Hoje, as mulheres sobrevivem ao câncer de mama, ao contrário do que acontecia no passado. Uma tia do meu pai, diagnosticada aos 44 anos, faleceu alguns anos depois em decorrência do câncer. Anos depois, com o mesmo diagnóstico, uma irmã do meu pai, com a mesma idade, fez os tratamentos necessários e sobreviveu - está com mais de 70 anos, firme e forte. Eu também, sete anos atrás, aos 44 anos, me deparei com ele; um carcinoma invasivo na mama esquerda.

Sete anos se passaram e cá estou eu, viva e tentando sobreviver à menopausa sem reposição hormonal. Quando uma mulher tem um câncer de mama que é receptor hormonal, a reposição não é recomendada pelo risco de recidiva, mas ninguém te conta como a falta do bendito estrogênio vai prejudicar sua qualidade de vida. 

Será que faz mesmo sentido não poder fazer reposição, levando em conta tantos problemas de saúde que vão surgindo em decorrência dessa falta? 

Penso naquela música dos Titãs:

O pulso ainda pulsa 

Peste bubônica, câncer, pneumonia 

Raiva, rubéola, tuberculose, anemia 

Rancor, cisticercose, caxumba, difteria 

Encefalite, faringite, gripe, leucemia 

O pulso ainda pulsa

Poderia fazer uma paródia só com os sintomas da pós menopausa.

O pulso ainda pulsa 

Fogacho, Enxaqueca, zero energia 

Insônia, nevoeiro mental, pressão alta, que agonia 

Queda de cabelo, coceira no ouvido, hemorragia 

Fadiga, sangramento nasal, osteopenia 

O pulso ainda pulsa

Para a medicina, essa jornada se divide em etapas bem marcadas, mas que na pele parecem um turbilhão contínuo. Tudo começa no climatério: o período de transição que engloba a perimenopausa, fase em que a produção ovariana de hormônios se torna errática, a menstruação fica irregular e os primeiros sintomas físicos e emocionais dão as caras. 

A menopausa em si é apenas um marco: a data que consolida 12 meses consecutivos sem sangramento. A partir dali, entramos na pós-menopausa, onde a escassez hormonal se estabiliza no nível mínimo. O que acontece com o corpo nesse período é uma pane sistêmica pela atrofia urogenital e pela perda da proteção cardiovascular e óssea que o estrogênio garante, desregulando o termostato do cérebro e desacelerando o metabolismo.

A lista de sintomas que acompanha esse declínio hormonal é extensa: além dos famosos fogachos e da insônia, o corpo reage com secura na pele e nas mucosas, ganho de peso inexplicável, palpitações e alterações severas no humor e na cognição. 

Diante de tanto desconforto, a terapia de reposição hormonal é a salvação para muitas, mas carrega contraindicações médicas. Ela é desaconselhada para mulheres com histórico de tumores estrogênio-dependentes, e para aquelas com antecedentes de trombose, embolia pulmonar, doenças hepáticas graves ou sangramento vaginal de causa desconhecida.

Que saudades do meu estrogênio! Meu corpo está sofrendo alterações profundas que afetam meus ossos, minha pele, meu metabolismo e meu sistema cardiovascular. Como viver bem sem você? Mesmo fazendo atividade física regular, tendo boa alimentação, nada se compara à sua presença no meu corpo! 

Oh! Arlindo Orlando, volte!

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