As pesquisas Datafolha e Quaest de intenção de voto para o governo de Minas, divulgadas nesta quinta, 24 e na terça, 23, respectivamente, apontam tendências semelhantes: o senador Cleitinho (Republicanos) lidera a corrida com ampla margem; o deputado federal Patrus Ananias (PT) está na segunda posição, se descolando do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) que apresenta oscilação negativa entre levantamentos do mesmo instituto. Quaest e Datafolha indicam Cleitinho e Patrus em linha de crescimento. Exceção ao empresário Flávio Roscoe (PL), que oscila positivamente, mas, até aqui, de forma insuficiente para se destacar entre as candidaturas, os demais estão estagnados ou oscilando negativamente. As duas pesquisas sugerem que Cleitinho está a uma curta distância de vencer a eleição em primeiro turno, que varia, considerando a margem de erro dos levantamentos, entre aproximadamente 0,5 e 1,5 ponto percentual no Datafolha e entre 0,3 e 2,7 pontos percentuais na Quaest.
A Quaest aponta Cleitinho com 37% das intenções de voto, Patrus com 16% das preferências, que se somam aos 24% de intenções de voto das demais candidaturas. Indecisos são 16% e brancos e nulos, 7%. A pesquisa Datafolha registra Cleitinho com 40%; Patrus com 15%; Alexandre Kalil com 9%; o governador Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe com 5% cada; o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB) com 3%; Túlio Lopes (PCB) com 2%; e Indira Xavier (UP), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO) com 1% cada. Indecisos somam 10% e brancos e nulos, 9%. Por um problema de arredondamento, as estimativas do Datafolha estão ultrapassando 100%. Essa é uma situação que pode ocorrer nas estatísticas de survey. O relevante desta análise, contudo, é a evolução das estimativas ao longo do tempo.
Com mais de um terço do tempo de propaganda política e com a máquina administrativa na mão, o que garante um conjunto de facilidades aos incumbentes que disputam a reeleição, a campanha de Mateus Simões se vê diante de um novo paradigma, imposto pela tecnopolítica. Diferentemente de outros pleitos, nem a primeira semana, nem a segunda semana da propaganda política influenciaram de forma significativa o desempenho das candidaturas. Por ser desconhecido, Mateus precisava muito do tempo, mas também da atenção do eleitor. E aí reside o problema. A disputa ao governo de Minas parece apontar para o abismo entre as mensagens das campanha e o eleitor. Num contexto de frustrações e desalento com promessas não cumpridas pela democracia, invariavelmente hiperdimensionadas por uma realidade paralela construída pelos algoritmos, nada que venha do ambiente da política parece motivar o eleitor mediano.
A atenção segue presa à altura de suas mãos, hiperfragmentada num feed variado de informações e desinformações, ao gosto do cliente e dos donos das plataformas. Chamar o eleitor para a conversa relacionada à eleição ao governo do estado parece tarefa ainda mais desafiadora. Se comparado ao governo municipal, que gere questões da cidade em que as pessoas vivem e ao governo federal, ao qual se atribui a responsabilidade pela condução da economia e o bem estar geral da população, o governo do estado é uma abstração. Nesse sentido, as campanhas estão lutando, ainda sem superar o desafio. Cleitinho que já tinha visibilidade nas redes por seu particular modo de comunicação em crítica aberta ao “sistema”, segue em linha de crescimento. Patrus se beneficia pela associação com Lula e da militância da esquerda, embora ainda não na mesma dimensão do tamanho do lulismo em Minas. Já Flávio Roscoe, candidato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Minas, que teria no bolsonarismo a sua tração, está sem espaço para crescer: sem se vincular ao palanque presidencial, Cleitinho já havia atraído para si esse nicho, mesmo antes de declarar voto em Flávio Bolsonaro. Dito de outra forma, Flávio precisa de Flávio para tentar um impulso na sucessão estadual. Mas é de Cleitinho que Flávio, o Bolsonaro, precisa no estado para o cabo de guerra na disputa pelo Palácio do Planalto.
Corrida ao Senado
A pesquisa Datafolha ao Senado, divulgada nessa quinta, 24, apresenta a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) com 13% das intenções de voto, liderando numericamente a disputa, mas em situação de empate técnico com Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB), que têm 11% cada um. Domingos Sávio (PL) registra 9% das preferências. Marcelo Aro (PP) tem 6% e Áurea Carolina (PSOL), 5%. Ana Luiza do MLB (UP), Marco Antônio Superman (Novo) e Manoel Carvalho (MDB) aparecem com 2% cada. Outros cinco candidatos marcam 1%: Carlin Moura (Avante), Victória Mello Vic (PSTU), Arcanjo Pimenta (MDB), Tião Pessoa (PCO) e Fidélis Alcântara (UP). Jordano Metalúrgico (PSTU) e Juiz Ramon Moreira (DC) não pontuam. Indecisos somam 21%. Votos em branco ou nulo são 14%. Foram1.204 entrevistas entre os dias 22 e 24. A margem de erro máxima prevista é de três pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
Carta a Rubio
Em carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, 31 congressistas norte-americanos acusaram nessa quinta-feira o governo Trump de interferência nas eleições brasileiras. Entre os signatários estão o senador independente Bernie Sanders, a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida por suas iniciais AOC, e outros 29 deputados democratas. Os congressistas norte-americanos assinalaram na carta: "Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão atuando como um agente de interferência e desestabilização – usando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que correm o risco de enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral do Brasil e causar ainda mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA".
PCC e CV
Entre as medidas elencadas que para os congressistas indicam tentativa do governo Trump de interferência na eleição brasileira, estão o novo tarifaço e a classificação das organizações criminosas como terroristas. "As autoridades do Brasil, que têm proposto repetidamente a ampliação da cooperação EUA-Brasil no combate ao crime organizado transnacional, expressaram preocupações de que essa designação possa ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, incluindo medidas financeiras punitivas, como tarifas ou sanções", escreveram os parlamentares.
Tarifa zero
Em meio às eleições de 2026, uma nova plataforma quer transformar a discussão sobre transporte público gratuito em compromissos públicos de quem concorre à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. A campanha “Bancada da Tarifa Zero” permite que eleitores cobrem diretamente candidatos a deputado e senador e acompanhem quem já aderiu à proposta. No site tarifazero.bonde.org, as candidaturas podem aderir à Carta pela Bancada da Tarifa Zero, assumindo publicamente o compromisso com a pauta.
Mensagens diretas
Os eleitores encontram, na mesma plataforma, uma ferramenta para enviar mensagens diretamente aos candidatos pelo Instagram. “Durante as eleições, candidatos apresentam suas prioridades e pedem a confiança dos eleitores. A plataforma cria um caminho para fazer o movimento inverso também: permite que a população diga quais compromissos espera de quem quer representá-la. E, quando essa posição é assumida publicamente, ela pode continuar sendo cobrada depois da eleição”, afirma Annie Oviedo, mobilizadora de campanhas nacionais do BONDE, organização que integra a mobilização.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
