Em meio ao vaivém em busca do melhor cálculo eleitoral em nova legenda, 13 dos 53 deputados da bancada federal mineira revoaram ou estavam prestes a levantar voo, às vésperas desta Sexta-Feira da Paixão. De olho na carona dos votos projetados para Nikolas Ferreira (PL), se filiaram ao PL as deputadas Greyce Elias e Delegada Ione e os deputados federais Dr. Frederico e Lafayette Andrada. As duas primeiras foram convidadas a se retirar do Avante por Luís Tibé, que comanda a legenda. Já Dr. Frederico foi conduzido à porta da saída por Fred Costa, que preside o PRD-Solidariedade no estado. Lafayette Andrada deixou o Republicanos a convite do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ).

Entre mortos e feridos, dos vetos iniciais de Nikolas às consultas de parlamentares interessados em migrar ao PL, foi mantido apenas o bloqueio ao ingresso do deputado federal Pedro Aihara, que deixou o PRD e terminou no PP. E também do deputado federal Stéfano Aguiar, que, sem conseguir melhor destino, permaneceu no PSD. Da federação PRD-Solidariedade também foram ejetados os deputados Zé Silva e Weliton Prado, ambos do Solidariedade – rumaram para o União e o PSD, respectivamente.

Do Avante, além de Bruno Farias, que migrou para o Republicanos, foi forçado a cair fora o deputado federal André Janones. Ele seguiu para a Rede, federada ao Psol, destino também de Duda Salabert, que na última hora deu as costas ao PDT, depois de a legenda ter investido em sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte em 2022 quase todos os recursos disponíveis para aquele pleito. Agora, Duda está de volta ao Psol, onde iniciou a sua carreira. Ali, vai se firmar sob a perspectiva do identitarismo, dirigido a um nicho sólido e leal.

O Republicanos também assistiu à metamorfose de sua bancada federal. Além de Lafayette Andrada, vai deixar a legenda Samuel Viana, que ainda estuda a filiação ao PSD ou ao União. Das quatro cadeiras do Republicanos mineiro, restam, no encerramento da janela partidária, Euclydes Pettersen, presidente do partido em Minas, Gilberto Abramo e o recém-filiado Bruno Farias. Se, por um lado, o PSD recebeu Weliton Prado, por outro, empreendeu a revoada em direção ao União o coordenador da bancada mineira, Igor Timo.

Com outros potenciais nomes que ainda avaliavam migrar, a federação União Progressista que tinha seis cadeiras poderá chegar a 11 neste Sábado de Aleluia. O PL, que tinha 10, está com 14 cadeiras. O PSD contava com cinco, deverá cair para três. O Republicanos, de quatro passou a três. Depois da expulsão em massa, o Avante, que tinha cinco, e o PRD-Solidariedade, também cinco, reservaram uma única cadeira cada para os seus respectivos caciques. A federação PT-PCdoB-PV se manteve estável com as suas dez cadeiras; no PSDB, Aécio Neves não vai concorrer à reeleição e o partido seguiu com duas cadeiras; também o MDB se mantém com duas, em que pese Hercílio Coelho Diniz vá legar a sua base ao filho, Vinicius Diniz, filiado ao PL.

 

Ao descrever a existência como um desejo que, assim que satisfeito, produz nova necessidade ou mais tédio, Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, firmou a máxima: “A vida oscila, como um pêndulo, da direita para a esquerda, do sofrimento para o tédio”. Parlamentares encerram a temporada de caça aos partidos para abrir o novo tempo da angústia da eleição mirando, em geral, um único propósito: a manutenção de um mandato com os seus privilégios.

 

Indignado

Revoltado com a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, o deputado estadual Zé Guilherme (PP) – pai de Marcelo Aro, pré-candidato ao Senado Federal – se manifestou em alto e bom som no cafezinho da Assembleia Legislativa: “A conta vai chegar ao Mateus Simões”, avisou, em meio a adjetivos negativos. Da turma do “deixa-disso”, o líder de Governo, João Magalhães (PSD), tentou pôr panos quentes. Aro fez o seu sucessor na Secretaria de Governo: Castellar Neto assume, mas com poderes limitados por Mateus Simões em relação ao antecessor.

Traição

O grupo de Marcelo Aro considerou que ele foi traído pelo governador Mateus Simões (PSD) e pelo deputado estadual Cássio Soares, presidente do PSD em Minas. Com a filiação de Carlos Viana ao PSD, Aro reclamou não ter sido consultado e avisou que não há espaço para Viana e ele concorrerem ao Senado no mesmo campo. Marcelo Aro viu por terra o seu esforço para trazer o PL à coligação formal com Mateus Simões: ele pretendia dobrar com o deputado federal Domingos Sávio, candidato ao Senado pelo PL, assim herdando o segundo voto do bolsonarismo.

Roscoe

O empresário Flávio Roscoe, que se afastou da presidência da Fiemg e se filiou ao PL, está apto a disputar as eleições. Ele aguarda as composições nacionais em torno da sucessão presidencial antes de definir o seu caminho: poderá encabeçar uma chapa ou, eventualmente, integrar como vice a chapa de uma candidatura de seu campo político. “Mas, para isso, preciso ter afinidade com o candidato”, avisa. Roscoe afirma que também poderá não ser candidato, se sentir que não tem como contribuir com o processo. Nessa hipótese, retornará à Fiemg: o seu mandato se encerra apenas em dezembro de 2026.

 

No Novo

Gleidson Azevedo, que deixou a prefeitura de Divinópolis para concorrer a deputado federal, seguirá no Novo. Em nome dos votos que Gleidson dará à legenda, que não tem um único deputado federal mineiro, foi “liberado” para apoiar o seu irmão, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas.

Nome pesado

Depois de tentar se filiar ao PL, à federação União Progressista e ao Podemos, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha viu ruir a sua expectativa de permanecer no Republicanos. O fluminense transferiu o seu título eleitoral de São Paulo para Belo Horizonte, estado pelo qual tentou retornar à Câmara dos Deputados em 2022: o desempenho foi pífio, teve 5.044 votos. Novamente candidato a deputado federal, desta vez, Cunha preparou a aterrissagem em solo mineiro, preocupado que está em abocanhar outro território que não prejudique a base eleitoral de sua filha no Rio de Janeiro, a deputada federal Dani Cunha. Chamado de “canalha” pelo senador Cleitinho, a legenda entendeu que Cunha é um nome pesado.

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Para onde?

Sem mais tempo a perder, a tendência é de que Eduardo Cunha migre para uma legenda nanica, carregando outros candidatos que possam somar o quociente eleitoral estimado em 210.964 votos, para a eleição de um deputado federal.

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