O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem a carta na manga para tentar desconstruir a terceira via de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Flávio tenta reunificar, no primeiro turno da corrida presidencial, a direita que orbitava o bolsonarismo que foi descolada por Kassab da direita bolsonarista. Também a pré-candidatura do governador de Minas, Romeu Zema (Novo), ao Palácio do Planalto entra na mesma alça de mira do bolsonarismo. Exceção ao governador Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás, os governadores Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Romeu Zema precisam do PL para alavancar os seus candidatos às respectivas sucessões nos estados. E se na eleição presidencial esses governadores insistirem em voo solo, o PL apoiará as candidaturas concorrentes nos estados.


A primeira parada será no Paraná. Flávio Bolsonaro irá ter com Ratinho esta semana para lhe dizer que, caso mantenha a candidatura à Presidência, o PL dará sustentação ao senador Sérgio Moro (União), adversário de Ratinho, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná, mas não conseguiu reunir apoiamentos partidários. O governador do Paraná ainda pondera a quem escolher entre três possibilidades dentro do PSD: o secretário de Cidades, Guto Silva, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca.


No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite respalda o seu vice, Gabriel Souza (MDB), que assumirá o governo no prazo de desincompatibilização. Souza enfrenta à direita o deputado federal Luciano Zucco (PL), líder das pesquisas, com o apoio do PP, que deixou a base governista. À esquerda, o presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Edegar Preto (PT), se articula com a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) para disputar contra o grupo do governador.


Em Minas, a situação do vice-governador Mateus Simões (PSD), candidato de Romeu Zema, é similar à de Ratinho Júnior: o principal adversário, senador Cleitinho, é da direita bolsonarista. Embora o deputado federal Nikolas Fererira (PL) e o deputado federal Domingos Sávio (PL), presidente estadual da legenda, trabalhem por uma composição com Mateus Simões, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, já avisou que o seu partido não estará com Mateus Simões na sucessão estadual se Romeu Zema seguir com a sua pré-candidatura à Presidência da República.


Nessa hipótese, o PL tem a opção de palanque com o senador Cleitinho (Republicanos), numa composição com Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que deverá se filiar ao PL. Tal chapa bloquearia o crescimento de Mateus Simões pela direita bolsonarista, nicho ao qual ele se dirige na maior parte do tempo. A depender de como se configurar a disputa ao centro – até aqui são candidatos Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) – Mateus Simões terá de modular a narrativa, tornando-a menos bolsonarista, em tentativa de disputar espaços com ambos. O campo lulista ainda aguarda o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e está sem candidatura ao governo de Minas.


Assim como Ratinho, Romeu Zema poderá se encontrar diante da encruzilhada: buscar a aliança com o PL, ampliando as chances de eleger Mateus Simões em Minas; ou seguir com a sua pré-candidatura à Presidência da República. A posição de vice para Zema na chapa de Flávio Bolsonaro é construção da ordem do possível. Pelo momento, o governador empurra o jogo para alcançar mais visibilidade, tentando conjugar ambições nacionais e a necessidade de sobrevivência do seu grupo político em Minas. Mas, como tudo tem um custo, Maquiavel lhe diria: "Um príncipe prudente deve notar que, ao tentar alcançar um novo domínio, corre o risco de perder aquele que já possui se não souber equilibrar as forças que o sustentam em sua própria terra.”

 


Apoio


O PSDB irá apoiar a pré-candidatura de Gabriel Azevedo (MDB) ao governo de Minas. A definição foi tirada de encontro nessa segunda-feira (2/3) do pré-candidato com os presidentes nacional e estadual do PSDB, Aécio Neves e Paulo Abi-Ackel, respectivamente.


A janela do PSD


Os deputados estaduais Enes Cândido (Republicanos) e Bosco (Cidadania) estão de malas prontas para o PSD. Já o deputado estadual Adalclever Lopes (PSD) ainda decide se fica ou se parte: dependerá da chapa proporcional e das projeções de qual será a votação mínima, de corte, para o sucesso eleitoral na chapa. As informações são do presidente estadual do partido, deputado estadual Cássio Soares, que será candidato a deputado federal.

 


Fica ou vai?

O deputado federal Weliton Prado, que está no Solidariedade, vai se filiar ao PSD. Da atual bancada federal do PSD de cinco parlamentares, todos ficam, afirma Cássio Soares. A dúvida é o deputado federal Luiz Fernando. Caso o senador Rodrigo Pacheco (PSD) seja candidato ao governo de Minas, Luiz Fernando mudará de legenda, acompanhará o senador. Se não for candidato, também o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), deverá permanecer na legenda, mesmo apoiando a reeleição de Lula (PT), afirma Cássio Soares. Contudo, em Juiz de Fora, Alexandre Silveira confidenciou a aliados que poderá se filiar ao PSB para concorrer ao Senado Federal ou mesmo ao governo, se for da vontade de Lula.


Predadores

Em café da manhã com jornalistas, Cássio Soares assinalou que as chapas proporcionais do PSD, mesmo com 11 deputados estaduais e cinco (ou seis) federais serão desenhadas para eleger respectivamente 15 e 8 parlamentares. Ele rebateu o que chamou de narrativas de montadores de chapa que estão agindo como “predadores”, ao espalhar que a eleição nas chapas de legendas sem deputados concorrendo à reeleição será mais fácil de ser alcançada, com uma linha de corte menor do que o PSD. O propósito desse discurso seria puxar para outros partidos os pré-candidatos do PSD com boa votação, que fazem o colchão de votos da legenda. “A lógica mudou e muitos partidos pequenos vão desperdiçar votos por não alcançarem 80% do quociente eleitoral”, afirma.


Reforma administrativa


Representantes dos governos federal, estadual e especialistas em gestão pública irão debater, na próxima quarta-feira, 11 de março, no auditório da Fundação João Pinheiro, a modernização do estado, com foco na reforma administrativa que tramita no Congresso Nacional. O evento “Ciclo de Debates: Modernização do Estado e Reforma Administrativa” é promovido pelo Movimento Pessoas à Frente, pela Comissão de Avaliação Externa da Reforma Administrativa, em parceria com a Fundação João Pinheiro. Participam Chico Gaetani, secretário extraordinário para a Transformação do Estado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Cibele Franzese, professora da FGV-SP, Gustavo Tavares, professor do Insper, Haroldo Rocha, coordenador do Movimento Profissão Docente, e Mônica Bernardi, vice-presidente da Fundação João Pinheiro.

 

 

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