Exceção ao senador Cleitinho (Republicanos), que deverá anunciar no próximo 25 de julho a sua candidatura ao governo de Minas, está definido o primeiro rascunho da disputa à sucessão mineira de 2026. São seis competidores principais, considerando as legendas com representação na Câmara dos Deputados: o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PL); o senador Cleitinho (Republicanos); o governador Mateus Simões (PSD); o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB); o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT); e o deputado federal Patrus Ananias (PT). São também esperadas candidaturas de legendas menores: Túlio Lopes (PCB), Ben Mendes (Missão) e Rafael Duda (PSTU).


O anúncio da candidatura de Cleitinho é esperado para a convenção do Republicanos. Embora até aqui o senador tenha dado sinais ambíguos em relação à corrida estadual, reuniões entre as cúpulas nacionais do PL e do Republicanos realizadas nesta semana avançaram na composição da coligação em Minas Gerais, que não vai se reproduzir no plano nacional. Cleitinho vinha resistindo a formalizar a aliança com o PL, entendendo que a formalização do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas poderia afastar dele eleitores que gostam de Lula. Por isso, vinha sinalizando que se concorresse ao Palácio Tiradentes, o seu vice seria Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos, que se desincompatibilizou e se filiou ao Republicanos para aderir a esse projeto. Mas as conversas entre PL e Republicanos avançaram e está mais próxima a construção de uma chapa encabeçada por Cleitinho com Vittorio Medioli de vice. De olho nessa composição, o PL adiou a sua convenção de 23 para 27 de julho, após a formalização das definições do Republicanos. Mas, se os ventos soprarem em direção oposta, o PL sairá com Vittorio Medioli.


O anúncio da candidatura de Patrus Ananias (PT) deu a largada para a organização na disputa dos partidos aliados de Lula. Por acerto entre direções nacionais, o PSB de Jarbas Soares caminha para a aliança com a Federação PT-PV-PCdoB. Esse é um alinhavado que, em Minas, tende a não se fechar sem um rastro de mortos e feridos, sobretudo lideranças resistentes ao campo da “esquerda”, embora abrigadas na chapa socialista à Câmara dos Deputados. Dentro da perspectiva da unidade entre PT e PSB, a Jarbas Soares estão postas algumas possibilidades: compor como vice, apresentar-se à segunda vaga para o Senado ou deixar que outro socialista, como Clésio Andrade ou Josué Gomes da Silva, ocupe tal lugar. Ainda que no PSB algumas lideranças se movimentem para tentar uma composição com o MDB ou mesmo com a Federação União Progressista, não é nesse ritmo que a banda toca. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, pode explicar o porquê. Já o Psol de Maria da Consolação também deverá agregar, junto com a Rede, a frente do campo lulista em torno de Patrus Ananias.


Se por um lado o PSB, Psol e Rede fecham a coligação com o PT, as chances de ampliar o leque de alianças em direção ao PDT e ao MDB, como desejariam os petistas, são menores. Embora o PDT esteja, no plano nacional na base de Lula e, no Rio Grande do Sul, o PT tenha apoiado o PDT em detrimento de candidatura própria, em Minas, Kalil tem o segundo melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Não está disposto a desistir sem tentar, ainda que a esta altura analistas prospectem que a candidatura de Patrus vá drenar votos da esquerda que gravitaram para Kalil nas eleições municipais de 2016 e de 2020. As primeiras pesquisas de intenção de voto pós-consolidação do cenário estadual darão sinais de eventual impacto da candidatura de Patrus sobre o desempenho de Alexandre Kalil.


Já o MDB, que no plano nacional adotou a neutralidade, liberando estados para diferentes composições, reafirmou a candidatura de Gabriel Azevedo ao governo de Minas. Agora ele busca aliados ao centro – principalmente Avante, PSDB e Cidadania – depois de ter iniciado tratativas malsucedidas para encabeçar uma frente ampla com o apoio da Federação PT-PV-PcdoB.


Ainda esta semana, um balão de ensaio emergiu na cena política. Em estocada dirigida a Mateus Simões, o ex-secretário de Governo, Marcelo Aro (PP) surgiu como provável candidato ao governo pela Federação União Progressista. Há quatro anos se organizando, com o uso da estrutura do estado, para concorrer ao Senado, União e PP cogitaram a candidatura dele ao Palácio Tiradentes. A iniciativa mira uma DM (Direct message) a Mateus Simões, que concorre à reeleição: a insatisfação com a candidatura ao Senado, de Carlos Viana, pelo PSD. Aro e Viana disputam o segundo voto bolsonarista. Aro considera que com Viana no páreo do Senado, a chance de sucesso de ambos se reduz. Para forçar Mateus a atuar no PSD pela desistência de Carlos Viana, Aro ameaça retirar-lhe da coligação a Federação União Progressista, deixando Mateus isolado em uma coligação de pequenas legendas. O movimento de Aro, que exige de Mateus Simões rife Viana, foi interpretado pelo senador Carlos Viana como uma “desculpa” para que Aro possa migrar para a coligação de Cleitinho.

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Dizem que a disputa pelo voto popular, nestes especiais momentos da democracia, são muito similares à lógica das guerras de movimento. Até por isso, no século 19, ao importar a tendência anglo-saxã, nos Estados Unidos foi cunhado o termo “political campaign”. Saem de cena os arsenais medievais, entram a retórica, as narrativas, as fake news dirigidas ao eleitorado mas, e sobretudo, entre atores que concorrem pela preferência popular, seguem afiadas as facas longas. Chegou a hora.

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