O diagnóstico de câncer transforma a vida do paciente. Além dos efeitos físicos da doença e dos tratamentos, as mudanças na rotina podem despertar medo, ansiedade, tristeza, insegurança e preocupação com o futuro. Enfrentar a doença envolve também lidar com transformações emocionais, familiares, profissionais e sociais que podem surgir ao longo do tratamento.

 


Segundo a psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia Vanessa Bulcão, a saúde mental também precisa de atenção. Muitas pessoas concentram seus esforços nos cuidados com o corpo e acabam deixando as emoções em segundo plano. O sofrimento emocional merece ser acolhido como parte do cuidado integral.


Mesmo quando a perspectiva de tratamento é favorável, a palavra “câncer” geralmente está associada a medo e incerteza. A espera pelos resultados dos exames, os efeitos colaterais, as mudanças no corpo e a necessidade de parar ou reduzir as atividades diárias podem aumentar a ansiedade.


Cada paciente reage de maneira diferente, e não existe uma forma certa de se sentir diante da doença. Medo, tristeza ou insegurança não devem ser tratados como sinais de fraqueza. Esses sentimentos podem fazer parte de uma experiência desafiadora e precisam encontrar espaço para serem expressos.


“O paciente não precisa demonstrar força o tempo todo. Reconhecer o medo, a tristeza ou a insegurança não significa desistir do tratamento. Poder falar sobre o que sente, sem cobranças, é uma forma de cuidar da saúde emocional”, afirma Vanessa Bulcão.


Manter vínculos com pessoas de confiança pode ajudar nesse período. Familiares e amigos podem oferecer companhia, escuta e auxílio prático, respeitando as necessidades, as escolhas e os limites do paciente. Vanessa explica que nem sempre a pessoa quer conselhos ou soluções. Muitas vezes, precisa ser ouvida sem julgamentos e sem cobranças para permanecer positiva o tempo todo. Perguntar como ajudar é o melhor.

O acompanhamento psicológico pode oferecer apoio desde o diagnóstico, sem que seja necessário esperar o sofrimento se intensificar. O profissional ajuda a compreender as emoções, lidar com as mudanças provocadas pela doença e desenvolver estratégias para enfrentar as dificuldades do tratamento.


“Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. O paciente não precisa enfrentar tudo sozinho nem esperar chegar ao limite para procurar apoio. Reconhecer suas necessidades emocionais é uma atitude de cuidado consigo mesmo”, explica Vanessa Bulcão.


Consultas, exames, medicamentos e procedimentos passam a fazer parte da rotina, mas o paciente continua sendo uma pessoa com interesses, relacionamentos, projetos e desejos. Dentro das suas possibilidades e respeitando as orientações da equipe de saúde, manter atividades prazerosas e vínculos pode ajudar a preservar o bem-estar.


É importante que a pessoa continue se reconhecendo para além do diagnóstico. Uma conversa, uma música ou uma atividade de que gosta podem manter essa conexão.

O câncer faz parte de uma experiência que ela está vivendo, mas não resume quem ela é.

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