Em estudo inicial da Universidade da Califórnia, adultos com sintomas depressivos relataram melhorias moderadas a significativas após quatro semanas seguindo dieta com baixo teor de alimentos ultraprocessados. Publicado no Jama Psychiatry, o trabalho faz parte de um conjunto de pesquisas sobre associação de dietas ricas em alimentos ultraprocessados com a depressão, entre outros transtornos psicológicos.
Foram recrutados 20 adultos com idade média de 44 anos, dos quais 14 eram mulheres. Todos com sobrepeso e pelo menos um distúrbio metabólico, como hipertensão ou colesterol elevado. Catorze também apresentavam ansiedade.
Um grupo continuou com a dieta habitual, rica em alimentos processados, durante quatro semanas, enquanto o outro adotou alimentação orientada pelos pesquisadores, com baixo teor de ultraprocessados, excluindo salgadinhos industrializados, fast food e bebidas açucaradas.
Após um mês, os grupos trocaram de dieta. Aqueles que reduziram o consumo de ultraprocessados em mais de 85% apresentaram melhorias moderadas a significativas nos sintomas de depressão; alguns também observaram reduções modestas na ansiedade.
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A neuropsicóloga Sanam Hafeez diz que chamou a atenção a rapidez com que os sintomas pareceram mudar quando a dieta é alterada. Isso desafia a ideia de que alimentação afeta apenas marcadores físicos, como peso, colesterol ou glicemia. O cérebro é parte do corpo, por isso faz sentido investigar se a qualidade do que comemos influencia como nos sentimos e funcionamos mentalmente.
A médica Nyasha Chagwedera destacou que ultraprocessados podem danificar o revestimento protetor do órgão, produzindo o “intestino permeável e desequilibrado”, condição em que junções estreitas do revestimento intestinal se afrouxam, permitindo que toxinas, bactérias e partículas de alimentos não digeridos passem para a corrente sanguínea.
A ligação entre intestino saudável e mente saudável reside na complexa rede de comunicação bidirecional conhecida como eixo intestino-cérebro. O cérebro e o trato digestivo mantêm diálogo constante e rápido que afeta diretamente as emoções, os níveis de estresse e a saúde cognitiva.
O cérebro depende de neurotransmissores para regular sentimentos de felicidade, calma e motivação. A maioria dessas substâncias químicas são produzidas no intestino, não no cérebro. Entre elas estão a serotonina (felicidade), a dopamina (motivação) e o gaba (calma). Quando a saúde intestinal se deteriora, a fábrica química desacelera, o que pode desencadear ou agravar os sintomas de ansiedade e depressão.
Quando bactérias ruins proliferam em excesso em relação às boas, liberam compostos tóxicos que causam inflamação sistêmica. Isso pode romper a barreira hematoencefálica, contribuindo para confusão mental, declínio cognitivo e transtornos de humor.
A dieta não substitui medicamentos e terapia, mas alimentação e saúde intestinal devem ser consideradas como parte de um panorama mais amplo da saúde mental.
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Resumindo: cuidar da saúde intestinal pode ser um complemento viável a procedimentos tradicionais de saúde mental. Se dieta, exercício físico, sono e outras mudanças no estilo de vida podem melhorar a biologia do corpo, também ajudam a criar ambiente mais favorável para o tratamento psiquiátrico.
