vaselina no...”.


No post, disponível em seu perfil do Instagram, Bernardo Santos chamou o interlocutor de “animal”. Como se não bastasse, sacou-lhe um “mongol”, gentílico que se refere a quem nasce ou vive na Mongólia, mas, que sob o intelecto de Bernardo Santos, assumiu a forma ofensiva, adotada no século XIX para se referir a pessoas com Síndrome de Down.


Para pedir voto em favor de Zema, Bernardo Santos agarrou a contraposição identitária entre “interior x capital”. Atacou a população das grandes cidades, chamando-a de “arrogante”, apostando assim para encher o saco de votos de Zema com eleitores do interior. Obcecado em seu sonho de conquistar o Palácio do Planalto, o grupo que abraça Zema, a esta altura, parece entregar apenas o espelho de sua própria derrota: um palanque esvaziado, uma retórica rebaixada ao lodo e o desespero de quem não sabe viver sem o palco, mesmo quando o teatro já pegou fogo.

 

Direito de...


O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que o governador Mateus Simões (PSD) publique em suas redes sociais um direito de resposta produzido pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O vídeo deve ser publicado até meia-noite desta terça-feira, 29. O tribunal entendeu que a campanha de Simões divulgou uma informação falsa ao afirmar que o candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho, o ex-prefeito Luís Eduardo Falcão (Republicanos) seria investigado em uma CPI da Câmara Municipal de Patos de Minas.

 

... resposta

O advogado especialista em direito eleitoral, Raimundo Cândido Neto, que faz parte do jurídico da chapa de Cleitinho e Falcão, apresentou no processo uma declaração subscrita pelo vereador Paulo Augusto Corrêa, relator da CPI, que concluiu, após consulta aos registros oficiais da Comissão, que Luís Eduardo Falcão “não figura como investigado no âmbito da CPI”.

 

Grande Colar

O buffet da solenidade do Grande Colar do Mérito Legislativo Municipal de Belo Horizonte vai custar R$ 27,5 mil, 38,19% a mais aos cofres públicos em relação aos R$ 19,9 mil despendidos em 2025. Segundo o Lgislativo, o aumento se explica pela ampliação do serviço contratado. Dos 500 participantes estimados, 250 serão atendidos pelo serviço volante, com garçons, enquanto os outros 250 terão acesso ao buffet no sistema à americana, de autosserviço.

 

Apostas

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou à Justiça Federal nesta segunda-feira, 28, uma ação civil pública contra 17 empresas responsáveis por 20 marcas de apostas online. A União pede o ressarcimento dos gastos públicos para o tratamento de pacientes com problemas de saúde associados aos jogos e uma indenização de pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

 

compartilhe