A cada ano, o câncer de próstata atinge cerca de 77 mil brasileiros, informa o Instituto Nacional de Câncer (Inca). É o tipo de neoplasia maligna mais incidente entre os homens no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

Embora o diagnóstico precoce garanta até 90% de chance de cura, muitos casos, infelizmente, são identificados tardiamente.

Cerca de 18,5 mil homens morreram vítimas da doença no país em 2025, o que equivale a 50 mortes por dia.

O câncer de próstata é o segundo tipo de neoplasia maligna que mais causa mortes em homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pulmão.

Um dos motivos do alto índice de mortes é a falta de acompanhamento regular. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 31% dos homens não vão ao médico há mais de dois anos, e 70% só procuram atendimento se há sintomas.

O médico Armindo Matheus explica que isso é consequência direta de fatores culturais e da pouca valorização da prevenção.

“O homem, de modo geral, busca o médico quando sente dor ou percebe que algo está errado. Falta o hábito do cuidado preventivo, que é justamente o que salva vidas. Resultado: muitas doenças são descobertas tardiamente, em estágios mais complexos”, explica.

Segundo o especialista, deve-se procurar o médico antes dos 40 anos, sobretudo quem tem histórico familiar de doenças como hipertensão, diabetes ou câncer. A partir dos 35 anos, já é indicado o check-up anual, com exames simples que ajudam a mapear fatores de risco e acompanhar a evolução da saúde.

“O check-up básico inclui avaliação cardiológica, exames de sangue para medir colesterol, glicemia, função renal e hepática, além do controle da pressão arterial. A partir dos 45 anos, ou dos 40, no caso de histórico familiar, entra o rastreamento da próstata, com o PSA e o exame clínico”, detalha o médico.

“Há resistência histórica em relação ao exame clínico, mas ele continua sendo importante, complementar ao PSA. É rápido, indolor e pode representar a diferença entre a cura e o diagnóstico tardio”, reforça Armindo Matheus.

O corpo costuma dar sinais. Aprender a reconhecê-los é essencial. Entre os principais sintomas de alerta estão a dificuldade para urinar ou jato urinário fraco; aumento da frequência urinária, especialmente à noite; presença de sangue na urina ou no sêmen; dor na região pélvica ou nos ossos; fadiga e perda de peso inexplicável.

“Esses sinais muitas vezes aparecem de forma discreta, mas indicam que algo precisa ser investigado. O ideal é não esperar o incômodo aumentar para procurar ajuda”, orienta o doutor Armindo Matheus.

A campanha Novembro Azul nos lembra de algo essencial: cuidado com a saúde é ato de responsabilidade, não de fraqueza.

Procurar o médico não é sinal de vulnerabilidade, mas de inteligência e amor-próprio.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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